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Defesa e acusação se confrontam no último dia de julgamento

Folhapress
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São Paulo - O confronto entre a defesa e a acusação revelou as cartas guardadas para o último dia de julgamento do casal Nardoni. A tensão do último dia do júri levou a ré Anna Carolina Jatobá a passar mal e chorar. O promotor Francisco José Taddei Cembranelli chamou os réus de mentirosos e o advogado Roberto Podval comparou o caso ao da menina Madeleine, a garota inglesa desaparecida em Portugal em 2007. O julgamento deveria terminar na madrugada hoje, por volta de 1h.

O quinto dia do julgamento dos acusados de matar Isabella, em 29 de março de 2008, começou com o promotor dizendo que “os olhos do Brasil estavam voltados para o plenário”. Cembranelli usou pela primeira vez no júri a cronologia dos últimos 12 minutos e 58 segundos da vida de Isabella. A reconstituição colocava os réus diretamente na cena do crime. “Eles estavam lá quando a menina de 5 anos foi defenestrada”, afirmou.

Alternou ironias, emoção e indignação. Apontou para os réus para acusá-los de mentir deslavadamente. Fincou o pé nos resultados das perícias criminais para incriminar os acusados. Bateu boca com Roberto Podval, que lhe perguntava onde estavam as provas que sustentavam a acusação.

No plenário com 77 lugares, o júri era acompanhado por familiares de Ana Carolina de Oliveira, a mãe de Isabella, e seus amigos, como a autora de novelas Glória Perez. Perto deles, familiares dos réus também acompanhavam os debates. Cembranelli lembrava que o crime fora praticado com meio cruel, sem que Isabella tivesse como se defender, e afirmava que a menina fora atirada pela janela para encobrir a asfixia.

Já o advogado de defesa, Roberto Podval, tentou desconstruir a imagem de agressiva que a acusação imputou a Jatobá, dizendo que ela era uma boa mãe e que tinha uma boa relação com Isabella. Ele insistiu em lembrar que não existe prova testemunhal e nem autoral do crime. “Vocês não podem condená-los por presunção”, disse ao júri.

O promotor afirmou aos jurados que Alexandre e Jatobá estavam no apartamento no momento em que Isabella foi jogada da janela. De acordo com ele, pelo tempo descrito pelos próprios acusados, não seria possível que uma terceira pessoa tivesse entrado no apartamento e matado a menina.

Durante a exposição, o promotor estava agitado e alterou o tom de voz diversas vezes.

O advogado de defesa terminou sua fala no debate com uma frase de Chico Xavier. “Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas todos nós podemos fazer um novo final’’, citou.

Ele voltou a relatar falhas na perícia. Em abril de 2009, depois de assumir o caso, narrou Podval, ele resolveu ir até a perícia técnica para ver os objetos que haviam sido apreendidos na noite do crime. Disse que havia um fio de cabelo nos pedaços de tela retirados da janela. “Por que esse fio de cabelo não foi examinado?”.

O caso Madeleine - menina inglesa que desapareceu no Sul de Portugal do quarto dos pais que haviam saído para jantar- também foi usado na peça de defesa. “A sociedade inglesa não se comportou da mesma forma”. Os pais da garota, apesar de suspeitos, estão soltos.

Às lágrimas

Anna Carolina Jatobá saiu da sala aos prantos, 15 minutos antes do fim da defesa terminar sua fala durante o debate. Nesse momento, o advogado Roberto Podval descrevia o penúltimo dia de vida de Isabella, quando a acusada começou a chorar. Podval dizia: “Ela recebeu uma ligação da Carol, mãe da menina. A garota estava querendo ir brincar na casa dela”. Jatobá se mostrou emocionada quando o advogado passou a falar da tarde das duas, que brincaram na piscina. No final de sua fala, no debate, Podval também estava chorando. Membros de sua equipe também choraram.

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Público hostil leva PM a ampliar escolta

São Paulo - Diante da hostilidade do público em frente ao Fórum de Santana contra pessoas ligadas ao casal Nardoni, a Polícia Militar decidiu reforçar a segurança no local e escoltar todos os envolvidos no julgamento. Antes, apenas os réus, que estão presos, tinham escolta.

Anteontem, na saída do prédio, 40 pessoas cercaram o carro dos advogados de defesa Roberto Podval e Roselle Soglio.

Antes disso, enquanto Podval dava uma entrevista coletiva na entrada do fórum, a população do lado de fora o chamava de “assassino”, “mercenário” e “vagabundo”. Questionado sobre as manifestações, respondeu: “Tenho pena dessas pessoas que estão do lado de fora. Uma hora elas estarão batendo na porta de um advogado contra a violência do Estado”.

Ontem, a polícia acompanhou a saída dos defensores, dos réus, dos jurados e dos familiares da vítima e dos acusados para evitar agressões.

Em favor do casal

Os protestos em frente ao fórum se intensificaram no último dia do julgamento. Ontem, pela primeira vez, alguém do público fez manifestação favorável aos réus, dizendo que deveriam ser perdoados.

Vestindo terno escuro e camisa branca, um homem que se identificou como “pastor Adeilton” gritava com uma Bíblia em mãos: “E se eles forem inocentes? Se eles pedirem perdão, deverão ser perdoados”.

O público respondeu com xingamentos e, diante do empurra-empurra, um advogado chamou um policial para intervir na bagunça.

“Isso costuma acontecer quando tem protestos aqui. As pessoas não entendem que todos têm direito a defesa”, disse o advogado, que pediu para não ser identificado. “Desculpe, não vou te dar o meu nome, senão pode sobrar para mim. Você viu o que aconteceu com o Podval (advogado de defesa dos Nardoni)”, argumentou.

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