Bairros

Cobra come passarinho e fica presa em gaiola

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O que parecia uma presa fácil tornou-se armadilha para uma cobra encontrada ontem numa casa situado na quadra 9 da rua Coronel Alves Seabra, na Vila Seabra, em Bauru. Ela entrou na gaiola de um canário, se fartou com ele e, gorda, não conseguiu mais sair. Quando o proprietário da ave foi alimentá-la, surpreendeu o réptil e o matou com uma barra de ferro. A história nem de longe representa a preocupação da vizinhança com a constante presença dos répteis.

Há aproximadamente três semanas, a mãe da dona de casa Josiane Regina Vênâncio encontrou outra cobra em meio às roupas que estavam sobre a cama do neto de 10 anos. “Ficamos desesperados. Meu filho, normalmente, chega da escola e pula na cama. Se minha mãe não tivesse entrado por acaso no quarto, nem sei o que teria acontecido”, comenta. No ano passado, quatro pessoas foram picadas por cobra na área urbana de Bauru. Outras 12 na zona rural.

Para não participar da lista, a casa de Josiane está sempre fechada, apesar do calor. A situação é a mesma na residência da vizinha, a aposentada Maria Caetano Montalvão. Foi o marido dela quem encontrou a cobra na gaiola de um de seus passarinhos. No imóvel de deles também começaram a aparecer aranhas grandes. Os moradores acreditam que os animais venham de terrenos baldios abandonados, situados nas imediações das casas. Informaram ter procurado a administração municipal para pedir providências, mas não foram atendidos.

A rua onde as famílias vivem também fica a poucas quadras das obras da avenida Nações Norte, situação que pode ajudar na ‘exportação’ das cobras. Normalmente, elas aparecem porque o homem invade o habitat delas, ressalta o biólogo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Roberto Marono. De acordo com ele, os répteis estão em busca de alimentos. Em muitos casos, não são agressivos ou peçonhentos. Mas a população deve considerá-los perigosos e acionar especialistas para removê-los.

Ataque

O Corpo de Bombeiros e órgãos ambientais atendem de uma a duas ocorrências dessa natureza por semana, conforme o JC apurou. Normalmente, as cobras capturadas são soltas em áreas como o Jardim Botânico ou a Quirilândia, onde existem condições favoráveis à vida e ao desenvolvimento delas sem risco à sociedade. Caso alguém se depare com uma delas, o ideal é passar longe ou evitar movimentos bruscos para não assustá-las e, assim, dificultar um eventual ataque.

Se o pior acontecer, a vítima deve ser rapidamente conduzida ao Pronto-Socorro Central para receber a dose do soro antiofídico, antídoto contra o veneno do animal em questão. Antigamente, era possível identificar uma cobra venenosa pelo corpo. Se fosse grosso com cauda fina, a preocupação deveria ser redobrada. No entanto, Marono informa que essa classificação não é mais válida. A dentição é que apontará o quanto peçonhento é o réptil, informa.

Por conta da vegetação de cerrado, a cobra venenosa mais comum em Bauru seria a cascavel. Mas também são encontradas no município a jararaca, jiboia, sucuri e coral. A última tem características semelhantes com a encontrada na casa da Vila Seabra.

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