Pretória - O nome da nova espécie de hominídeo foi escolhido a dedo: Australopithecus sediba. “Sediba” é “fonte” em sesotho, uma das principais línguas nativas da África do Sul, e resume a interpretação dos descobridores da criatura. Para eles, a espécie é a antecessora direta do gênero humano, o Homo do célebre nome científico Homo sapiens. É, portanto, ancestral de toda pessoa viva hoje.
Na cultura popular, a nova criatura é a que poderia ser chamada de “elo perdido” entre homens e macacos -conceito já abandonado por cientistas. Independentemente do apelido que receber, porém, o A. sediba vai gerar polêmica.
No disputado campo da paleoantropologia, apontar um fóssil como ancestral da humanidade equivale a mexer num vespeiro. Já há antropólogos contestando os “pais” do A. sediba, liderados por Lee Berger, da Universidade do Witwatersrand (África do Sul).
Disputas à parte, os fósseis de 1,9 milhão de anos - um macho adolescente e uma fêmea adulta - trazem novos dados sobre uma das fases mais importantes e confusas das origens do homem, quando a África estava coalhada de espécies de macacos bípedes, quase todas candidatas a bisavós da humanidade.
Dois desses bichos já conhecidos, o Homo habilis e o Homo rudolfensis, poderiam ser “rebaixados” a australopitecos graças aos novos fósseis, explicou Berger.
Dentes pequenos e um quadril mais apropriado a longas caminhadas ou até corridas são a principal pista de que o A. sediba seria ancestral direto do gênero Homo, argumentam os cientistas em artigo na edição de amanhã da revista “Science”.