Tribuna do Leitor

Por que deixamos que chegasse a isso?


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Mais de quarenta mil pessoas em passeata pela avenida Paulista. Outros tantos milhares com o mesmo sentimento, mas escondidos em casa pelo medo. Não é novidade; a história já viu isso antes: contra a repressão, contra a ditadura, pelas diretas, pela liberdade de expressão e agora pelo direito a dignidade de sermos o que nascemos para ser... professores! O Estado de São Paulo caminha na contramão da evolução. No livro "Paidéia", o qual discorre sobre a civilização grega, logo em seu inicio está registrada a seguinte frase: “Todo povo que se presta a ser desenvolvido tende a priorizar a prática da educação”.

O que leva um governo a veicular em diversas mídias informações incorretas a respeito da situação da educação pública estadual? Por que não se veicula que sua base política na Assembléia Legislativa foi contra o limite máximo de 35 alunos por sala? Explique para a comunidade a pressão exercida sobre os professores para que não seja dada nenhuma nota vermelha ou que se reprove alunos (não que isso seja um desejo nosso)? Que sua recuperação paralela não oferece nada de novo ao que já foi tentado e não funcionou (procure saber quantos políticos mantém filhos em escolas públicas estaduais)?

Que o bônus , assim como a evolução funcional através da “provinha“ é um engodo, sendo o único intuito o de manipular e manter o controle? Como bom professor, tenho que lhe dizer que o controle é bem melhor exercido pelos que servem de exemplo (passando a ter outra denominação: respeito), e não quando se usa a força. Isso já foi tentado na ditadura e o povo carrega as suas marcas até hoje; aliás, os que nos comandam no estado são resquícios daqueles tempos do “ eu prendo e arrebento”. Parece-me que ainda não aprenderam o suficiente e continuam a se agarrar a um passado que tentamos não necessariamente esquecer, mas evitar que aconteça novamente.

Estamos impedidos de ir e vir livremente, pois os pedágios nos cercam o caminho. E agora estão tentando silenciar os professores. Enquanto escrevo, me chegam informações que os ônibus com professores das cidades do interior com destino à Assembléia, na avenida Paulista, estão sendo parados pela polícia rodoviária, a mando do governo estadual, de maneira a esvaziar o movimento grevista e evitar a demonstração de descontentamento dos profissionais da educação.

Poderia discorrer com mais propriedade a respeito das mazelas causadas pelos projetos infelizes do governo estadual, mas seria quase que um livro. Posso afirmar que não gostamos de reprovar nenhuma aluno mas... às vezes é necessário. E isto não é uma característica da escola pública e sim uma característica herdada do capitalismo, de regras de mercado, da política de resultados onde somos julgados pelo que temos e não pelo que somos; na verdade uma dissociação entre inteligência e moral. Quem mente não merece respeito!

E este governo estadual a meu ver...está reprovado! Não queríamos que chegasse a isso!

Professor José Reginaldo Furtado - cadeira 31 ABL

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