O governo Lula lançou na última segunda-feira a versão 2 do “Programa de Aceleração do Crescimento” (PAC). Deve ser caso único na história em que uma nova ação é anunciada sem que a anterior mal tenha começado, pois, até agora, o PAC lançado há três anos e dois meses só completou 11% das obras previstas. Mas há um lado bom no evento do PAC 2: ele escancara com todas as cores o fato de as ações da gestão petista mira-rem exclusivamente o marketing e os objetivos eleitorais, pois realizá-las e, com elas, beneficiar a população é algo de menor importância para o PT.
Na verdade, o PAC foi uma grande sacada do departamento de propaganda petista. Anuncia-se um monte de obra que já existia; junta outro tanto que o setor privado já progaramara fazer e adiciona cifras liberadas para empréstimos que terão de ser pagos pelos seus tomadores.
Entre a embalagem e a realidade, a distância é enorme. Dos 12.163 empreendimentos do PAC 1, apenas 1.378 foram concluídos, de acordo com levantamento da ONG Contas Abertas. Além disso, mais da metade (54%) das ações listadas nem mesmo saíram do papel. E olha que estamos falando de um governo que governa há sete anos e três meses e de um programa que existe há três anos e dois meses.
A baixa execução do PAC reflete a incapacidade gerencial do governo do PT, pois o resultado pífio coloca em questionamento a capacidade de gestão do governo, algo típico de governos incompetentes que, ao invés de confessar seus erros, cria-se novas fantasias. É preciso fazer justiça : o primeiro PAC foi um fracasso.
O problema do PAC 1 não é apenas o atraso ou a inexistência das obras. A forma como o programa se apresenta é incrível e deliberadamente enganosa. Dá-se a entender que esforços de municípios, estados, empresas particulares, investidores estrangeiros e mesmo cidadãos sejam méritos exclusivos do governo federal. Na linguagem popular, trata-se da velha cortesia com chapéu alheio.
A participação efetiva do governo federal é irrisória. De todo o conjunto de ações do PAC, estimados em R$ 643 bilhões pelo governo, coube à União desembolsar até agora apenas R$ 27,2 bilhões, de acordo com o Siafi. Isso equivale a 4,2% do anunciado pela propaganda.
Com tantas artimanhas, o PAC revela-se tão artificial quanto a candidata que dele se vale para tentar perpetuar-se no poder.
O autor, Pedro Tobias, é deputado estadual pelo PSDB