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Amor aos animais

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 3 min

Interessante matéria sobre o amor aos animais foi veiculada no jornal Segunda- Feira - 0/4/2010, do Jornal da Cidade. Achei interessante e oportuno o questionamento: Você faz de tudo pelo seu animal de estimação? A reportagem me fez lembrar de um gato preto que se mudou para o quintal de minha casa.

Tenho de confessar minha falta de afinidade com os animais. Em minha infância tive poucos bichinhos de estimação e não seria depois dos 30 que iria me aventurar a cuidar de um gato. Porém, sempre que ele chora, muito mais pela cobrança da consciência do que por amor, ofereço ao felino um pouco de comida.

Ele naturalmente se farta, vai embora e retorna apenas quando seu estômago acusa. Obviamente que ele não morrerá de fome ao visitar minha residência, todavia não terá o carinho merecido porque minha capacidade de doar amor é limitadíssima.

Mas as visitas constantes do indesejado bichano deixaram-me pensativo e fizeram-me admirar demais a capacidade de doar amor que algumas pessoas têm. É notável ver como há gente preocupada com o destino dos animais. Lembro-me de uma vizinha que dedicava amor e carinho a mais de 30 gatos.

Uma beleza! Atitude louvável, sem dúvida. O amor é, de fato, a realeza de nossos sentimentos. Quando atingirmos a capacidade de amar tudo e todos certamente gozaremos de inenarrável paz de consciência.

Entretanto, se é verdade que devemos dedicar amor aos bichos de estimação também é importante estendermos essa capacidade de amar, inerente a todos nós, às pessoas. Curiosamente dia desses assisti na televisão a emocionante mobilização para desencalhar uma baleia.

Todos se compadeceram da situação do mamífero e salvaram-no da morte. Beleza! A união fez a força. Essa mobilização indubitavelmente é um treinamento para o amor. Mas, na mesma semana em que assisti a matéria na mídia televisiva visitei a cidade de São Paulo e observei muita gente deitada nas calçadas da grande metrópole, vítimas do abandono, das drogas e dos vícios degradantes e... ninguém se mobilizava para salvar esses seres humanos. São os paradoxos. Capazes de salvar uma baleia e indiferentes às dificuldades do semelhante.

Os cachorros, por exemplo, são animais carinhosos, fiéis, amigos, além do que não discordam de nosso ponto de vista, não nos aborrecem com reclamações e, tampouco criticam nossa maneira de ser e agir. É menos complexo amá-los. As pessoas, ao contrário, discordam, reclamam e muitas vezes não agradecem. Têm crises, medos, receios e dificuldades. Equivocam-se, sofrem de mau humor, caem nas armadilhas da maledicência e, não raro segundo nosso ponto de vista trazem-nos muitas decepções. Mas, conviver com seres humanos é preciso, mais do que isso, é imprescindível.

Como podemos perceber urge trabalharmos nosso sentimento para aprendermos amar além dos bichos de estimação também as pessoas. Compreender que elas não são como os cachorros, mas também têm seus valores e virtudes.

Reitero minha admiração pelas almas empenhadas em amar os animais, eu mesmo não desenvolvi essa capacidade, no entanto não posso deixar de registrar que amar as pessoas também é fundamental, embora seja, pelos motivos expostos acima, muito mais complexo.

O autor, Wellington Balbo, é colaborador de Opinião

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