Geral

Comendador Martha: obra paralisada

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Se Bauru acumula um histórico de obras inacabadas – como o viaduto sobre os trilhos da ferrovia, no Centro, e a Estação de Tratamento de Esgoto – mais um empreendimento paralisado se apresenta como um forte candidato a entrar na lista. Interrompida desde a conclusão da segunda etapa de duplicação, em meados de janeiro, a avenida Comendador José da Silva Martha se tornou um risco para motoristas e pedestres nas imediações da passagem da linha férrea.

O segundo trecho duplicado da avenida corresponde a cerca de 250 metros, ou três quarteirões, e demorou três meses para ser concluído. De acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho, foram as fortes chuvas do final do ano que impediram o andamento das obras dentro do ritmo esperado.

“A demanda por serviços de manutenção de ruas de terra foi muito grande. Como o número de máquinas era insuficiente para tocar os dois serviços, não justificava mantê-las na avenida com os moradores sequer conseguindo entrar em suas casas. Tivemos que priorizar o atendimento”, justifica.

Os temporais chegaram, de fato, a atrasar a continuidade do serviço não apenas pelo deslocamento da equipe da Secretaria Municipal de Obras para outras regiões, mas também pela própria impossibilidade de asfaltar a Comendador debaixo de tanta água. Com o tempo mais seco, a pavimentação entre as quadras 18 e 20 foi concluída, mas ainda resta a construção de uma rotatória para organizar efetivamente o tráfego de veículos.

O prefeito, no entanto, argumenta que ainda não há como retomar a obra até que novas máquinas – já adquiridas e alugadas – estejam disponíveis para uso. “Quando elas chegarem, pretendemos reiniciar esse trabalho, ainda neste mês e concluir a rotatória no primeiro semestre. A terceira etapa, que compreende a pista que vai da linha férrea até o Recinto Mello de Moraes, ainda depende de licitação”, detalha. Nesta última fase, serão implantados mil metros de pista, com recursos da União, através do Ministério do Turismo, por meio de emenda parlamentar, no valor de R$ 300 mil.

Mas, enquanto os novos equipamentos não chegam, os motoristas de Bauru precisam exercitar a paciência e ter atenção redobrada com o trânsito no trecho. Com a utilização de recursos improvisados para disciplinar o fluxo de veículos, o tráfego no local se tornou caótico e, embora alguns apressadinhos insistam em não obedecer as placas de sinalização existentes, de maneira geral é a precaução dos condutores a responsável por evitar uma explosão no número de acidentes.

Dinâmica confusa

A dinâmica do trânsito na Comendador Martha próximo à passagem da linha férrea, no cruzamento com a avenida José Vicente Aiello, funciona de forma confusa e lembra – ainda que remotamente - o caos do tráfego indiano. Como uma extensão de pouco mais de 50 metros da pista no sentido Centro-bairro - onde deverá ser construída uma rotatória - ficou sem asfalto, o tráfego foi forçado para um desvio de mão dupla improvisado e precariamente sinalizado.

Para se ter uma ideia, é apenas um tubo de concreto pintado de amarelo e preto que faz as vezes da rotatória que um dia será construída no local. Com o improviso, nas imediações da linha férrea, quem trafega no sentido bairro-Centro tem de, obrigatoriamente, parar e dar preferência de passagem aos carros que vêm da avenida José Vicente Aiello para ingressar na Comendador. No entanto, esses mesmos veículos, depois que entram na via, precisam dar preferência para quem segue no sentido Centro-bairro, provocando um verdadeiro “nó” no trânsito.

“Eles precisam esperar no meio da Comendador e quem está indo para o Centro acaba ficando sem ter como passar. É um caos. A gente até percebe que os motoristas passam devagar, mas já vi acidente com moto, moço caído no chão. Acontece”, conta a copeira Maria Cícera Rodrigues de Oliveira, 46 anos. A situação dos pedestres, aliás, é um capítulo à parte.

Maria Cícera, assim como outras pessoas que precisam caminhar naquele ponto da Comendador, sentem-se completamente exposta ao risco de atropelamento, já que não há calçadas por onde ela possa transitar em segurança. “Indo para casa depois do trabalho, eu desço (no sentido Centro-bairro) com medo de morrer. Vem carro de todo lado e a gente tem de vir andando pela beirada da pista. Com o mato alto, o carro que vem da José Aiello não enxerga se tem gente andando na rua. É um perigo constante”, afirma.

Outra irregularidade detectada pela reportagem é o uso constante de uma área de terra pelos motoristas que transitam no sentido bairro-Centro da Comendador e querem encurtar o caminho para ingressar na avenida José Vicente Aiello, sentido Residencial Tívoli. Em vez de seguir pela rua asfaltada, a maioria deles entra neste espaço, cuja entrada proibida está devidamente sinalizada com obstáculos de concreto fixados ao solo e por onde transitam dezenas de pedestres.

____________________

Copaíba não resiste

Transplantada no final de outubro do ano passado, a copaíba que ficava no trecho de duplicação da avenida Comendador José da Silva Martha e foi replantada em um terreno próximo parece não ter resistido. Passados quase cinco meses da operação que empenhou mais de 20 funcionários e máquinas das secretarias municipais do Meio Ambiente, Obras e Departamento de Água e Esgoto (DAE), a árvore já não dá sinais de vida: está com os galhos secos e sem nenhum vestígio de folhas novas.

Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, as chances de que ela sobrevivesse eram mesmo pequenas, já que se trata de uma espécie do cerrado que possui raízes bastante profundas. “Quando ela é transplantada, acaba perdendo muita água. A gente tentou mas, infelizmente, não deu certo”, lamenta.

Comentários

Comentários