Ninguém cresce sozinho. A máxima que toma ares de verdade absoluta, ainda mais quando se trata de conquistar um lugar ao sol no acirrado mercado de trabalho, faz das redes sociais importantes aliadas no momento em que é necessário, antes de crescer, aparecer.
Em meio a diversas formas de ser visto e lembrado no universo cibernético, o microblog Twitter, criado em 2006 então com a premissa de funcionar como um simples diário online, de frases sintetizadas em no máximo 140 caracteres, além de febre mundial, virou referência como vitrine profissional, tanto para quem procura emprego quanto para quem contrata.
“Começou com uma causa e terminou com outros fins. Antes tinha a característica de um diário e hoje é ferramenta importante até mesmo na produção jornalística”, ilustra o professor de comunicação Cláudio Coração, da Universidade Paulista (Unip), em Bauru.
É constante o aumento na quantidade de empresas que anunciam suas vagas diretamente a quem as segue nessa interface. Mais ainda elas também contratam após encontrarem, na rede social online, perfis que atendam suas respectivas filosofias de trabalho.
Obviamente, a maioria das corporações aplica demais testes para avaliar candidatos. Contudo, estar presente nessas comunidades, especificamente no Twitter, abrevia e muito o caminho entre o primeiro contato com departamentos de recursos humanos até a assinatura da carteira de trabalho.
Foi assim com a jornalista Júlia Dantas, de 22 anos. A comunicadora, que trabalha com conteúdo online da Editora Alto Astral, em Bauru, há cerca de um ano ocupa um posto ao qual se candidatou após ver um anúncio da vaga feito por meio do microblog.
“Tive a informação através do Twitter, onde foi colocado um e-mail específico para quem estivesse disposto a se candidatar à vaga”, recorda a redatora. Para Júlia, especificamente em sua função, o site foi mais do que uma vitrine onde fisgou a oportunidade certa, na hora certa. “Também é uma forma de mostrar para a empresa que você faz parte desse universo digital, que está inserida”, considera.
A jornalista acredita que o Twitter, assim como outras ferramentas da web, pode ser bem aproveitado profissionalmente desde que o usuário tenha foco e discernimento. “É uma ferramenta como outra qualquer. Bem usada, propicia uma gama e troca de informações ricas e úteis. Mas, como a própria Internet, também tem lixo”, pondera. Coração acrescenta: “A informação é pulverizada. É a progressão geométrica da informação”, conceitua o professor universitário.
____________________
Apareça e cresça
Quem está inserido na rede tem mais chances de, como a jornalista da editora em Bauru, ver a vaga almejada praticamente cair no colo. “Claro que o Twitter não pode ser a única forma de seleção”, ressalva o jornalista Sandro Paveloski, gerente de produção editorial da empresa que contratou Júlia. “O contato pessoal, o olho no olho, também fazem parte”, acentua.
Foi o próprio gerente de produção quem anunciou a vaga no microblog, onde já havia publicado oportunidade de trabalho visando preenchimento de vaga em São Paulo. Na opinião do jornalista, a popularização do site, com uma avalanche de adesões – estima-se que reúna uma média de 17 milhões no mundo todo - é positiva. “O povo tem que tomar conta mesmo. Recomendo o uso para trabalho mais como um start. De maneira alguma isso pode eliminar outras etapas de seleção”, pondera.