Bairros

Por amor aos animais, ONGs atuam em Bauru

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

A incapacidade de resistir a miados desesperados e a olhares de cachorros que parecem ter caído da mudança é o principal motivo apresentado por voluntárias para justificar a criação de Organizações Não Governamentais (ONGs) destinadas a proteger e amparar animais que são vítimas de maus-tratos ou que foram abandonados à própria sorte nos bairros de Bauru.

Sem ganhar um real dos órgãos públicos para realizar tal trabalho, estas voluntárias travam diariamente uma batalha que está longe de ser vencida. Isto porque, elas parecem remar contra a maré.

“À medida que alimentamos e recolhemos animais abandonados, algumas pessoas têm a certeza de que, se deixarem seu bicho ao relento, faremos o mesmo por ele. A falta de consciência da população faz com que o número de abandonos aumente ao invés de diminuir. Chegamos a um ponto que as pessoas acham que nosso trabalho não passa de uma obrigação”, reclama Maria Dolores Barbosa Gomez, 62 anos, também conhecida como Lola, fundadora na União Internacional de Proteção aos Animais (UIPA), seção de Bauru.

Assim como ela, integrantes de outras ONGs enxergam o impedimento da procriação como única alternativa para combater a superpopulação e os problemas de abandono e maus-tratos que assolam os animais da cidade.

“Realizamos um trabalho dentro de nossas possibilidade. O ideal seria que o município adotasse uma política de castração massiva e urgente. Tenho certeza de que 90% dos problemas relacionados aos animais estariam solucionados, inclusive os relacionados à leishmaniose”, reivindica Sandra Regina Daniel Ariede, 54 anos, responsável pela ONG SOS Gatinhos.

Enquanto os clamores não são atendidos, as ONGs seguem na luta com a intenção de minimizar o problema. Confira a seguir um pouco do trabalho de algumas entidades atuantes na cidade.

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Corrente do bem

É por meio do uso das tecnologias que a bióloga Fátima Schroeder, fundadora da ONG Naturae Vitae, consegue desenvolver seu projeto de amparo e proteção aos animais.

Inconformada com os relatos de casos cruéis, que dão conta de maus-tratos aos animais, incapaz de fechar os olhos diante da situação e sem verbas para solucionar o problema, Fátima enxergou na Internet uma alternativa para mobilizar pessoas que, como ela, são apaixonadas por bichos.

“O principal objetivo da ONG não é recolher cães e gatos e, sim, denunciar e tomar providencia contra quem pratica maus-tratos aos animais, além de encaminhá-los para adoção. Como os casos são muitos e eu não dou conta de tudo sozinha, tive a ideia de usar a Internet para fazer uma corrente do bem”, explica.

Por meio de e-mails disparados a uma lista de contatos que não para de aumentar e pelo site, Fátima consegue doações e toma ciência de casos que necessitam de sua intervenção.

“Foi a forma que encontrei de levar o trabalho da ONG a todos os bairros da cidade, sendo que os mais carentes, localizados na periferia, são os que apresentam maior incidência de problemas. É uma forma de conscientizar as pessoas sobre a importância da posse responsável”, acrescenta.

• Serviço

Quem quiser colaborar com a ONG Naturae Vitae, doando rações ou ajudando em castrações deve entrar em contato pelo site www.naturaevitae.org. Atualmente existem uma cachorra de 5 meses (foto) e cinco gatinhos de 1 mês esperando por um novo lar. Quem quiser adotá-los pode entrar em contato pelo telefone (14) 3011-9736 ou 3222-4410, falar com Bórika.

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Eles sentem fome, frio e dor

Contando relatos de crimes cruéis cometidos contra gatos é que a empresária Sandra Regina Daniel Ariede, 54 anos, justifica a criação da ONG SOS Gatinhos, atuante em Bauru há quatro anos.

“As pessoas, no geral, sempre tiveram preferência pelos cães. Muitas pensam que o gato não é carinhoso, que é mais temperamental, enfim, criaram um rótulo que não corresponde à realidade. A SOS Gatinhos tenta desmitificar isto e incentivar as pessoas a adotarem um bichano como companhia”, resume.

De acordo com ela, o trabalho é difícil e nem sempre bem-visto pela sociedade. Para conseguir a doação de um saco de ração, por exemplo, tem de disparar uma média de 500 scraps (mensagens) no Orkut.

“Atualmente, a ONG cuida de uma média de 120 animais, que estão espalhados em casas de diversos bairros da cidade. Muita gente não compreende o trabalho que fazemos, quem dirá então se eu começasse a recolher em minha casa todos os bichanos abandonados, certamente os vizinhos surtariam”, analisa.

Para ela, os relacionamentos entre humanos são bem mais complicados que os que são entre os animais. “As pessoas são os principais obstáculos. Por falta de informação, muita gente acredita que, porque o animal é irracional, ele não sente fome, frio ou dor. Isto não é verdade”, ressalta.

• Serviço

A ONG SOS gatinhos aceita doações de ração e de materiais para cuidados com gatos. Quem quiser ajudar também pode adotar um bichano. Para isto basta entrar em contato pelo e-mail sos_gatinhos@yahoo.com.br, pelo site www.sosgatinhos.net ou pelo telefone (14) 9782-6661.

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Animais também merecem respeito

Lutar para que todos os animais tenham direito a respeito, carinho, alimentação e moradia é caso de honra para Beatriz Schuler, integrante da ONG Vida Digna. Existente há oito anos, a organização se mantém por meio de doações.

“Ajudamos da forma que é possível. Recebemos uma média de 15 ligações por dia de pessoas que não sabem o que fazer quando encontram um animal abandonado ou o perdem, por exemplo. Trabalhamos orientando estas pessoas. Além disso, encaminhamos animais para adoção e realizamos algumas doações, como as de ração, por exemplo”, explica.

De acordo com ela, o objetivo da ONG é conscientizar a população de que os animais merecem respeito e segurança, e, para isso, começa dando o exemplo.

“As pessoas devem ver nosso trabalho e se espelhar nele. Cada um fazendo sua parte. Aos cidadãos cabe a posse responsável, ao município, cumprir as leis de proteção ao animal já existentes”, completa.

• Serviço

A ONG Vida Digna aceita doações de roupas e utensílios seminovos, que posteriormente serão vendidos em um Bazar Beneficente para arrecadar verbas. Interessados podem entrar em contato com Márcia pelo telefone (14) 8153-7655. O bazar é realizado de segunda-feira à sexta-feira, das 8h às 17h, na rua Quintino Bocaiuva, 4-76, Centro.

Doações em dinheiro podem ser feitas nas contas que a ONG Vida Digna mantém na Agrossolo, na Mateus Cerealista ou na clínica Vida de Cão.

A ONG também aceita colaborações em rações, remédios e potes de água ou comida. Interessados em ajudar podem enviar e-mail para beatrizfauna@hotmail.com ou ividadigna9@gmail.com.

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