Gastronomia

Chocolate

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 10 min

O que há de melhor no domingo de Páscoa do que saborear, sem o menor receio de lambuzar os dedos, um maravilhoso ovo de chocolate ou sobremesas feitas com o elixir dos deuses?

Para quem ama chocolate, uma dica é ler e se deixar seduzir pelo mundo mágico dessa maravilha através de uma obra idem: Larousse do Chocolate, de Pierre Hermé.

É ele que conta tudo sobre os três mil anos de consumo, a origem que remonta a 1.200 a.C, o cultivo do cacau pelos olmecas, a difusão através da civilização maia, o fascínio exercido entre os nobres e como chegou à Europa e aos países do terceiro mundo, para alegria dos chocólatras. Para os maias, a primeira bebida à base de cacau tem origem divina por ter sido elaborada por um casal de ancestrais míticos para o casamento sobrenatural do neto, o herói Hun Hunahpu. As bodas não se concretizaram, já que os senhores do Xibalba, o inferno maia, decapitaram o infeliz, pendurando sua cabeça numa árvore morta.

Milagrosamente, a planta deu frutos, as cabaças, fecundando a noiva virgem. Foi o primeiro passo para a bebida servida naquela época em cabaças passasse a fazer parte das negociações preliminares ao casamento. Chocolate e felicidade.

Do casamento aos nascimentos. Os pequenos maias eram purificados com um galho molhado na água virgem de uma fonte, onde eram jogadas flores e cacau, nos moldes de como é feito o batismo católico. E servia ainda para o adeus aos mortos, abrindo as portas para a viagem ao além.

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Dos maias aos astecas

Bem depois, por volta de 1300 d.C, os astecas, guerreiros nômades vindos do Norte, se instalaram no alto vale do atual México, a dois mil metros de altitude, controlando seu imenso império que ia até a Guatemala.

Adoravam o cacau, embora não tivessem plantações, uma vez que a planta não se dava bem com o frio dos altos planaltos. O chocolate para eles era uma bebida de privilegiados. Somente as castas, ou seja, os nobres e guerreiros podiam consumir o tlaquetzalli (coisa preciosa).

As colheitas eram carregadas por centenas de quilômetros, desde as plantações de Tabasco e de Soconuzco - dos maias - até Tenochtitlán, futura cidade do México.

A mercadoria era tão valiosa que as sementes eram trocadas como moedas, nos moldes do que ocorria com as pedras preciosas e as plumas verdes e brilhantes do quetzal (ave sagrada, símbolo da Guatemala).

Para celebrar as negociações, brindava-se com “chocolatl”, uma bebida à base de sementes de cacau, aromatizada com baunilha, flores, sementes de urucum, pimenta, às vezes mel ou ainda cogumelos alucinógenos, à moda de uma verdadeira poção. Ao se despejar a bebida do alto, forma-se uma espuma apreciadíssima. Dizem que foi ela que cativou Cortés, antigo companheiro de Cristovão Colombo, ao conquistar o México, em 1519.

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Os conquistadores brindam

Longe da Espanha, era com chocolate que os conquistadores espanhóis comemoravam as novas terras. Na falta de vinho, dá-lhe chocolate. Com a introdução da cana de açúcar, as receitas à base de cacau foram se reproduzindo, temperando o forte sabor natural do chocolate com baunilha, açúcar e canela.

Embora, para os indígenas, chocolate bom fosse aquele que produzisse muita espuma. Foi aí que os colonos espanhóis inventaram as primeiras chocolateiras, simples potes de barro em cuja tampa, de madeira, havia um furo por onde se introduzia uma espécie de batedor, responsável pela produção das tão cobiçadas bolhas.

O chocolate passou a ser consumido mais vezes pelos colonos e sobretudo esposas índias, que se fartavam dele. O elixir dos antigos deuses foi admitido até nas igrejas e nas missas solenes, quando era servido às senhoras da alta sociedade de Chiapas.

Do Novo Mundo para as cortes

Mais um salto para que esse fascinante alimento saísse do Novo Mundo para enfeitiçar as cortes européias. A partir do século 17, se transformou na coqueluche da aristocracia e do clero, na Espanha.

E, aos poucos, foi entrando, como um rei, em outros países da coroa espanhola: Bélgica, Holanda e uma parte da Itália. Na França, foi introduzido pela cidade de Bayonne, em 1615, por ocasião do casamento da infanta espanhola Ana da Áustria com Luís XIII. Mas fez fama por conta da paixão de sua sobrinha, Maria Teresa da Áustria, esposa de Luís XIV, pela bebida. A esposa do Rei Sol, dizem as más línguas, tinha até os dentes pretos de tanto tomar a bebida.

Chocolate, chocolate, chocolate. Todos queriam chocolate. Tanto assim que Luís XIV teve que dar um basta para se livrar de mais de três mil “penetras” que freqüentavam o Castelo de Versailles para consumir chocolate servido três vezes por semana.

Homens e mulheres, incluindo a marquesa de Pompadour, que diziam ser frígida e consumia o chocolate energizante com âmbar-gris, outra substância também considerada afrodisíaca, para agradar a Luís XV, enquanto sua rival, a condessa Du Barry, servia a reconfortante bebida a lânguidos galanteadores.

Os aristocratas italianos e depois a alta sociedade londrina se curvaram ao elixir, que saiu dos países latinos para fazer fama no Velho Mundo. A ponto de deixar para traz a reputação demoníaca e fazer parte do mundo dos septuagenários e convalescentes, considerado como “ a água da fonte da juventude”.

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SONHO DE ÚLTIMA HORA

Karen Giolo de Oliveira, Campinas (SP)

Ingredientes

100 g de suspiros

1 tablete de Chocolate Meio Amargo Nestlé picado (200g)

1 lata de creme de leite

1 lata de Leite Condensado Moça

1 caixa de morangos maduros inteiros, limpos e lavados

Preparo: Corte os suspiros ao meio e coloque-os com a parte cortada virada para cima numa forma refratária quadrada de 21 cm de lado. Numa vasilha refratária, misture o chocolate e duas colheres (sopa) do creme de leite (de preferência só o soro), leve ao microondas em potência alta por 1 minuto (ou em banho-maria). Retire do forno e mexa até que derreta. Junte o creme de leite e misture bem. Coloque o leite condensado numa vasilha refratária e leve ao microondas em potência alta por três a quatro minutos para obter um brigadeiro mole. Retire as folhas do morando sem retirar os cabinhos. Faça uma camada de morangos sobre o suspiro, cubra com o brigadeiro branco e, sobre ele, coloque a mistura de chocolate derretido e creme de leite. Sirva bem gelado.

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SONHO COM RECHEIO DE CHOCOLATE

Ingredientes

½ xícara chá de leite

1/3 de xícara (chá) de açúcar

1 colher (chá) de sal

1/3 de xícara (chá) de manteiga

2 tabletes de fermento biológico fresco esmigalhado

½ xícara (chá) de água

3 ovos

200 g de chocolate meio amargo partido em 24 quadradinhos

Preparo: ferva o leite e adicione o açúcar, o sal e a manteiga. Mexa até a manteiga derreter. Reserve. Dissolva o fermento na água morna e misture-o, na batedeira, com as gemas, duas xícaras de farinha e a mistura de leite. Desligue o aparelho e adicione o restante da farinha. Cubra e deixe crescer. Sove a massa numa superfície enfarinhada. Abra-a com rolo e recorte-a com cortador de biscoito. Coloque chocolate no centro de cada rodela de massa. Pincele as beiradas com clara e cubra com outra rodela. Feche bem. Cubra com pano e deixe crescer por 30 minutos. Frite um sonho de cada vez, em óleo bem quente. Escorra sobre papel-toalha, polvilhe açúcar e sirva quente.

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SONHO COM RECHEIO DE CHOCOLATE

Neide P. Zancheta Antunes (Ribeirão Preto)

Ingredientes

2 gemas peneiradas

1 lata de Leite Condensado Moça

2 xícaras (chá) de leite integral

3 colheres (sopa) de amido de milho

2 colheres (sopa) de achocolatado em pó

2 claras em neve

1 pacote de biscoito de maisena (200g)

½ xícara (chá) de amêndoas sem pele cortadas em lascas e tostadas

Calda de chocolate para enfeitar

Preparo: Prepare um creme com as gemas, o leite condensado, o leite e o amido. Divida em duas porções e, numa delas, junte o achocolatado. Divida também a clara em neve e coloque nos cremes. Com um filme plástico, forre uma forma média própria para biscoito inglês. No fundo coloque um pouco de um dos cremes e, sobre ele, arrume 7 biscoitos um ao lado do outro. Repita essa operação fazendo finas camadas alternadas dos dois cremes, intercaladas com biscoitos. Finalize com um dos cremes. Leve à geladeira por cerca de 3 horas. Para servir desenforme o pavê, retire o filme plástico e cubra com as amêndoas e a calda de chocolate.

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BOLO NEGA MALUCA

Teresinha de Paula Monteiro Sobremesas: Doce Brasil

Ingredientes da massa

1 lata de creme de leite

250 g de margarina

4 ovos

3 xícaras (chá) de açúcar

2 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo com fermento

½ xícara (chá) de amido de milho

3 colheres (sopa) de café solúvel

3 colheres (sopa) de chocolate em pó

Ingredientes do recheio

1 lata de Leite Condensado Moça

1 colher (sopa) de café solúvel

2 colheres (sopa) de chocolate em pó

Ingredientes da cobertura

3 claras

½ xícara (chá) de água

1 ½ xícaras (chá) de açúcar

Preparo: Bata no liquidificador o creme de leite, os ovos, a margarina, o açúcar, o café solúvel e o chocolate em pó. Misture a farinha de trigo, o amido de milho e o sal. Leve ao forno em forma untada e polvilhada.

Recheio: leve ao fogo o leite condensado, o chocolate em pó e o café solúvel, até fazer um creme grosso. Divida o bolo em duas partes e passe o recheio entre elas.

Cobertura: leve ao fogo o açúcar e a água. Deixe fazer um mel em ponto de fio. Bata as claras em neve, misture o mel quente aos poucos na batedeira e bata até a cobertura esfriar.

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TRUFAS DE CHOCOLATE COM PIMENTA

Ingredientes

330 g de chocolate amargo

Em barra com 70% de caçau (ou meio amargo)

15 g de pimenta em grão

250 ml de creme de leite fresco

50 g de manteiga em temperatura ambiente

Cobertura

Cacau em pó

Pimenta moída na hora

Preparo: Com uma faca serrilhada, pique o chocolate. Com um pilão ou rolo de massa, triture os grãos de pimenta. Leve ao fogo o creme de leite e a pimenta. Espere levantar fervura e retire do fogo. Tampe a panela e deixe em infusão por 10 minutos. Coe sobre outra panela e leve ao fogo novamente. Deixe ferver, retire do fogo e acrescente o chocolate picado aos poucos, em três etapas,mexendo sem parar. Quando o chocolate estiver derretido, adicione a manteiga e misture bem. Forre uma forma de 28x30 cm com papel-manteiga. Coloque o creme com pimenta. Leve à geladeira e deixe por 2 horas, até endurecer. Desenforme sobre outra folha de papel-manteiga. Retire a primeira folha e corte o creme em trufas retangulares de cerca de 1,5 a 3 cm. Peneire o cacau em um prato fundo. Adicione 4 ou 5 pitadas de pimenta moída na hora e misture. Com o auxílio de um garfo, passe as trufas no cacau e coloque-as numa peneira; balance levemente para retirar o excesso de cacau. Conserve na geladeira, em recipiente hermético.

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A revolução industrial e o acesso do povo

Pierre Hermé conta que a “revolução industrial contribuiu imensamente para a mudança da mentalidade em relação ao chocolate mantendo o prestígio, porém, já acessível ao povo, o divino chocolate desceu do pedestal para se tornar uma bebida comum, objeto de comercialização”. Com a produção industrial, que permitiu diminuir radicalmente o preço, o chocolate passou a ser um meio de combater as bebidas alcoólicas, então um hábito das classes operárias.

“Cinquenta anos depois, o alimento dos deuses, transpôs uma nova etapa: o chocolate ao leite pretendia contribuir para a dieta infantil, satisfazendo de maneira agradável as necessidades de cálcio das crianças.”

E a invenção apareceu na Suíça, em Vevey, onde o jovem Daniel Peter, que se casara com Fanny Cailler, filha de um fabricante de chocolate, quis desenvolver um tablete de chocolate usando o leite.. Ele conseguiu o intento em 1875, ao usar o leite em pó. Daí foi um passo para os novos modelos, incluindo os ovos de chocolate que não podem faltar na Páscoa.

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