Regional

Estradas perigosas têm reforço policial

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

Durante a Operação Semana Santa, iniciada ontem em todo o Estado de São Paulo, o 2º Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, que atende 184 cidades e 4,5 mil quilômetros de rodovias, está reforçando ações de prevenção e fiscalização nas estradas, sobretudo na Engenheiro João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu, e Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, que por terem pista simples, registram grande número de infrações por parte dos condutores e, consequentemente, os maiores índices de acidentes na região.

Segundo o tenente Fernando Ferreira de Moraes, até domingo, quando termina a operação, viaturas estarão nos pontos dessas duas rodovias onde ocorre o maior número de acidentes para coibir eventuais abusos. “Nesses trechos, vai haver viaturas posicionadas para, em um primeiro plano, prevenir e, mesmo assim, se o condutor realizar ultrapassagens, vai ter outra viatura adiante que vai flagrar essa ultrapassagem e agir repressivamente, ou seja, vai fazer o auto de infração”, explica.

O tenente, porém, evita chamar esta ou aquela rodovia de “perigosa” e ressalta que a prevenção de acidentes está diretamente relacionada à postura do motorista na direção do veículo. “Não existe uma rodovia perigosa, ou rodovia que é ponto negro, porque a rodovia não causa acidente. Quem causa o acidente é o condutor”, diz. Essas duas rodovias têm a característica de ser simples. A diferença é que, na pista dupla, o condutor não precisa invadir a contramão para fazer uma ultrapassagem, e é esse o momento maior de risco”.

Durante toda a operação, Moraes ressalta que a Polícia Militar Rodoviária vai atuar, primeiro, no sentido da prevenção. “O objetivo da Polícia Rodoviária é preservar a segurança na rodovia, inicialmente, através da ação de presença, coibir, estar presente para que o usuário não cometa infrações de trânsito que possam gerar risco à segurança própria e alheia”, revela. “Em segundo plano, vamos agir repressivamente”.

Entre as principais causas de acidentes nas estradas da região, de acordo com o tenente, que também resultam em maior número de vítimas, estão as ultrapassagens em local proibido, o excesso de velocidade e a ingestão de álcool. Além da presença de viaturas nas rodovias para coibir infrações chamadas de “dinâmicas”, a polícia vai recorrer ao uso de bafômetros para flagrar o consumo de bebidas alcoólicas pelos condutores.

O motorista que for flagrado dirigindo sob influência de álcool ou substância entorpecente será penalizado com multa, retenção do veículo e suspensão do direito de dirigir, além de responder por crime que pode gerar pena de detenção de seis meses a três anos.

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Efetivo

Durante a Operação Semana Santa, cerca de 640 policiais atuarão na área do 2º Batalhão de Polícia Rodoviária, com ampliação do efetivo nos horários de maior movimento. Ao todo, serão utilizadas aproximadamente 215 viaturas de quatro e duas rodas, 21 etilômetros (bafômetros), 14 radares para fiscalização de velocidade e binóculos para fiscalização de infrações em movimento, sobretudo de motociclistas. Além disso, a segurança nas rodovias também será feita por câmeras dos Centros de Controle Operacional (CCO).

Com base em feriados anteriores, a Polícia Militar Rodoviária acredita que o movimento nas estradas durante o feriado aumente em média 30%. Em algumas estradas, o movimento pode ultrapassar 100%, segundo a polícia. A dica é evitar, de maneira geral, viajar entre as 7h e 15h de hoje, 12h e meia-noite de domingo e 7h e 12h de segunda-feira.

Ontem, primeiro dia da Operação Semana Santa, não foram registrados acidentes na região de Bauru. Contudo, à tarde, segundo o tenente Fernando Ferreira de Moraes, o movimento nas estradas começou a aumentar. A previsão era de que o tráfego voltasse ao normal apenas por volta da meia-noite. O tenente orienta os motoristas a redobrarem a atenção no retorno das viagens no domingo de Páscoa. “Das 15h até a meia-noite, o fluxo vai ser intenso também”, alerta.

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Trajetos e cobranças

Com a inauguração, na última terça-feira, do trecho sul do Rodoanel Mario Covas, a viagem de moradores de Bauru e região até o litoral Sul do Estado, a partir da Rodovia Castello Branco (SP-208), sentido rodovia dos Imigrantes, será reduzida em até uma hora. A liberação do tráfego de veículos no Rodoanel ocorreu ontem. Segundo a concessionária SPVIAS, responsável pelo trecho da Castello entre as cidades de Tatuí e Espírito Santo do Turvo, a expectativa é de que 225 mil veículos trafeguem pelo local nos quatro dias da operação Semana Santa.

A Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), responsável pela administração de trechos das rodovias João Baptista Cabral Rennó (SP-225), de Bauru a Santa Cruz do Rio Pardo; Orlando Quagliato (SP-327), entre Santa Cruz e Ourinhos, e Raposo Tavares (SP-270), de Ourinhos a Presidente Epitácio, divisa com Mato Grosso do Sul, vai reforçar o número de funcionários nas praças de pedágio das 6h às 14h de hoje e no domingo, das 12h até a meia-noite.

As nove praças de pedágio administradas pela Cart estão localizadas nas rodovias SP-225, em Piratininga e Santa Cruz do Rio Pardo; SP-327, em Ourinhos; e SP-270, em Palmital, Assis, Rancharia, Regente Feijó, Presidente Bernardes e Caiuá.

A concessionária Rodovias do Tietê estima que entre 300 mil e 360 mil veículos devem passar pelo trecho leste da rodovia Marechal Rondon (SP-300), que inclui ainda as rodovias SP-101 e SP-308, neste feriado. As praças de pedágio administradas pela concessionária estão localizadas em Agudos, Areiópolis, Botucatu, Anhembi, Conchas, Monte Mor, Rafard, Salto e Rio das Pedras.

No corredor oeste da rodovia Marechal Rondon, administrado pela concessionária Via Rondon, entre Bauru e a divisa com o Estado do Mato Grosso do Sul, o motorista vai se deparar com a cobrança de pedágio nas praças instaladas em Avaí, Pirajuí, Promissão, Glicério, Lavínia e Guaraçaí.

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Protesto no pedágio

Ontem à tarde, a regional Bauru da Central Única dos Trabalhadores (CUT), junto com diversas organizações sociais e partidos de esquerda, fizeram uma manifestação na praça de pedágio de Agudos. Distribuindo panfletos, os participantes protestaram contra o que chamam de “pedageamento das SPs”.

“Ao contrário da afirmativa de alguns parlamentares, o pedágio não é uma tributação direcionada à classe média. Todos sabemos que tem influência direta no valor dos produtos consumidos pela população e este impacto se reflete principalmente para a população mais pobre, que paga a tarifa embutida no preço dos alimentos e no transporte público. O Estado de São Paulo adquiriu as praças de pedágio mais caras do mundo”, diz a CUT em nota oficial. O protesto foi o primeiro ato da recém-criada “Comissão Movimento Pedágio Justo”.

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