O Palestra Itália recebeu ontem um de seus piores públicos da temporada. Decepcionada com o time, a torcida palmeirense resolveu fazer outros programas na tarde de sábado e não deve ter lamentado: deixou de assistir a mais uma apática atuação do time, no empate por 1 a 1 com o Mirassol, que ainda luta contra o rebaixamento. Antônio Carlos recebeu as primeiras vaias. Com o resultado, o Palmeiras chegou aos 24 pontos, quatro atrás de Portuguesa e Prudente - quarto e quinto colocados, respectivamente -, faltando apenas duas rodadas para o final da fase de classificação, fato que deixa a equipe próxima da eliminação.
No estádio, menos de quatro mil torcedores. Nem a torcida Mancha Alviverde, que costuma ir ao Palestra - para apoiar ou protestar - estendeu suas faixas nas arquibancadas. Mas nem por isso deixou de reclamar. Em frente ao estádio, fez vários protestos, principalmente contra o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo e o vice Gilberto Cipullo.
O clima tenso no clube se estende há meses e virou caso de polícia. Segundo reportagem do jornal Diário de S.Paulo, Belluzzo recebeu no início do mês quatro cartas contendo projéteis de revólver e ameaças de morte. O cartola não se pronunciou sobre o assunto. “Não acreditamos numa ameaça real, achamos que é uma forma de pressão”, disse Genaro Marino, diretor de futebol. “O Cipullo também recebeu algumas ameaças mais fortes.”
Alheio às confusões extra-campo, o time tentou se apegar no apoio dos poucos torcedores para não passar vergonha novamente em casa - sofreu derrotas nos dois últimos jogos no Palestra. Não fosse o pênalti marcado de Thiago em Cleiton Xavier logo no início, talvez o Palmeiras não tirasse o zero do placar. Aos seis minutos, Robert balançou as redes. Depois, a equipe não soube fazer mais nada.
Sem pretensões no Estadual, a atuação do time irritou a torcida. Quando o garoto Vinícius, de 16 anos, foi substituído no segundo tempo para a entrada do zagueiro Maurício Ramos, os primeiros gritos de “burro” a Antônio Carlos soaram no Palestra. No minuto seguinte, aos 26, Pablo Escobar aproveitou falha da zaga alviverde para empatar. E os xingamentos ao treinador ganharam intensidade.
Mais preocupado com o desafio de quarta-feira, quando enfrenta o Paysandu pela Copa do Brasil (vale vaga nas oitavas de final), e sofrendo com problemas de lesão e suspensão, Antônio Carlos colocou em campo um novo time.
Edinho ganhou vaga na zaga - Danilo foi poupado -, Ivo jogou no meio-campo - Diego Souza estava suspenso e Lincoln, poupado - e Vinícius atuou no ataque - Lenny e Éwerthon estão machucados.
O treinador também optou por Gabriel Silva no lugar de Armero na lateral esquerda. A nova formação não funcionou e o time sofreu queda de produção quando Cleiton Xavier sentiu dor na coxa e saiu aos 28 da etapa inicial.
Melhor no segundo tempo, o Mirassol pecou nas finalizações. Já o Palmeiras seguiu abusando dos erros. Precisando da vitória, Antônio Carlos tirou Robert para a entrada de Joãozinho e foi xingado mais uma vez.
O fim do jogo, assim como os dois últimos no Palestra, ganhou o mesmo som: de vaias e lamentações. Gritos de “time sem vergonha” foram cantados. Sem tranquilidade, o time tenta se concentrar na Copa do Brasil.