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Dr. Automóvel: Truques para o reabastecimento

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

A internet é pródiga em circular informações alarmistas e bombásticas em meio a outras tantas úteis. O segredo é saber em quem confiar no meio deste verdadeiro bombardeio de mensagens. Meu caro Dr. José Eduardo Leal, amigo leitor desta coluna, recebeu e nos repassou este assunto perguntando sobre sua veracidade, visto que o recebeu como sério. Diz ele que o autor alega ter sido Engenheiro de Segurança e que trabalhou em uma refinaria por 31 anos.

Primeira dica do especialista: “Encher o tanque sempre pela manhã, o mais cedo possível, pois as temperaturas ambiente e do solo estão mais baixas. Todos os postos de combustíveis têm seus depósitos debaixo da terra. Por estarem mais frios, a densidade do combustível é menor. O contrário se passa durante o dia, quando a temperatura do solo sobe e o combustível tende a expandir-se.” Isto é verdade, mas vale para grandes volumes como em reservatórios, por exemplo. Tanto é que no descarregamento de um caminhão tanque em um posto, a temperatura é cuidadosamente medida e levada em conta na hora da descarga. Na Fórmula 1, durante o reabastecimento no pitstop, o combustível é resfriado antes de ser colocado no tanque para caber mais. Mas para um tanque pequeno como nos nossos carros e com uma diferença de temperatura dia/noite de 10 a 20ºC, não conta muito na prática.

Outra dica: “Quando for pessoalmente encher o tanque, não aperte uma pistola ao máximo (pedir ao frentista para fazer o mesmo, no caso de ser servido). Segundo a pressão que se exerça sobre a pistola, a velocidade pode ser lenta, média ou alta. Prefira sempre o modo mais lento e poupará mais dinheiro. Ao encher mais lentamente, cria-se menos vapor, e a maior parte do combustível vertido converte-se num tanque cheio real, eficaz. Todas as mangueiras vertedoras de combustível devolvem o vapor para o depósito. Se encherem o tanque apertando uma pistola ao máximo uma percentagem do precioso líquido que entra no tanque do seu veículo se transforma em vapor do combustível já contabilizado, que volta pela mangueira de combustível (retorno) ao depósito do posto. Isso faz com que os postos consigam recuperar parte do combustível vendido e contabilizado, e o usuário acaba pagando como se tivesse recebido uma quantidade maior, mas entrou menos combustível no tanque.” Teoricamente é outra verdade, pois a vaporização do combustível é puro desperdício. Mas vale também para grandes volumes. No caso de nosso tanque, a economia nos daria mais alguns metros de autonomia e alguns centavos no bolso, nada significativo na prática.

Vamos a outro truque: “Encher o tanque antes que este baixe da metade. Quanto mais combustível tem um depósito, menos ar há dentro do mesmo. O combustível se evapora mais do que você pensa. Os grandes depósitos cisterna das refinarias têm tetos flutuantes no interior, mantendo o ar separado do combustível, com o objetivo de manter a evaporação ao mínimo.” Até que enfim, uma verdade irrefutável. Isto sim se aplica aos nossos carros. Principalmente se o combustível for etanol, pois além de evaporar, ele ainda absorve água da umidade do ar dentro do tanque, pois o álcool é higroscópico. Com isto, se dilui e fica mais fraco. Como a nossa gasolina contém até 25% de álcool em sua composição, o mesmo se dá com ela. Recomenda-se sempre manter o tanque cheio. Se rodar pouco, o correto é reabastecer mais frequentemente. Se for deixar o carro parado por longo período, drene o tanque.

Mais uma: “Não encher o tanque quando o posto de combustíveis estiver sendo reabastecido e nem imediatamente depois. Se você chega ao posto e vê um caminhão tanque que está descarregando nos tanques subterrâneos ou acaba de reabastecê-los, evite se puder abastecer no dito posto nesse momento. Ao reabastecer os tanques, o combustível é jorrado dentro do depósito, isso faz com que o combustível ainda restante nos mesmos seja agitado e os sedimentos assentados ao fundo acabam ficando em suspensão por um tempo. Assim você corre o risco de abastecer seu tanque com combustível sujo.” Outra verdade com efeito teórico. Claro que qualquer partícula de sujeira no fundo, quando agitada ficará em suspensão por um tempo, é óbvio. Só que não se pode desconsiderar que a bomba suga o combustível do tanque e o circula por um filtro antes de mandar para seu carro. Mas ele tem razão, se puder evitar, melhor.

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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