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O brincar que trata e recupera

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Coloridas, alegres e cheias de brinquedos espalhados por todos os lados, as brinquedotecas de hospitais são verdadeiros pedacinhos de céu para os pequenos que estão hospitalizados e, por isso, fragilizados. Além da diversão, esses espaços têm o poder de acelerar a recuperação e o tratamento infantil a partir do momento em que proporcionam interação com a família e outras crianças.

“O brincar vem sendo considerado indispensável para o tratamento”, afirma a psicóloga Vera Barros de Oliveira, coordenadora do grupo de trabalho “Brinquedo, Aprendizagem e Saúde” da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP) e uma das autoras do livro “Brincar é saúde: o lúdico como estratégia preventiva” (Editora Wak), que aborda a utilização dos brinquedos como uma importante ferramenta de recuperação.

É que, quando internada, a criança rompe com seus hábitos diários, como escola, amigos, brinquedos e família em função da rotina hospitalar, que representa dor, assusta e causa angústia e tensão. “O brincar é o contrário: relaxa, solta os pequenos, traz felicidade e permite que a criança se expresse das mais diversas formas”, explica Vera.

No universo do brincar, as brinquedotecas são espaços privilegiados dentro de um hospital e, de acordo com a pesquisadora, há estudos que mostram e comprovam que ela é um fator de proteção emocional dentro do hospital. “Não há situação de risco. Porém, para a instalação de uma brinquedoteca é preciso fazer um estudo prévio sobre organização, higiene, acolhida à família e capacitação de profissionais”, aponta.

Em Bauru, no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP), mais conhecido Centrinho, o ato de brincar faz parte das atividades diárias. Jogos, brinquedos variados, fantasias e outros adereços compõem a brinquedoteca do Serviço de Educação e Terapia Ocupacional enquanto materiais reaproveitáveis, como garrafas pets, fitas, tecidos e embalagens diversas, são utilizados para a construção de brinquedos, jogos e artesanatos confeccionados pelos próprios pacientes e familiares, completando as atividades da brinquedoteca artesanal.

Com o objetivo de identificar os benefícios dessas atividades no período pré e pós-operatório, a terapeuta ocupacional Márcia Cristina Almendros Fernandes de Moraes estudou a influência das atividades expressivas e recreativas na hospitalização do Centrinho.

Os itens analisados comprovaram que as atividades recreativas diminuem os efeitos negativos vindos da hospitalização de crianças com fissura labiopalatal. “A criança fica mais alegre, calma, tem o processo de recuperação cirúrgica acelerado e, quando os familiares participam das atividades, melhora o estado emocional da criança”, aponta.

Para Ediana Preisler Melchiades, gerente de enfermagem do Hospital Unimed Bauru, um dos resultados mais expressivos e observados de uma brinquedoteca em hospitais é o fato dela devolver um pouco do ambiente de casa à criança, por meio dos brinquedos e dos momentos de distração. “A criança hospitalizada sofre alterações sociais, fica nervosa e chorosa, o que acaba atrapalhando a sua recuperação. Esses espaços humanizam os hospitais”, frisa.

Romper a rotina de horários de remédios, terapias, cirurgias e preparar a criança para voltar para casa são os principais pontos positivos da brinquedoteca na visão de Maria Alice Ferraz Troijo, psicóloga do Hospital Estadual (HE) de Bauru. Ela aponta, ainda, para a importância do trabalho voluntário, que no HE é feito em parceria com estagiários de psicologia e voluntários dos grupos Projeto Alegria, Projeto Sorrir e Amarelinhos.

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