A Cadeia de São Manuel (69 quilômetros de Bauru) passou por mais uma tentativa de fuga, ontem à noite. Desta vez, os detentos tentaram deixar a unidade por meio de um túnel. Cavidades em várias celas dariam acesso a ele. Segundo informações preliminares, o destino da passagem subterrânea era o pátio da Circunscrição Regional de Trânsito, situado ao lado. Detentos teriam sido flagrados já do lado de fora, mas ninguém teria fugido. Até o fechamento dessa edição, a ocorrência estava em andamento.
A Tropa de Choque da Polícia Militar entrou na cadeia, pois a suspeita era que havia armas na unidade. Por conta da aglomeração de pessoas nas imediações, especialmente parente de presos, a rua foi interditada. No início desse mês, em razão da superlotação e diante da possibilidade de interdição do local, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) iniciou a transferência de presos para unidades da região.
No final de outubro do ano passado, durante o banho de sol, detentos também tentaram fugir da unidade. Na ocasião, utilizaram “teresas” (corda feita de lençóis amarradas) para subir até a tela de proteção do pátio e cortar a grade com auxílio de pedaço de serra colado em um cabo de madeira. O carcereiro percebeu a movimentação e acionou a polícia, que conseguiu impedir a fuga.
Reginópolis
Terminou ontem pela manhã, sem vítimas, a rebelião na Penitenciária 1 de Reginópolis (70 quilômetros de Bauru). Por aproximadamente nove horas, três funcionários foram feitos reféns – o diretor de disciplina e dois carcereiros. Conforme o JC veiculou, era cerca de 21h15 de sábado, quando os detentos dos pavilhões 7 e 8 se rebelaram.
De acordo com informações apuradas pela reportagem, eles teriam se recusado a entrar em suas celas. Após horas de negociação, a direção da penitenciária e o Grupo de Intervenção Rápida (Gir), força especial que atua nas penitenciárias paulistas, conseguiram que a rebelião chegasse ao fim. Os reféns foram liberados.
Rumores apontam que o motim começou porque os detentos tiveram acesso negado a celulares. Já familiares de presos, que tiveram as visitas negadas ontem, informaram que a causa da rebelião seria os maus tratos que os encarcerados estariam sofrendo por parte dos funcionários. “Até cacos de vidros são colocados nos alimentos deles. Quando trazemos comida para eles, somos obrigadas a despejar tudo em uma sacola plástica de supermercado”, disse a esposa de um dos detentos. A reportagem procurou a direção da Penitenciária 1 de Reginópolis, mas ninguém quis se pronunciar sobre os fatos.
A Policia Militar foi acionada assim que a rebelião começou e permaneceu do lado de fora da penitenciária até a situação ser controlada para evitar possíveis transtornos como invasão ou evasão da instituição. Segundo o prefeito da cidade, Marco Antônio Martins Bastos, provavelmente medidas educativas internas serão tomadas, porém, medidas de segurança da parte do poder público municipal não foram necessárias, já que o fato foi isolado e não houve danos ao patrimônio público, nem vítimas.