Brasília - Os chamados partidos nanicos, com pequena representação política no Congresso, são alvo de disputa das grandes legendas nas eleições presidenciais de outubro. Nos bastidores, PT e PSDB deflagraram uma corrida em busca de apoio dos nanicos com o objetivo de aumentar o tempo de exposição de seus candidatos no horário político no rádio e TV - além de futuras alianças para um governo de coalizão.
Legendas como PHS, PSC, PTC e PT do B vêm sendo procuradas por caciques tucanos e petistas em busca de aliança. Pela legislação eleitoral, o tempo de rádio e TV conta a partir da coligação de cada candidato. Se os nanicos atenderem ao chamado da aliança, passam a integrar as coligações e, automaticamente, cedem o tempo da propaganda eleitoral para o candidato.
O PSC, por exemplo, vai ter 36 segundos na propaganda política à Presidência. O tempo, somado aos de PHS (22 segundos) e PTC (24 segundos), permite que o candidato do PSDB ou PT ganhe mais de um minuto extra na sua propaganda eleitoral.
Segundo a Justiça Eleitoral, a distribuição do tempo reservado à propaganda eleitoral é feita entre partidos com representação na Câmara dos Deputados. Aqueles que possuem maior número de cadeiras na Casa garantem mais tempo de rádio e TV.
Maior bancada na Câmara, o PMDB deve formalizar aliança com o PT nas eleições presidenciais. Sozinho, o partido tem mais de três minutos na propaganda eleitoral. Somado ao tempo do PT, o candidato garante mais de cinco minutos em rede nacional diariamente -uma exposição estrategicamente calculada pelas legendas que disputam o Palácio do Planalto.
Pelo peso nas urnas e na propaganda gratuita, o PMDB é tradicionalmente o partido mais cobiçado na disputa eleitoral. Apesar de a cúpula da legenda dar como certa a aliança com o PT, parte da legenda defende a candidatura própria à Presidência. Um terceiro grupo de peemedebistas é favorável à aliança com o PSDB, que tem o governador José Serra (PSDB) como pré-candidato.
Barganha
Em troca das alianças, os partidos têm como regra pedir contrapartidas às legendas cabeças de chapa, especialmente cargos no governo eleito. Nos bastidores, os cobiçados nanicos negociam espaço futuro no Executivo como moeda de troca para fechar alianças.
Aliado do governo Lula, o PMDB comanda seis ministérios. Para garantir tamanho espaço no governo, os peemedebistas abriram mão de lançar candidato ao Palácio do Planalto nas três últimas eleições. Antes de aderir a Lula, o partido apoiava o PSDB em nível nacional.
Outra legendas aliada do governo, o PC do B ocupa o Ministério dos Esportes desde o início do governo Lula. PP, PSB e PDT também comandam uma pasta cada um.