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Fim de ambulatório gera protesto

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Descontentes com o fechamento do Ambulatório de Saúde Mental de Bauru, membros do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde) realizarão uma manifestação na manhã de hoje, em frente ao prédio da unidade, que funciona ao lado do Hospital de Base (HB). O protesto, marcado para as 7h, também deve contar com a presença de parentes de pacientes, que estão inseguros sobre o futuro do tratamento de 550 usuários de Bauru e região.

“É mais um desserviço do governo (José) Serra à população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS). Sabemos que os pacientes psiquiátricos demandam cuidados especiais e irão sofrer para se adaptar a um novo tratamento, com profissionais diferentes. E os trabalhadores também estão apreensivos”, comenta Mariuze Inez Pereira Miranda, diretora regional do SindSaúde.

Ela argumenta que o sindicato não foi informado sobre as medidas que serão adotadas para o remanejamento dos funcionários do ambulatório e dos pacientes. No entanto, para a diretora técnica da Direção Regional de Saúde (DRS) 6 de Bauru, Doroti Vieira Alves Ferreira, o protesto não tem objetivo definido.

“Não entendi qual é a bandeira desse protesto. Em nenhum momento o paciente será prejudicado e esta mudança está amparada no Pacto pela Saúde, assinado pelas três esferas de gestão (União, Estado e Município) do SUS, em 2006”, frisa, adiantando que todo o processo se dará de forma gradativa, conforme prevê o plano de reestruturação de atendimento de saúde mental proposto pelo Estado, iniciado em 2002.

“Neste processo, a psiquiatria deve ser integralmente passada para o município e Bauru está muito bem estruturada para isso, porque tudo está sendo feito de maneira organizada”, aponta a diretora. Ao todo, a DRS-6 abrange 18 municípios, mas atualmente o ambulatório de Saúde Mental de Bauru atende somente oito deles, com 550 pacientes, sendo 170 somente de Bauru.

A previsão é que o fechamento da unidade ocorra até o final de abril, quando o atendimento de todos os usuários já deverá ter sido transferido para a rede de assistência psiquiátrica do município, que inclui os Centros de Apoio Psicossocial (Caps), a residência terapêutica e o ambulatório municipal de saúde mental.

Ainda de acordo com Doroti, os 23 funcionários da unidade em Bauru não serão demitidos. Eles serão remanejados para o DRS-6 e ocuparão cargos de suporte no atendimento aos pacientes realizado pelo município. A intenção é que o psiquiatra – emprestado do HB – volte a atuar apenas no hospital, os funcionários do departamento administrativo continuem a exercer as mesmas funções e os técnicos componham a equipe matricial de suporte e treinamento operacional.

“O Centro de Qualificação do SUS já está organizando o agendamento para definir o perfil de cada funcionário de acordo com os setores dentro do DRS. Não haverá problema algum”, assegura.

Para o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, a maior dificuldade será, de fato, garantir tranquilidade na adaptação dos pacientes às novas instalações e no estabelecimento de vínculos com profissionais com quem eles não estão acostumados a conviver. “Nós realizamos milhares de atendimentos no ano e absorver mais 170 pacientes não será uma dificuldade dentro da nossa rede, que tem melhorado muito a cada ano. Nossa preocupação é que esse momento de transição ocorra sem traumas. Por isso, estamos preparando uma equipe para esse processo e já programamos uma recepção especial para recebê-los”, salienta.

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