Turismo

Civilização do Açúcar

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Os historiadores contam que, introduzida em Pernambuco, no começo do século 16, a cana-de-açúcar teve sua exploração estendida por toda a região que hoje envolve o litoral e a Zona da Mata de Estados vizinhos – do norte de Alagoas ao sul da Paraíba.

Ao longo do tempo, a cultura canaviera deixou um vasto legado: o açúcar mascavo, o refinado, o rolete, a rapadura, a cachaça, o álcool e todo um elenco de doces feitos de saborosas frutas regionais ou de receitas desenvolvidas nos próprios engenhos.

Publicação do Ministério do Turismo, em conjunto com o Sebrae, lembra que toda uma herança cultural foi adquirida desde o início da colonização brasileira. “Isto se manifesta nos modos de produção, nas relações de trabalho, na gestão das propriedades rurais, na miscigenação de raças, no sincretismo religioso”, aponta o documento.

Enfim, o nordestino foi nascido e criado sob a influência da exploração açucareira. “Entende-se por ciclo do açúcar a fase da história do Brasil marcada pela produção do açúcar nos engenhos nordestinos. Começou pouco depois da descoberta e acarretou profundas consequências sociológicas e culturais, até o século 18”, complementa o jornalista Antonio Noya, um dos maiores divulgadores dos atrativos alagoanos.

As formas de vida social, política e cultural decorrentes da economia açucareira no Nordeste constituíram matéria de numerosos estudos. Um dos mais importantes é justamente o livro pioneiro de Gilberto Freire, “Casa Grande & Senzala” (1933), que reproduz com fidelidade esse período da história brasileira.

Segundo o pesquisador Diegues Junior, em Alagoas os engenhos surgiram em três núcleos, um no norte do Estado, em Porto Calvo; outro no centro, em torno das lagoas, onde foi fundado o então povoado de Maceió, e o terceiro no sul, na região de Penedo. Fatores históricos e econômicos levaram à desativação dos engenhos, mas em Coruripe continua funcionando a todo vapor a usina homônima.

E é essa realidade que as operadoras de turismo de Maceió, como a Aeroturismo, estão oferecendo a quem desembarca na Capital e quer interagir com a população desse trecho do litoral Sul, descobrir o passado e o presente, já que ali continua a todo vapor uma das mais importantes usinas de produção de açúcar e de álcool do Brasil: a Usina Coruripe.

A usina, exemplo de preservação do meio-ambiente e responsável por um importante trabalho socioeconômicos realizado no País, emprega uma infinidade de trabalhadores. Nela, dependendo da época do ano, ou seja, da safra, o visitante tem a chance de conhecer o processo de produção do açúcar e do álcool (etanol) por meio de um vídeo institucional.

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O artesanato do orucuri

Depois de conhecer a Usina de Coruripe, a próxima parada se dá no povoado de Pontal do Coruripe. O vilarejo de pescadores abriga uma associação de artesãs, que gera renda por meio da confecção de rendas com a palha do ouricuri, palmeira muito comum na região.

A cidadezinha é uma graça, com casas com fachadas coloridas, mulheres tecendo as folhas da palmeira e confeccionando bolsas, mandalas, porta-joias, luminárias, cestas.

Conforme o ônibus vai trafegando pelas ruelas de paralelepípedo, sente-se uma sensação de paz infinita. Avista-se, pela rua principal, com árvores dividindo as pistas, o mar azul turquesa emoldurado por flores nativas.

O farol, na área mais alta de Coruripe, é dono de todas as atenções. Lugar para se avistar o balneário, tirar fotos, curtir a praia e depois, nos restaurantes do entorno, saborear as muitas maravilhas gastronômicas do lugar.

Havendo tempo, a dica é passar dias de relax numa das pousadas do trecho, como o Paradise Point, com chalés rústicos e charmosos.

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Para passear

• Igreja Matriz de Sant’Anna

Foi construída no século 18, sobre os restos de um antigo santuário, na atual Praça Narciso de Andrade.

• Convento Nossa Senhora da Conceição

Foi construído em meados do século 15 pelos padres franciscanos em homenagem à padroeira da cidade. Situa-se no alto do Morro Itaguassu.

• Praia do Pituba

É uma praia de mar aberto e com fortes ondas, não está indicada para o banho. Seu principal acesso é a pé, através da praia da Lagoa do Pau. De areia clara e fina, com recifes de corais e zonas rochosas.

• Praia da Lagoa do Pau

Situa-se na desembocadura do rio Pau, onde se formam lagoas rodeadas de Mata Atlântica, que dá o nome à praia, muito frequentada pelos banhistas. Preferida pelos amantes do surfe e por banhistas, que encontram no calçadão pequenos bares.

• Praia do Pontal do Coruripe

É uma praia semiurbana, uma das mais visitadas pelos turistas. Barcos e jangadas, embarcações típicas do Brasil, fazem parte do cenário. Destaca-se nela um farol, utilizado para avisar os navegantes sobre a presença de recifes de corais a poucos metros da costa.

• Praia do Batel

A praia do Batel forma uma ferradura e está localizada na desembocadura do rio Coruripe.

• Praia de Barreiras

Também localiza-se na desembocadura do rio Coruripe. Com areia escura e repleta de coqueiros, é acessível através da praia Miaí de Cima ou pelo rio nas marés baixas

• Praia de Miaí de Cima

Um belo e extenso areal deserto, rodeado de coqueiros, com areia fina e águas com fortes ondas.

• Praia de Miaí de Baixo

É uma praia selvagem de 8 quilômetros de extensão;

• Praia do Poço

Forma uma enseada selvagem cheia de coqueiros e com fortes ondas.

Fontes: Revista Turismo & Negócios, TAM-Pantanal Linhas Aéreas.

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À sombra dos coqueirais

Coruripe, antiga vila de pescadores, ganhou importância nacional em 1948, quando ali foi construído o farol. A edificação, estratégica, era destinada a proteger as embarcações do paredão de pedras que amortece a bravura das águas e forma duas piscinas na maré cheia, outra característica do balneário alagoano.

Outra praia bastante procurada é a da Lagoa do Pau, com ondas fortes e paraíso dos surfistas. Uma curta caminhada leva, em direção do norte, à praia do Pibuna, onde a paz é total. O barulho que se ouve por ali é apenas do mar, do movimento dos coqueiros que se mexem com o vento e os canaviais que contornam quatro quilômetros de areia, impedindo a passagem, para outras praias, a não ser pelo mar.

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