Nacional

Dez ministros deixam cargos hoje

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Faltando nove meses para encerrar seu segundo mandato, o presidente Lula vai perder hoje dez ministros que deixam o primeiro escalão para disputar as eleições de outubro. O número ainda pode subir porque o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pediu para decidir até hoje se deixa o governo para se candidatar.

Segundo o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) saem do governo de olho nas eleições: Dilma Rousseff (Casa Civil), Hélio Costa (Comunicações), Alfredo Nascimento (Transportes), Edson dos Santos (Igualdade Racial), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Edson Lobão (Minas e Energia), Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), José Pimentel (Previdência Social), Carlos Minc (Meio Ambiente) e Reinholds Stephanes (Agricultura).

Com a saída dos ministros-candidatos, sete serão substituídos por secretários-executivos e tomam posse hoje. As exceções acontecem no Desenvolvimento Social e na Agricultura. Irmã do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, a assistente social Márcia Lopes assume o lugar de Patrus, que deixa o governo para disputar a indicação do PT para o governo de Minas Gerais.

Na Agricultura, assume a pasta o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi. Padilha afirmou que a escolha de Rossi atende ao pedido de Stephanes e da bancada do PMDB.

Na noite de ontem, o presidente Lula ainda deve decidir com Costa o nome do novo ocupante do Ministério das Comunicações. Costa, que também se lança na disputa pelo governo de Minas Gerais, defende que seu substituto seja seu chefe de gabinete José Arthur Virlade, mas há resistências no Planalto.

Padilha negou que as substituições tenham caráter político.

De acordo com Padilha, não há restrição para que novos ministros peçam para sair até sexta-feira, quando termina o prazo de desincompatibilização. A legislação eleitoral obriga ocupantes de cargos no Executivo a deixarem suas funções até o dia 3 de abril se forem disputar as urnas em outubro.

Em fevereiro, Tarso Genro (Justiça) foi o primeiro ministro de Lula a deixar o governo por causa das eleições. Pré-candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso foi substituído por Luiz Paulo Barreto.

Lula vai aumentar o número de mulheres em sua equipe, apesar da saída de Dilma Rousseff. A presidenciável será substituída por Erenice Guerra, que terá uma função mais técnica na Casa Civil. A administração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), antes o principal palanque de Dilma, ficará a cargo de Mirian Belchior, secretária executiva do programa na Casa Civil. A outra mulher que assumirá cargo no ministério é Izabella Teixeira, secretária executiva do Ministério do Meio Ambiente.

____________________

Meirelles pede 24 horas para decidir futuro

Brasília - Henrique Meirelles manteve ontem o suspense sobre se permanecerá ou não à frente do Banco Central, a quatro dias do prazo limite para os titulares de cargos no Executivo deixarem suas funções se quiserem disputar as eleições de outubro.

Meirelles disse a jornalistas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que ele fique no BC até o fim do governo.

“Eu pedi a ele (Lula) 24 horas para pensar sobre este pedido dele e, portanto, hoje eu vou dar uma resposta final ao presidente se de fato eu fico no Banco Central, conforme o pedido dele, até o final do mandato, ou se eu de fato iria sair para contemplar uma via eleitoral”, disse Meirelles a jornalistas, após se reunir com Lula.

Desde que anunciou sua filiação ao PMDB em setembro do ano passado, o presidente do BC criou expectativa sobre sua participação nas eleições deste ano.

Inicialmente cotado para disputar o governo de Goiás, essa possibilidade acabou descartada com a candidatura do prefeito de Goiânia e companheiro de partido, Iris Rezende - confirmada ontem.

As outras opções seriam disputar uma cadeira no Senado ou tentar se viabilizar para ser o vice na chapa liderada pela ministra Dilma Rousseff (PT) na disputa à Presidência. Essa hipótese, no entanto, esbarra no fato de o PMDB ter no seu presidente, e presidente da Câmara, deputado Michel Temer, o nome para essa função.

Comentários

Comentários