Política

Serra desconversa sobre candidatura

Monise Centurion
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Após falar abertamente, pela primeira vez, de sua candidatura à Presidência da República à TV Bandeirantes, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), visitou ontem a região para a inauguração da Faculdade de Tecnologia (Fatec) e da duplicação de trecho da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), conhecida como Bauru-Marília. Apesar de se recusar a falar sobre o pleito deste ano, o tom eleitoral era evidente.

“Eu vim aqui numa ação de governo do Estado. Não vou falar de eleição presidencial, nem eleição estadual. Isso é para o futuro. A entrevista do Datena não foi durante um ato de governo e também não disse nada novo”, afirma o governador. Na entrevista, Datena questionou: “Como é que o senhor vai negar que é candidato à Presidência da República?” Para quem vinha driblando sistematicamente a questão, Serra foi menos evasivo. “Não, eu não estou negando. Eu estou dizendo que nesse momento, enquanto eu estiver no governo, eu não vou fazer campanha, só isso.”

A uma semana de pedir a descompatibilização do governo, Serra mudou seu comportamento. Sem o terno e gravata habituais, cumprimentou potenciais eleitores, distribuiu abraços, beijou crianças, tirou fotografias, contou e até ouviu piadas. Pacientemente, o governador escutou reclamações de munícipes que estavam no Aeroclube e na Fatec para vê-lo e também ouviu com parcimônia a manifestação dos professores estaduais.

“É nossa última semana. No dia 2 de abril vamos nos afastar para as candidaturas. O PSDB quer, os aliados querem, o povo quer. Ele está em primeiro lugar nas pesquisas, mas ainda não anunciou, então vamos aguardar para o dia 2”, afirma o secretário estadual de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSDB), e candidato tucano mais provável para sucessão do Palácio dos Bandeirantes. Segundo o secretário, sua situação só será resolvida com o posicionamento de Serra. “A definição primeiro tem que vir do governador.”

Para o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), já é certo Serra e Alckmin vão fazer a dobradinha. “Isso já vem de algum tempo. Eles se completam.” Durante seu discurso de inauguração da Fatec, Tobias afirmou que Alckmin era o amigo de Bauru e futuro governador e Serra, o próximo presidente. “Quero que você faça de novo os mutirões de saúde”, pediu o parlamentar.

Ao que tudo indica, o governandor lançará sua candidatura oficialmente no início de abril. O presidente estadual do PMDB, ex-governador Orestes Quércia (PMDB), que acompanhou a passagem da comitiva tucana por Bauru, disse ontem que o anúncio deverá ser no dia 10 de abril. “Nós já sabemos que ele é candidato há muito tempo. Ele, o PSDB e aliados vão fazer o lançamento, provavelmente, em Brasília.”

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PMDB orienta Rodrigo a apoiar José Serra para a Presidência

O presidente estadual do PMDB, ex-governador Orestes Quércia, disse ontem que a orientação do partido paulista é para que o prefeito Rodrigo Agostinho apoie o governador José Serra (PSDB) em sua candidatura à Presidência da República. Quércia é pré-candidato ao Senado.

Questionado sobre a possível candidatura da vice-prefeita Estela Almagro (PT) à Assembleia Legislativa ou à Câmara dos Deputados, o peemedebista foi enfático: “Ele pode apoiar a vice como candidata e apoiar o Serra, não tem problema. Nós não podemos oficialmente apoiar o Serra. Vamos fazer aliança com o candidato a governador, que é o Alckmin”, afirma. No entanto, o chefe do Executivo se limita apenas a responder que irá apoiar quem apoiar Bauru.

No ano passado, o PMDB paulista se reuniu com o governador de São Paulo para declarar oficialmente apoio ao tucano em uma eventual candidatura, liderado por pelo presidente estadual do PMDB, ex-governador Orestes Quércia. Na ocasião, 62 dos 65 prefeitos da legenda no Estado apareceram na sede do governo paulista. A bancada de deputados estaduais peemedebistas também engrossou o coro da aliança.

“Vim para Bauru apoiar Serra, nosso futuro presidente. Ele é candidato e é importante que seja. Não tenho nada contra o Lula, mas o PT já preside o Brasil pela segunda vez, é hora de mudar. Eu vejo muito risco o Lula, não sendo presidente, uma senhora (Dilma Rousseff), que eu respeito muito, não tem a liderança que o Lula tem, governar o Brasil. Se tiver um governo que não tenha muita força, acho que o PT pode, ao invés de ajudar, prejudicar o Brasil.”

Sobre o acerto entre PT e PMDB para disputar as eleições presidenciais, Quércia diz que não concorda. “Na verdade, o PMDB de São Paulo tem autonomia para apoiar quem achar melhor. Nós somos contra o apoio a Dilma. Rio Grande do Sul, Pernambuco, Santa Catarina, a convenção é que vai decidir. Mas aqui em São Paulo o caminho é outro.”

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