Economia & Negócios

Policiais civis estão a um passo de greve

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Os delegados da Polícia Civil estão a um passo de entrar em greve, assim como os professores que estão paralisados desde o último dia 8. Para tentar forçar a abertura de negociação com o governo do Estado, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo anunciou que hoje, a partir do meio-dia, a categoria começará a trabalhar em Operação Padrão, sistema pelo qual cada funcionário executa estritamente as funções de seu cargo.

Como é comum o delegado e demais funcionários realizarem, além de suas obrigações, também tarefas de outras funções, a Operação Padrão poderá provocar lentidão nos serviços prestados nas delegacias. Os delegados reivindicam reestruturação das carreiras policiais.

A presidente da Associação dos Delegados de Polícia, delegada Marilda Pansonato Pinheiro, frisa que o prazo que a categoria concedeu ao governador para que o projeto de reestruturação da Polícia Civil fosse aprovado se esgotou no último sábado, dia 20. “Vamos iniciar a Operação Padrão e dar um pouco mais de tempo ao governo, que reclamou que o prazo era exíguo”, explica. Mas ela pondera que houve um pequeno avanço na reivindicação. “Terminei de sair agora da Assembleia Legislativa e apurei que o projeto de reestruturação da Polícia Civil não está mais parado. Agora está na Secretaria de Gestão. Mas como já havíamos aprovado na assembleia geral extraordinária, vamos iniciar uma Operação Padrão. Os detalhes vamos divulgar amanhã (hoje)”, disse.

Marilda, que até ser eleita presidente da associação, no ano passado, atuava em Bauru, frisa que a Operação Padrão será realizada dentro da lei. “Apesar de estarmos a um passo da greve, não vamos parar agora, até para mostrar ao governo que não somos intransigentes. Os profissionais de todas as carreiras estão convocados a participar”, completa.

O projeto de reestruturação da Polícia Civil prevê a redução de 14 para 7 as carreiras policiais; aperfeiçoamento dos critérios de ingresso e promoção nas carreiras para estimular prestação de serviço público qualificado; criação de plano de carreira com critérios justos e objetivos, motivando a fixação do policial civil em sua região; criação de jornada de trabalho adequada aos limites necessários para o bom atendimento ao cidadão na unidade policial e possibilidade de contratação anual de policiais civis com menos burocracia.

Após mais de dez anos de estudos e negociações com o governo e representantes de todas as carreiras policiais civis, em conjunto com a Delegacia Geral, foi elaborado um projeto de reestruturação, que motivou em 2008 a greve mais longa da história da Polícia Civil do Estado de São Paulo - foram 59 dias. “Como na época o projeto não foi aprovado e as promessas do governo para os anos de 2009 e 2010 não foram cumpridas, a categoria se vê novamente obrigada a pressionar o governo”, diz a associação em seu site.

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Professores estaduais tentam engrossar paralisação para forçar uma negociação

Os professores das escolas estaduais entraram na terceira semana de greve. Com adesão parcial – ontem em Bauru a estimativa da Apeoesp era que cerca de 45% dos profissionais estavam paralisados – , a categoria tenta engrossar o movimento nesta semana para forçar o governador José Serra a negociar antes que ele deixe o governo para concorrer as eleições, o que deve ocorrer no dia 2 de abril.

Ontem à tarde cerca de 180 professores de Bauru e região participaram de mais uma assembleia na Praça Rui Barbosa. “Vamos continuar visitando as escolas para convidar os professores a aderir à greve. Essa semana é muito importante para o movimento porque vai haver a desincompatibilização do governador e acreditamos que ele não queira deixar o governo sem resolver essa questão dos professores”, explica Suzi da Silva, coordenadora estadual da Apeoesp.

Após a concentração, os professores seguiram para a Câmara Municipal para acompanhar a votação da moção de aplauso à mobilização da categoria. Porém, a matéria foi sobrestada por uma sessão. A categoria reivindica reajuste salarial de 34%, contratação dos professores temporários por tempo de serviço e não pela nota da prova, entre outros itens. “O único avanço é que amanhã (hoje) às 14h teremos uma audiência pública na Assembleia Legislativa para tentar uma negociação”, frisa Suzi.

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Saúde também ameaça parar

Trabalhadores públicos da saúde também ameaçam entrar em greve. A data-base da categoria é 1 de março e até agora não houve avanço na negociação entre o Sindicado dos Trabalhadores Públicos da Saúde (Sindsaúde) e o governo estadual.

Em protesto, em várias cidades do Estado a categoria iniciou ontem uma paralisação de 48 horas, que deve terminar hoje. Em Bauru, de acordo com o Sindsaúde, não havia notícias de adesão. Os trabalhadores reivindicam 40% de aumento para reposição de perdas salariais, projeto de reestruturação da carreira da saúde, aumento do vale-refeição dos atuais R$ 4,00 (desde 2000) para R$ 14,00, jornada de 30 horas para todos os trabalhadores da saúde, implementação das diretrizes do SUS em São Paulo e fim das Organizações Sociais de Saúde (OSS), entre outros itens.

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