O trabalho de vigilância não tem sábado, domingo e feriado. Para dar conta do serviço, há revezamento entre os seguranças. Cada equipe adota um procedimento, o importante é não deixar que as residências fiquem sem vigilância.
Os policiais militares que fazem o ‘bico’ trabalham nas folgas, enquanto aqueles que não fazem parte da corporação cobrem os demais dias. Normalmente o trabalho é feito por dois para cada dez casas, em média. O valor de R$ 2 mil é dividido por eles.
Para o policial, o ‘bico’ é lucrativo e não exige nada mais do que ele já sabe fazer. A vantagem é que o dinheiro não sofre descontos. “O salário de soldado da PM é cerca de R$ 2 mil. Com os descontos, recebo cerca de R$ 1,7 mil. No bico, ganho R$ 1 mil”, relata.
Ele conta que se algo estranho acontecer liga para a central de atendimento da polícia, onde normalmente há um plantonista que o conhece. Ele reconhece que numa situação difícil não vai se furtar a usar a arma que pertence à corporação.
Para a Polícia Militar, o trabalho extra no segmento segurança não é aceito. Pelo regulamento da corporação é sinônimo de infração. “A corporação é contrária. Orientamos para que eles não se exponham. É uma atividade de risco. Não acredito que a contratação de PMs resolva a situação. O que os moradores precisam é se mobilizarem para canalizar as informações para a polícia e confiar nela,” ressalta o major PM Reginaldo Souza Braga, subcomandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior 4 (4º BPMI).
Na opinião do oficial, a segurança que as pessoas desejam pode ser proporcionada pela segurança pública. “Estamos concentrando esforços para reverter uma situação de insegurança gerada por alguns fatos ocorridos naquela região (zona sul) da cidade. Prendemos uma quadrilha e outras pessoas envolvidas nos casos. Estamos empregando o efetivo administrativo em rondas”, afirma.
Braga frisa que os indicadores criminais de Bauru não são os piores em comparação com municípios de mesmo porte. “Achamos que não está bom, tanto que estamos trabalhando para melhorar”, diz.