Polícia

Comerciante que morou em Bauru assiste parte do julgamento dos Nardoni

Da Redação
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Ainda revoltado, o comerciante Hélio Ferreira da Silva, que morou em Bauru, pai de Ludmila Ferreria da Silva, que foi assassinada há quase dez anos na estrada vicinal que liga Bauru a Piratininga, ontem assistiu por quatro horas ao júri de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

Na fila, do lado de fora do Fórum de Santana, Silva, que morou com a família em Bauru por quase quatro anos e atualmente reside em Praia Grande (litoral de São Paulo), manifestou a profunda tristeza que sente pela morte de sua filha de, na época, 17 anos, e aproveitou para expor seu ponto de vista, de que o Brasil deveria adotar a pena de morte para alguns crimes.

Ludmila foi morta, em maio de 2000, com cinco tiros desferidos pelo ex-namorado, Jeter Freitas. Posteriormente, ele confessou o crime e argumentou que matou a adolescente porque ela o traía. Na época, o crime causou comoção e Silva fez campanha pela pena de prisão perpétua em caso do assassinato, colheu assinaturas e, levou propostas neste sentido ao Congresso Nacional.

Freitas foi condenado pelo homicídio e cumpriu pena de pouco mais de seis anos, mas já está em liberdade. Ele teve a pena atenuada por ter confessado o crime e pelo bom comportamento durante a prisão.

Silva comparou a morte da menina Isabella à da sua filha e por isso resolveu assistir ao julgamento. Ele chegou ao Fórum de Santana, em São Paulo por volta das 10h de ontem, mas como havia muitos interessados em assistir à sessão, entrou na fila e conseguiu a senha número 17.

As senhas, segundo ele, iam até o número 76 e as pessoas eram chamadas aos poucos para tomar seus lugares. Ele entrou na sala do julgamento por volta das 13h e saiu às 17h pois estava com muita dor no pé e, em entrevista ao JC, contou alguns detalhes.

“O casal Nardoni não chorou em nenhum momento. Eles estavam querendo fazer cara de coitados”, opina Silva. Ele ainda completa dizendo que o promotor Francisco Cembranelli perguntava a Alexandre Nardoni: “Cade as suas lágrimas?”. Ferreira contou também que as testemunhas da acusação afirmaram que ele era um pai ausente e o promotor perguntou novamente: “Qual era o nome da professora da Isabella? Em qual dentista ela ia?”, e relata que Alexandre permaneceu calado.

O comerciante se acidentou e quebrou o pé na última quarta-feira, mas mesmo assim compareceu ao Fórum. “Eu quebrei o pé na quarta-feira, mas mesmo assim eu fui para ver as caras dos acusados e a forma com que eles estão sendo julgados”, relata.

Silva disse que se deparou, na fila do lado de fora do Fórum, com outros pais que perderam seus filhos assassinados e aproveitou para compartilhar experiências. “Eu quero que as pessoas fiquem atentas e cobrem mais atitudes da Justiça”, opina.

“É fácil matar sabendo que a pena nunca vai ser cumprida em sua totalidade. Isso acaba servindo de mal exemplo para esses assassinos, pois eles sabem que nunca vão cumprir uma pena justa que os faça sofrer o suficiente pelo que fizeram”, opina, emocionado.

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