“Todos os dias é um vai-e-vem/ A vida se repete na estação/ Tem gente que chega pra ficar/ Tem gente que vai pra nunca mais/ Tem gente que vem e quer voltar/ Tem gente que vai e quer ficar/ Tem gente que veio só olhar/ Tem gente a sorrir e a chorar/ E assim, chegar e partir”. A música “Encontros e despedidas”, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, em 1985, relata perfeitamente a rotina do Terminal Rodoviário de Bauru.
O espaço, que tem 7.500 metros quadrados (m²), é movimentado o dia todo por cerca de 4 mil pessoas. Esta massa de gente, que chega a dobrar nas vésperas de feriado, a grosso modo se mostra homogênea.
São pessoas vindas de todos os bairros de Bauru, de diversas cidades, Estados e países. Elas se misturam e se confundem, deixam de lado diferenças étnicas e de classe social, preenchem os espaços e arrastam suas malas recheadas de sonhos. Deixam transparecer suas ansiedades, expectativas, cansaço, e, involuntariamente, fazem do Terminal Rodoviário palco para a confecção de uma rica teia cultural.
O grande fluxo dos ônibus, uma média de 180 chegadas e saídas por dia, e a variedade de destinos justificam a passagem de tantas pessoas pelo lugar. Além disso, a diversidade de serviços oferecidos na cidade, considerada de médio porte, e o grande número de universidades, fazem com que muitas pessoas aportem em Bauru e adotem o município como uma segunda residência.
Um exemplo é o estudante Luis Alberto Chicarelli Junior, 18 anos, que se destaca em meio a multidão. Carregado de malas, travesseiros e lutando para segurar o lanche e o refrigerantes nas mãos, passa a impressão de que vai partir para uma longa viagem. “Não, eu estou indo para Pompeia, onde mora minha família. Só vim para Bauru para cursar odontologia, retorno a cada 15 dias para minha cidade natal”, explica.
Já Viviane Marques Fernandes, 29 anos, acompanhava seu filho, Leonardo Marques Fernandes, 3 anos, e veio a Bauru para visitar a mãe de Viviane e, depois de passar uma semana aqui, retornava para a cidade onde vive atualmente.
“É a primeira vez que meu filho viaja de ônibus. Está sendo uma descoberta para o Leonardo. Tudo ele observa, tudo ele quer saber”, detalha ela sobre o momento que considera marcante na vida de uma mãe e de um filho.
As amigas Cacilda Aparecida Pereira, 42 anos, e Josiane Martins, 31 anos, denunciavam no rosto a animação que sentiam em estar no terminal. “Viemos de Ibitinga e estamos indo para Campinas, onde vamos pegar um avião e seguir até o Recife, o paraíso de nossas férias. Estar em Bauru significa estar um pouco mais perto do nosso destino”, conta Josiane.
Casa temporária
Para dar conta de atender a essa diversidade de humana que frequenta o Terminal Rodoviário de Bauru, o prédio tem de se transformar temporariamente em uma casa, e para isso gasta, em média, R$120 mil mensais, sendo que as despesas de água e energia são responsáveis por R$13mil deste montante.
A estrutura, existente desde a inauguração do terminal, sofreu pequenas adaptações. Atualmente o local é equipado com piso tátil e rampas de acesso, que facilitam a vida dos deficientes físicos que passam por ali. Mas, em compensação, não conta mais com o sistema de som para avisar aos passageiros e frequentadores sobre os embarques e desembarques, e abriga apenas três estabelecimentos comerciais, sendo duas lanchonetes e uma banca de jornais e revistas.
Outras estruturas oferecidas são pouco conhecidas por quem mora na cidade e raramente vão ao local. Exemplos são a possibilidade de tomar banhos nos sanitários e deixar itens no guarda-volumes ou a existência de uma unidade do Centro de Valorização à Vida (CVV) próximo à plataforma de embarque.
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Planos de reforma
Para Marcio Soares de Oliveira, assessor de comunicação da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e responsável pelo Terminal Rodoviário, ainda há muita coisa a ser feita para melhorar o ambiente.
“Temos que ter em mente que uma diversidade muito grande de gente passa por aqui, e que o terminal é o cartão de visitas da cidade. Por isso, muita coisa precisa melhorar”, analisa.
Um dos planos da empresa é instalar lan house, casa lotérica e farmácia no local, além de trazer um posto de informações turísticas para divulgar a cidade. “As pessoas reclamam muito que faltam estas coisas. Se é ruim para os visitantes, imagine para as pessoas que trabalham aqui”, afirma.
A próxima providência, que está prevista para entrar em vigor no próximo semestre, será a terceirização da segurança do local, que atualmente é feita por apenas três vigias, que se revezam em turnos.