Política

Eleição na região pode virar plebiscito

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 4 min

O Interior paulista é onde PSDB e PT vão travar uma disputa acirrada na campanha eleitoral ao Palácio do Planalto. A eleição “plebiscitária” sonhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ocorrer na região de Bauru e no Interior do Estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do País.

Bauru, por exemplo, não é uma cidade administrada pelos tucanos, mas também não tem hegemonia do PT apesar de o partido ter conseguido eleger a vice-prefeita Estela Almagro (PT) e dois vereadores no último pleito.

Na região, os tucanos levam vantagem, pois elegeram na última eleição 17 prefeitos contra dois do PT. No Estado, o PT controla 61 prefeituras e o PSDB 201 cidades. O PV tem 23 prefeitos em todo o Estado e supera o PT. O PMDB elegeu 69 prefeitos, 21 a menos em relação à eleição municipal anterior.

O deputado federal Arlindo Chinaglia (PT) conta que já comentou em Brasília que a eleição presidencial deve ser decidida no maior colégio eleitoral do País.

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) contrapõe e diz que o eleitor paulista é bairrista e ajudará a eleição do candidato tucano.

Dados da Casa Civil, do governo Serra, apontam que de 2007 a 2010 o governo paulista investiu R$ 1,6 bilhão somando todas as verbas e convênios nos 39 municípios da região administrativa de Bauru.

A contraofensiva do governo federal foram recursos destinados em financiamentos em habitação e saneamento do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e Minha Casa, Minha Vida. Só para Bauru, há 950 unidades em construção.

A previsão é inaugurar parte delas até agosto deste ano, mês de aniversário da cidade. Oficialmente, no entanto, as construtoras têm 12 meses para entregar as moradias – a maior parte dos prazos vence no quarto trimestre de 2010. Todos os programas em andamento até agora somam R$ 65,960 milhões em investimentos. Outros R$ 218 milhões estão sob avaliação. Se aprovados, resultarão na construção de mais 3.307 casas.

Segundo a Superintendência Regional de Bauru da Caixa Econômica Federal (CEF), de 2007 a 2009 de 44 termos de compromisso foram firmados e liberados R$ 84,9 milhões em 27 cidades, entre elas Bauru.

O governador José Serra (PSDB), que já anunciou que será candidato a presidente, tem vindo com frequência a Bauru participar de inaugurações, enquanto Dilma ainda não veio.

Chinaglia diz que a estratégia do PT é a pré-candidata visitar todas as cidades polos paulistas, incluindo Bauru, principalmente por causa da ofensiva tucana.

Lula só venceu no Estado de São Paulo o PSDB na eleição presidencial de 2002, justamente contra Serra, o provável adversário de Dilma Rousseff na sucessão do Planalto. O petista terminou com 53% dos votos contra 44% no segundo turno.

Nos pleitos de 1998, 2002 e 2006 a vitória foi tucana. Até na reeleição de Lula, Alckmin foi o mais votado no Estado e em Bauru contra o petista (54% contra 36% dos votos nos 645 municípios).

Em Bauru, o PT não ultrapassou os 40% de votos em pleito majoritário, mas em 2006 Alckmin foi o mais votado na cidade com 101.805 votos contra 54.846 do petista.

O presidente do diretório estadual do PT, Edinho Silva, afirma que o partido busca mais de um palanque estadual em São Paulo para fortalecer e ajudar a campanha de Dilma no Estado. O PP seria uma das alternativas.

Silva reconhece que o PSDB é um partido forte em São Paulo por estar no poder no Palácio dos Bandeirantes há quatro mandatos. O fato de deter o poder facilita enraizar as lideranças, mas o petista também diz que os tucanos também já enfrentam um desgaste de ficar todo esse tempo no poder. “É propor um programa de governo consistente que pode fazer a diferença”, disse Silva.

Para Tobias, o partido está no poder há quatro mandatos porque o eleitor tem reconhecido a boa administração do PSDB no Palácio dos Bandeirantes. “Somos bem avaliados. Não é porque somos bonitões que o eleitor vota, mas pelo trabalho e seriedade na condução do governo do Estado. A Dilma Roussef nem sabe onde fica Bauru. O Serra sabe onde fica a Fatec e a avenida Nações Norte (obra que vem sendo construída em Bauru)”, alfineta o deputado tucano.

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Dificuldade paroquial

Os tucanos têm dificuldades de ganhar eleições municipais em Bauru, embora os quatro mandatos consecutivos no governo do Estado.

No último pleito municipal, Rodrigo Agostinho se elegeu prefeito de Bauru, mas se aliou aos petistas. A coligação possibilitou ter como cabo eleitoral gravações no horário eleitoral da propaganda gratuita no rádio e na TV com o presidente Lula para ajudar na campanha municipal, mas Rodrigo está em “cima do muro” no momento devido aos grandes aportes de recursos destinados pelo Palácio dos Bandeirantes, como os R$ 45 milhões na construção da avenida Nações Norte, reforma de prédio da Faculdade de Tecnologia (Fatec), instalação do Ambulatório Médico de Especialidades (AME). “Ainda não decidi, nem sei se o Serra é candidato”, respondeu Rodrigo há duas semanas.

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