Internacional

Hillary Clinton reitera críticas a Israel

Folhapress
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Washington - Horas antes de se encontrar com o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, em Washington, para discutir a recente tensão entre os dois países, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou em discurso ao mais importante grupo lobista judaico dos EUA que o status quo no Oriente Médio é insustentável e que ações do governo israelense minam a credibilidade da Casa Branca e sua capacidade de auxiliar nas negociações de paz.

Ao falar ontem a cerca de 7.500 pessoas na conferência anual de políticas do grupo Aipac (Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel), Hillary reiterou várias vezes o “elo sólido” entre os dois países e o compromisso americano com a segurança de Israel. Mas deixou claro que os EUA não se moveram da posição de condenação à forma e à substância do anúncio do governo israelense, há 11 dias, sobre a construção de 1.600 casas em Jerusalém Oriental (reivindicada por palestinos como futura capital).

O anúncio, que a chanceler classificou de “insultante”, foi feito durante visita do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel e foi o estopim do que já foi chamado até de crise entre os dois governos.

“Não é uma questão de orgulho ferido. Novas construções em Jerusalém Oriental ou na Cisjordânia minam a confiança mútua (com os palestinos) (...), expõem diferenças entre Israel e os EUA que outros na região podem tentar explorar e prejudicam a habilidade única dos EUA de ter um papel no processo de paz”, afirmou.

Segundo a secretária, o crescimento populacional nos territórios palestinos, as implicações políticas do conflito árabe-israelense e a tecnologia militar a que inimigos do país tem acesso tornam a situação atual no Oriente Médio insustentável. “Ter esperança num futuro para Israel baseado no status quo é impossível hoje.”

Apesar dos recados, Hillary não sinalizou nenhum endurecimento da reação americana com Israel pela polêmica das construções, baseada até agora em pressão e numa oratória dura mas sem consequências práticas imediatas. Pelo contrário: afirmou crer que a questão se aproxima de uma resolução com as “ações específicas’’ que Netanyahu ofereceu aos EUA após o início do atrito.

Tais ações não devem incluir congelamento. Anteontem, antes de partir para Washington, Netanyahu afirmou que, “para nós, construir em Jerusalém é o mesmo que fazê-lo em Tel Aviv’’. O encontro entre o premiê e Hillary foi discreto e fechado à imprensa, como deverá ser também o de Netanyahu e Obama hoje. Antes disso, o premiê israelense deveria discursar em um jantar no Aipac.

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