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A arquitetura bauruense

Zarcillo Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Cada vez que o bauruense retorna à cidade pelo trevo da Avenida Nações Unidas sente um indisfarçável orgulho da imagem de metrópole que toma conta do horizonte. Temos o privilégio de uma entrada por uma avenida de fundo de vale projetada e construída pelo talento de Jurandyr Bueno Filho. Desde a rodovia o perfil dos edifícios destaca-se contra o céu azul e o verde dos canteiros. São de vários autores, a partir do saudoso Fernando Pinho, um português-bauruense de talento que começou tudo, lá na ponta, com o Edifício Bauru-Portugal, na esquina da av. Rodrigues Alves. Até hoje é moderno. Temos outros arquitetos jovens de enorme criatividade. Hoje gostaria de ressaltar o conjunto da obra do arquiteto Riad Elia Said que justamente elegeu a área da Nações, o vale pioneiro, para inspirar os seus projetos. Desde a Rondon o visitante vê o edifício com a fachada em forma de Portal, idéia feliz de Riad para dar boas-vindas aos forasteiros.

Ele e seu irmão Edmond fundaram a Residec, uma construtora e incorporadora de sucesso, a partir dos prédios que começaram a levantar ao em Bauru, mas com uma experiência adquirida em São Paulo. São dois libaneses que elegeram Bauru para viver, trabalhar e educar os filhos. Do muito que receberam procuram até hoje retribuir em dobro. São mais de 1 milhão de metros quadrados de projetos e construções. Hoje a Residec inaugura o complexo Arte Brasil Residencial. São duas torres de 25 andares cada, maravilhas da estética e da tecnologia que enriquecem ainda mais a nossa paisagem urbana. Eles se sentem orgulhosos deste que é o maior empreendimento mobiliário da região, com cerca de 50 mil metros quadrados. Nós, bauruenses, temos orgulho não só das obras como também de ter a família Said como conterrânea.

Riad estava inspirado quando escolheu os nomes de Anita Malffati e de Tarsila do Amaral para batizar suas obras. São duas artistas que protagonizaram a Semana de Artes de 1922, marco renovador da nossa estética. Deixamos de ser dominados culturalmente pela Europa, mas não fomos soberbos para jogar pela janela toda a técnica e criatividade de quem sabe mais que a gente. Incorporamos a cultura européia às nossas raízes. Fizemos um amálgama do que eles sabiam com a nossa esperteza macunaímica. Começou assim a cultura antropofágica, cheia de exemplo dos outros, mas com as nossas características. Niemeyer teve muito de Le Corbusier, mas inventou novos caminhos nas suas curvas harmoniosas. O nosso arquiteto Riad Said veio de uma cultura milenar. Aqui chegando a primeira coisa que fez foi estudar a estética brasileira na Universidade de São Paulo, em regime de pós-graduação.

Em vez da monumentalidade em seus projetos elegeu a funcionalidade que privilegia a qualidade de vida de quem vai morar na unidades que projeta. Em Frank Lloyd Wright foi buscar o belo integrado à paisagem, aliado ao conforto da “arquitetura orgânica”. Desse cadinho brotaram os projetos com a sua marca e centenas de clientes com alto grau de satisfação. Ambos os irmãos, Riad e Edmond são muitos discretos. Nunca pediram e nem precisam de homenagens. O que podemos dar a eles é reconhecimento. Aliás, isto nem seria uma opção. É uma obrigação de Bauru.

O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista e colaborador do JC

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