Reunidos na mostra “Do Cosmos ao Eixo”, trabalhos feitos por Silvio Dworecki a partir dos anos 90 até hoje pretendem exibir a trajetória do artista, que completa, neste ano, 45 de exposições. Aberta hoje, às 20h, no Atelier Sueli Dabus, a mostra apresenta 19 telas e sete gravuras, que seguem em exibição até o próximo dia 10. Na ocasião, Dworecki lança ainda o livro “Camadas de Tempo”, que traz uma leitura crítica de sua produção por Agnaldo Farias, curador da seção brasileira da 25.ª Bienal de São Paulo.
O título da exposição joga luz sobre dois dos temas presentes no trabalho do artista há, pelo menos, duas décadas. “A intenção é que os visitantes tenham uma visão de todo meu percurso. Você encontra um trabalho feito nos anos 90 que é um cosmos. Depois desse cosmos, que também aparece na gravura, vai surgindo o eixo, que representa a presença do homem organizando a natureza; porque o homem só começa a interferir na natureza quando ele adquire a posição vertical. Essas são questões que me acompanham há tempos”, explica o artista, também professor da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador dos temas espaço, pensamento e arquitetura.
Apesar de investir na temática, Dworecki afirma que cada produção tem a sua peculiaridade. “O meu trabalho tem a característica de não parecer um com o outro. Quem olhar com cuidado vai ver que sou eu ali, mas o desafio do artista é se reinventar em cada trabalho. Cada quadro é uma maneira de renascer, reviver e de você se ver de outra maneira e também permitir que o outro te veja de outra maneira”, comenta.
Dentre as mudanças que ocorreram em sua arte ao longo desses anos, o artista destaca, justamente, àquela que refere-se a sua relação com o público. “Eu acho que a minha pintura está mais limpa, no sentido de ter menos elementos e conversar mais diretamente com as pessoas que vão apreciar o trabalho. Agora, converso sem rodeios”, avalia.
Em relação à técnica, Dworecki passou da pintura a óleo - feita até por volta de 1986 - aos trabalhos feitos com cinzas de madeira queimada e pigmentos até as monotipias feitas sobre papel vegetal colorido, de 2008. “Você queima a madeira, obtém a cinza e essas cinzas são depositadas sobre a tela e o trabalho é refeito não mais com o pincel, mas com peneira; não mais com solvente, mas com resina”, explica sobre um dos seus métodos.
Uma das telas do artista será doada ao acervo da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), da Unesp. Durante dois dias, Dworecki ministrou o curso “Desibnição do Traço” aos alunos de design, arquitetura e artes da universidade. O tema foi baseado em seu livro “Em Busca do Traço Perdido”.
• Serviço
Abertura da exposição “Do Cosmos Ao Eixo”, de Silvio Dworecki, hoje, às 20h, no Atelier Sueli Dabus (rua Luso Brasileira, 4-44, loja 10, Jardim Estoril). Informações: (14) 3204-5200.