Tribuna do Leitor

Debate das cotas


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No começo de março, senadores prós e contra as reservas de vagas para negros em universidade travavam acalorada discussão no STF. De um lado, o argumento sobre a ausência de negros no ensino superior, pois que teriam sido privados em razão da injustiça social decorrente da escravatura. De outro, a desvinculação desse conceito, mantendo a justiça do ingresso pelo mérito intelectual. Paulo Paim, do PT, lamentou que apenas 2% dos estudantes de curso superior sejam negros, embora nossa população conte com 55% de pardos ou negros. Mas porque querem interferir justo na excelência do ensino superior, cujo acesso deveria ser - sempre - pelo mérito intelectual, e jamais pela cor da pele?

Vejamos, o Congresso Nacional é a instituição que representa o povo do país. Mas, no parlamento brasileiro, menos de 5% das cadeiras são ocupadas por negros. Ironia à parte, nosso congresso é tão miscigenado quanto o Holandês. Deixo aqui uma sugestão: porque os “tão preocupados” congressistas não começam a reserva de vagas pelo parlamento, para que tenhamos 55% das cadeiras para serem obrigatoriamente ocupadas por representantes pardos e negros da sociedade? Claro que as vagas para acesso dos brancos diminuiriam, mas aumentaria a participação do negro numa instituição realmente representativa da nação, afinal, isso seria justiça social, não era esse o papo? E mais. Essa regra deveria valer para as assembléias estaduais e municipais, com a vantagem de não depender da inteligência para ingressar. Basta apenas ser brasileiro. A verdade é que o populismo barato rende votos, inclusive da própria população negra, que não percebe ser dignamente representada pelo apartheid político dos brancos. É como diz o ditado: pimenta no olho do outro é refresco.

Ivan Garcia Goffi

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