Geral

Grupo vai de Bauru ao Chile com moto

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Quatro amigos, quatro motocicletas potentes e um sonho: viajar de Bauru até o deserto do Atacama, no Chile. Assim começa a história dos médicos Marco Busch, Celso Felício de Carvalho e dos engenheiros Marcos de Alencar Ribeiro e José Mário Monteiro Benjamin, que passaram nove inesquecíveis dias sobre duas rodas, de 11 de fevereiro até o dia 19 do mesmo mês, e rodaram cerca de seis mil quilômetros.

“Tinha o sonho de chegar de moto até o deserto do Atacama há muitos anos. Em meados de outubro, recebi um convite de uma agência de São Paulo e, em uma consulta com Marco, foi nascendo a ideia de formar um grupo bauruense para dividir essa aventura conosco. No início, iríamos em oito pessoas, porém, acabamos indo apenas em quatro amigos”, conta Celso. Aventureiros de primeira viagem, sim, mas nada de despreparo. Antes de tudo, eles se organizaram durante 40 dias. “Levantamos distâncias, vimos mapas e as dificuldades que poderíamos enfrentar. Quando nos sentimos preparados, partimos rumo ao sonho e à aventura”, completa.

Você sente o calor do verão bauruense? Imagine os motociclistas que enfrentaram grandes variações de temperaturas do deserto, de 40 graus durante o dia, para apenas 3 graus à noite. “Cruzamos o Inferno de los Pampas, uma região plana de muito sol e calor. Foi uma coisa quase insuportável. Precisamos de determinação, muita hidratação e refeições leves com castanhas, bananinhas e sanduíches rápidos, não almoçamos um dia sequer”, lembra Celso.

Cruzar o deserto não é nada fácil, ainda mais sobre duas rodas. Dificuldades respiratórias, dor de cabeça, sono e fraqueza foram as pedras mais evidentes. “Porém, a viagem foi surpreendente e fantástica...Acho que o maior desafio foi o frio da noite do deserto. Tiramos muitas fotos durante o dia e tivemos que passar a noite no Atacama. Mas ninguém se incomodou muito com o frio, porque queríamos aliviar o calor que passamos durante o dia...Todo o sacrifício fortaleceu nossa amizade”, acredita José Mário.

Lindas paisagens, estradas cortadas por riachos, montanhas, povo acolhedor e um céu de não parar de olhar. Descrevendo as maravilhas do percurso, os olhos dos quatro homens brilham como os de meninos que realizam um sonho. “O deserto de sal foi uma atração à parte. Uma imensidão branca e quente que mal permite abrir os olhos”, diz Marcos. E São Pedro do Atacama: “Uma cidade simples, mística e que atrai pessoas do mundo inteiro”, revela o engenheiro.

Já para o oftalmologista Marco Busch, um dos desafios era dividir a atenção dos olhos entre as paisagens e os perigos do caminho. “Entre Salta e São Pedro do Atacama, a estrada, apesar de sinuosa, é muito bonita... Os olhos são obrigados a admirar toda a beleza do lugar, de tão intensa. Por outro lado, você precisa prestar atenção na moto e nas curvas muito fechadas e cheias de pedrinhas”, pontua. “O vento inclinava as motos e o capacete parecia rodar na cabeça. Mas faríamos tudo outra vez, certamente”, observa Celso.

____________________

Pelos caminhos

Na bagagem dos motociclistas estão as muitas histórias colecionadas ao longo do caminho. Entre elas, Marco lembra que precisavam de gasolina e conseguiram a informação de que havia um posto em um povoado. Porém, não era um estabelecimento comercial e sim uma casa muito simples onde os moradores guardavam o combustível em galões. “A hospitalidade daquele povo é incrível. São extremamente acolhedores. Quando chegamos, eles já foram colocando uma toalha em uma mesa embaixo de uma árvore com sombra, aquilo era melhor do que qualquer ar-condicionado. Foi um encontro muito legal e uma experiência muito boa”.

Outra passagem, nem tão agradável assim, aconteceu em uma das paradas dos amigos para admirar e tirar fotos dos animais locais, como o cisne rosa e a lhama. Entre os bichos apareceu um lobo e, claro, resolveram tirar fotos dele também. Porém, o que os amigos não contavam é que eles próprios eram a caça do animal que, ao perceber que as motos pararam, foi em direção aos motociclistas. “O lobo deve ter pensado: Oba, minha caça parou...Fomos embora rapidinho”, diz Marco em tom de piada.

Comentários

Comentários