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Serra acusa PT de dividir o País e cultuar impunidade


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Brasília - O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, fez ontem, no ato de lançamento de sua pré-candidatura, um discurso destinado a carimbar no PT e na sua adversária Dilma Rousseff o rótulo de sectarismo, intolerância e culto à impunidade. Sem citar o nome dela, nem o do presidente Lula, o tucano acusou o governo petista de tentar dividir o Brasil e de estimular o desrespeito às instituições.

“É deplorável que haja gente que, em nome da política, tente dividir o nosso Brasil. Não aceito o raciocínio do nós contra eles’’, discursou Serra, que só concluiu a redação de seu discurso na madrugada de ontem.

Ainda que sem mencionar o escândalo do mensalão, Serra apontou a impunidade e o desrespeito à lei como mazelas do Brasil. “No nosso país, nenhum brasileiro estará acima da lei.’’ Mesmo sem citar o PT, Serra criticou o que costuma chamar de loteamento político ao pregar um país em que o sucesso se deva à formação, e não à filiação partidária.

“No país com que sonho para os meus netos, o melhor caminho para o sucesso e a prosperidade será a matrícula numa boa escola, e não a carteirinha de um partido político’’, disse o pré-candidato, que dedicou mais de cinco minutos de sua fala à educação, apontado por adversários como um ponto fraco do governo de São Paulo.

Num discurso de uma hora, Serra foi aplaudido ao conclamar o enfrentamento aos opositores aos quais chamou de “falanges do ódio’’. “Às falanges do ódio que insistem em dividir a nação vamos responder com nosso trabalho presente e nossa crença no futuro. Vamos responder sempre dizendo a verdade [...] Quanto mais mentiras eles disserem sobre nós, mais verdades falaremos sobre eles’’.

O tucano valeu-se de sua biografia -dos tempos de exílio- para criticar ainda o apoio do governo Lula ao regime de Fidel Castro.

Serra disse que não se deve esperar dele uma investida na disputa entre “Estados do Norte contra Estados do Sul’’, “azuis contra vermelhos, amarelos contra verdes”. “Pode ser engraçado no futebol. Mas não é quando se fala de um país’’, disse ele, numa alusão à metáfora recorrente nos discursos de Lula. “De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres. Quero todos, lado a lado, na solidariedade necessária à construção de um país que seja realmente de todos’’.

Apesar da ofensiva contra o PT, Serra acenou com a possibilidade de diálogo, caso eleito. Ao afirmar que, como governador, não discriminou a oposição, Serra disse que jamais rotulará “os adversários como inimigos da pátria ou do povo’’.

Explorando pontos vulneráveis do governo para se contrapor à Dilma, ele defendeu a economia verde e o investimento em infraestrutura. Ao lembrar a redemocratização e o combate à inflação, voltou ao ataque: “Não foram conquistas de um só homem ou de um só governo, muito menos de um único partido’’.

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