Aos 45 anos de carreira, o flautista, compositor e cantor Danilo Caymmi faz um passeio por sua trajetória em show que apresenta, hoje à noite, em Bauru. Sucessos que o lançaram como compositor como “Andança” e “Casaco Marrom”, assim como as canções que o projetaram como cantor solo - caso de “O Bem e o Mal” -, além de sucessos do pai, Dorival, são a base do repertório do músico, que abre a série de shows “Era de Ouro”, promovida pelo Alameda Quality Center. A apresentação será no Beef Street, a partir das 21h.
Sambas, baladas e boa dose de romantismo pretendem marcar a passagem do cantor pela cidade, que será seguida de Os Cariocas (dia 30), Roberto Menescal & Wanda Sá (6 de abril), Quarteto CY (13 de abril) e Toquinho (20 de abril). “Será um show animado para as pessoas se divertirem e participarem. Apresento bastante sucessos e faço um apanhado da minha carreira, tocando as coisas mais significativas”, resume Danilo de sua casa no Rio de Janeiro, em entrevista ao JC Cultura.
Assim, além de sucessos do compositor, músicas de Tom Jobim - com quem Danilo tocou de 1984 até a morte do mestre, uma década depois -, canções de Dorival Caymmi como “Maracangalha” e de Dudu Falcão estão garantidas. Pode ser ainda que o músico inclua a novíssima “É o Brasil” e “Toada à Toa”, canção inédita feita em parceria com o pai e que integra o CD e DVD “Danilo Caymmi e Amigos”, seu mais recente trabalho.
“Eu gosto muito dessa música. Fiz com meu pai nos anos 1970 e terminei há pouco tempo com ele vivo ainda. Mas o repertório vai variar de acordo com o público. As vezes o roteiro muda de acordo com a cara das pessoas. Eu gosto do palco e o principal é passar uma coisa boa”, comenta o cantor, que tem entre os planos iniciar uma turnê de “Danilo Caymmi e Amigos” pelo Interior de São Paulo. “Tenho um público muito bacana em São Paulo e estou empenhado em talvez rodar as unidades do Sesc. Pretendo voltar a Bauru em um futuro próximo com a banda e o show do DVD”, adianta.
Lançado no ano passado, o álbum foi a maneira encontrada por Danilo para lidar com a morte do pai, seguida da morte de Stella Caymmi, sua mãe, apenas 11 dias depois, em agosto de 2008. “Foi importante fazê-lo, encontrei uma maneira de fazer o luto com música; dessa forma, foi mais fácil para mim”, comenta.
Paralelamente ao shows, Danilo dedica-se à composição das canções que devem integrar seu novo álbum.
“Estou compondo e pensando nas músicas que vou gravar. Vão ser seis inéditas minhas e seis de amigos. Há um tempo que sentia a necessidade de fazer um disco de estúdio mesmo”, finaliza.
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Trajetória
Nascido em uma das famílias mais musicais do Brasil (filho de Dorival e Stella, irmão de Dori e Nana), Danilo começou a aprender flauta e violão na adolescência. Nos anos 60 , ele começou a atuar como flautista e compositor, e obteve o terceiro lugar no Festival Internacional da Canção da TV Globo de 1968 com “Andança”, parceria com Edmundo Souto e Paulinho Tapajós.
No ano seguinte, emplacou “Casaco Marrom (Bye Bye, Ceci)”, parceria com Guarabira e Renato Correia, dos Golden Boys. Trabalhou com a família e com Edu Lobo, e, em 1973, lançou um disco com suas músicas. Nos anos 80, passou a integrar a banda de Tom Jobim e, no final da década, foi contratado pela TV Globo para compor trilhas para séries e minisséries da emissora. Nos anos 90, investiu mais na carreira de cantor, gravando cinco CDs.
Paralelamente, começou a compor músicas para a televisão como “O Que É o Amor”, grande sucesso interpretado por Selma Reis, na minissérie Riacho Doce, da TV Globo. Em seguida, gravou o disco “Nada a Perder”, música tema de Vera Fischer na novela “Pátria Minha”. Gravou ainda os discos “Sol Moreno”, “Mistura Brasileira”, “Eu Você Nós Dois” e seu mais recente disco “Trilhas”.
• Serviço
Show com Danilo Caymmi hoje, às 21h, no Beef Street do Alameda (rua Luiz Levorato, 1-55, altura do km 335 da Rondon, Bauru). Ainda há ingressos. Mais informações: (14) 3321-5000.