Como o Jornal da Cidade adiantou na edição de ontem, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo anunciou que a categoria está em greve, inicialmente realizando operação padrão, sistema pelo qual cada funcionário executa estritamente as funções de seu cargo. Como é comum o delegado e demais funcionários realizarem, além de suas obrigações, também tarefas de outras funções, a operação padrão poderá provocar lentidão nos serviços prestados nas delegacias.
A reportagem apurou que os delegados de Bauru estão aguardando a cartilha da greve, documento que orienta como proceder em relação a várias rotinas das delegacias, para aderir ao movimento. Sem divulgar seus nomes, delegados informaram que o clima é de greve uma vez que o governo estadual não recebeu a categoria para conversar sobre a reivindicação, que é a reestruturação da Polícia Civil.
“Não estamos reivindicando reajuste salarial. Estamos reivindicando uma reformulação na polícia de maneira que as condições de trabalho melhorem, assim como o serviço prestado à população”, disse um delegado. Em 2008, quando os policiais civis do Estado de São Paulo fizeram a maior greve da história da corporação, de 59 dias, o governo prometeu fazer a reestruturação da Polícia Civil.
A proposta de reestruturação foi entregue pela categoria ao governo, que até ontem à tarde não tinha acenado com a possibilidade de aprová-la. O projeto de reestruturação da Polícia Civil prevê a redução de 14 para 7 as carreiras policiais; aperfeiçoamento dos critérios de ingresso e promoção nas carreiras para estimular prestação de serviço público qualificado; criação de plano de carreira com critérios e objetivos, motivando a fixação do policial civil em sua região; criação de jornada de trabalho adequada aos limites necessários para o bom atendimento ao cidadão e possibilidade de contratação anual de policiais civis com menos burocracia.
A presidente da Associação dos Delegados, Marilda Pinheiro, disse que ontem a entidade começou a distribuir a cartilha da greve. Uma das orientações da cartilha da associação é atender “atenciosamente’’ todas as pessoas que procurarem as delegacias para registrar ocorrências e elaborar todos os documentos necessários, mesmo que isso forme fila na unidade. Neste caso, os policiais devem explicar às pessoas que a culpa pela espera não é do funcionário, mas da falta de investimento e de estrutura da polícia.
A cartilha ainda revela situações irregulares que ocorrem nas delegacias, como registrar boletim de ocorrência sem a presença de um delegado, trabalhar com computador levado de casa e usar carro sem todos os equipamentos de segurança. Todas essas ações terão de ser evitadas, segundo a cartilha.