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Arrastão na zona sul

Marco Labão
| Tempo de leitura: 3 min

Infelizmente, para muitos essas manchetes não causam mais surpresa, para mim, inclusive. Por estar estabelecido entre as avenidas Getúlio Vargas e a N. Sra. de Fátima, acabei num “corredor” de ligação entre dois bairros de alta concentração de vagabundos, larápios, delinqüentes, meliantes e outros bichos, além das humildes famílias que não têm outra opção, isto acabou por me vitimar cinco vezes nos últimos seis meses. Num resumido relato, posso citar: em 22/09/09, depois de participar de uma audiência sobre a implantação de ciclofaixas em Bauru, tive o estabelecimento arrombado de onde o indivíduo levou uma bicicleta velha e quatro peças de carne. Segundo um amigo, “ele tinha fome!”. Quando sinto fome, trabalho! A ação foi filmada e registrada por nossas câmeras e o indivíduo facilmente identificado, mas não pode ser preso! Ele é “louco”, coitadinho, não bebe e só toma leite...

10/11/09, dia do “apagão”, o mesmo indivíduo arrombou novamente a loja, nada levando por ter se assustado com alarme – por isso ele deve ser louco, às vezes se assusta, as vezes não –, mas deixando mais uma vez um grande prejuízo e seu conhecido copo de leite dentro da loja!

10/12/09, outro indivíduo, filmado, fotografado, arrombou a loja, quebrando vidros e batentes e furtou objetos e moedas totalizando – segundo as cotações da “boca” – R$ 20,00 e deixando mais uma vez enorme prejuízo.

22/12/09, dia da famigerada “saidinha”. O ato mais covarde que o poder público nos enfia pela goela abaixo, referendado por muitos setores da sociedade e do Poder Judiciário, Legislativo e Executivo, três indivíduos aguardam que fechemos o caixa e a loja para só então invadirem e, sob ameaça armada, subtraírem o fruto de um dia inteiro de trabalho sob a alegação que precisam de dinheiro e querem levar computador e câmeras que os filmaram, não podem ser identificados, senão perdem os direitos... Por sorte, aparece uma pessoa e saem correndo, portanto, foram filmados e poderiam facilmente ser identificados.

22/3/10, depois de exatos três meses de “sossego” e passados exatos seis meses da primeira ocorrência, a loja foi novamente arrombada, por um pequeno vidro a quatro metros de altura, que só quem não tem outra coisa a fazer pode se interessar. O sujeito se cortou todo, deixou uma sujeira enorme e levou R$ 10,00 em moedas, além de uma câmera quebrada. Foi filmado, fotografado e também não deu a menor importância ao alarme, pois em três minutos entrou e saiu.

Participo do Conseg Centro Sul há dez anos, como membro da diretoria há oito e incontáveis são as queixas que ouvimos nesse importante fórum de discussão sobre os problemas de segurança em Bauru, mas e daí? Daí que já não consigo memorizar as siglas, programas, planejamentos, ações, estratégias e discursos empombados de autoridades que rotineiramente vem a público com suas soluções, algumas simples, outras mirabolantes, mas que se observarmos nada resolvem, pois a criminalidade só faz se potencializar.

A verdade é a seguinte: s PM está completamente esfacelada, sem efetivo, tem várias viaturas, mas não tem nem quem as dirija; a Polícia Civil, além de um reduzido número de bons policiais, o que não favorece as investigações, está às voltas com seus direitos e movimentos de greve – não cabe aqui julgarmos seus justos direitos, o poder público não tem verba para nada, toda a máquina que deveria nos proteger está cada vez mais contaminada pela corrupção, ninguém mais precisa trabalhar, é só esperar abrirem as inscrições para um “bolsa-qualquer-coisa”... E nós, cidadãos que tínhamos o desejo de prosperar, propiciar emprego, participar de uma sociedade coesa e saudável para nossas famílias e semelhantes? Até quando vamos ter a terrível sensação de que nossos esforços são em vão? Acredito que estamos numa fase em que se esgotaram as propostas e idéias, o que precisamos é AÇÃO!

O autor, Marco Labão, é colaborador de Opinião

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