É desolador ver como a imprensa “livre” está tratando a greve dos professores. É verdade que a diretoria da Apeoesp é composta por militantes não só do PT, como de outros partidos políticos(PSOL, PSTU, PC do B,etc), mas dizer que a greve só existe por causa dessas correntes é uma grande mentira que afeta diretamente a nós, professores que estamos no movimento somente em busca de melhores condições de trabalho.
Ao ler a matéria sobre o confronto dos professores com a polícia posta nos jornais deste sábado me senti mais agredido pela imprensa do que pelos próprios policiais, pois eles pelo menos estavam apenas cumprindo o seus deveres, o que não tem ocorrido com os meios de comunicação.Nós saímos em caravana daqui de Bauru, com três ônibus (dois da Apeoesp e um da Udemo) e 99% das pessoas presentes eram professores e diretores sem nenhum engajamento político-partidário como o governo quer definir a greve, e que infelizmente tem tido uma grande colaboração da imprensa. Eu não sei exatamente quantos professores aderiram à greve, mas posso dizer que é muito mais do que os 1% do governo, e mai,os que continuam trabalhando só não aderem por medo de represálias, o que é uma das características desse governador.
Para finalizar, já que imprensa não os faz, vou esclarecer alguns motivos (que não têm nada a ver com eleições) para estarmos em greve: 1 - salário-hora/aula: R$ 6,50 PEB I ; R$7,50 PEB II, ou seja, o Estado mais rico e um dos salários mais baixos. 2-vale alimentação: R$ 4,00.
3- Promoção continuada, isto é, o aluno não precisa fazer nada para passar, e mesmo que não compareça durante a maior parte do ano é só fazer um trabalho no final e ser promovido.
4- Sala com dois professores: se alguém souber onde existe alguma, me avisem por favor. 5- Atribuição de aulas sem nenhum critério, para dar uma noção vou expor o meu caso: para completar minha jornada fui obrigado a pegar quatro aulas em Paulistânia, então tenho que ir de carro (pois não existe horário noturno nos ônibus), pagar pedágio e gastar combustível duas vezes por semana. Resumo: ganho pouco mais de R$30 por semana e gasto R$50 e o meu caso não é dos piores, pois sou professor efetivo e já conversei com professores que estão dando aulas em três, quatro cidades diferentes, quer dizer, estão pagando pra trabalhar.
Poderia citar vários outros motivos para justificar o motivo da greve, mas prefiro que vocês, pais de alunos, conversem pessoalmente com os professores de seus filhos e tirem suas próprias conclusões, mas por favor, não julguem a greve pelo que está sendo noticiado nos jornais, por que infelizmente eles não estão sendo imparciais como deveriam.
André Ferraz de Toledo