Tribuna do Leitor

“TU QUOQUE”, ROQUE?


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Analisemos os fatos abordados por V.Exia. o vereador Roque Ferreira, em sua carta “A verdade que os tucanos e o PIG escondem” (Tribuna do Leitor, pág.26, 8/4): 1 – “PIG” é a sigla com que a atual situação da política federal nomeia a tradicional imprensa brasileira; a sigla seria a abreviação de Partido da Imprensa Golpista e refere-se, principalmente, à Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo e à revista Veja. A aversão do vereador e do PT a essa grande imprensa decorre das denúncias que aquela mídia tem feito a respeito da fuzarca com o dinheiro público que o atual governo, apoiado por Roque Ferreira, tem levado a cabo desde o mensalão e que, até agora, não tem solução de continuidade.

Ou seja, “continua tudo como dantes no quartel de Abrantes”. A preferência do governo federal e do vereador tem sido, pelo visto, a imprensa amarronzada e de viés trotsquista/leninista. 2 – A obra monumental do Rodoanel de São Paulo foi pensada e planejada ainda durante o primeiro governo Mário Covas(PSDB). Como ela foi discutida pormenorizadamente por 17 anos, seria desnecessário informar os leitores que o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso(PSDB), que nunca exercitou o tal de PAC; Luiz Inácio (PT) ainda curtia a cica da ressaca de, até então, duas derrotas consecutivas em eleições majoritárias. Mais uma viria depois.

3 – Obviamente, comandaram também a evolução da espetacular obra os governadores Geraldo Alckmin (PSDB), em seus primeiro e segundo governos, e José Serra (PSDB), que acaba de entregar o governo de São Paulo ao vice-governador Alberto Goldman (PSDB). Este é, agora, o encarregado de continuar o que ainda resta ser feito, até que passe a administração deste Estado ao nosso futuro governador. Tudo indica que será, novamente, Geraldo Alckmin. 4 – Função do Rodoanel: interligar rodovias que chegam a e partem de São Paulo, capital. Passam por nosso Estado somente 4 rodovias federais: a Transbrasiliana (região de S.José do Rio Preto, Lins e Araçatuba) e as três outras principais rodovias federais (BRs): Regis Bittencourt, Fernão Dias e Presidente Dutra, que desembocam nas Marginais de Pinheiros e Tietê.

5 – Quando estiver totalmente pronto o Rodoanel, os veículos que vêm à capital pelas três rodovias federais acima mencionadas e que não têm como destino a cidade de São Paulo, pelo novo complexo acessarão seus caminhos para outras rodovias (estaduais ou federais) sem que passem pelas marginais urbanas, descongestionando o problemático trânsito do entorno da cidade. 6 – Já que em sua carta o vereador cita somente o trecho sul do novo circuito - mesmo porque para o seu arrazoado manco só esse trecho lhe interessa- vamos detalhar para os leitores as razões que levam o senhor Ferreira a assim proceder.

7 – Ei-las: em decorrência de acordo protocolado e firmado entre o governo estadual e o governo federal (agora já com Lula no poder), ficou certo - porque antes de qualquer coisa, é justo que como as três principais rodovias federais do país (Régis, Fernão Dias e Dutra) também seriam - e foram - beneficiadas pela imponente obra do Rodoanel Mário Covas -sabe-se agora que o dispêndio total foi R$ 5,8 bilhões somente com esse trecho - que o governo federal colaboraria com R$ 1,2 bilhão. Apenas com o trecho sul da obra, repito. 8 – Convenhamos: para quem terá investido, após o projeto pronto, uma previsão de custo total de R$ 22 bilhões ou até mais(o governo de São Paulo), a colaboração de R$ 1,2 bilhão do governo federal é uma gota d’água de soberba e pretensão, num oceano de realidade e seriedade.

9 – O governador Serra tem agradecido sistematicamente a colaboração federal - embora mínima - e nunca ocultou que do total de cerca de R$22 bilhões dos dispêndios dos quatro trechos (leste, oeste, norte e sul) do anel, R$ 1,2 bilhão provêm do Tesouro Nacional. Ou seja, não é nada mais nem nada menos que dinheiro de impostos pagos, em sua maior parte, pelos contribuintes paulistas. 10 – Portanto, o Rodoanel governador Mário Covas começou a ser discutido e planejado há 17 anos, foi iniciado no governo Mário Covas (patrono do projeto), passou pelo primeiro e segundo governos de Geraldo Alckmin e pelo governo de Serra, continuando, ainda, pelo de Alberto Goldman.

Concluindo, nas mesmas circunstâncias em que dia desses solicitei ao senhor Fabrício Carlos Genaro, do Diretório Municipal do PT, solicito agora também ao vereador Roque Ferreira: ter em consideração a necessidade de, dirigindo-se ao povo de Bauru e região, lembrar-se de que não está em uma comissão ou conselho do seu partido, onde tudo é válido. Para seu próprio bem, que diga ele sempre a verdade... E, no presente caso, a verdade é esta: “o Rodoanel (não) é uma das grandes obras do PAC” e sim do laborioso povo do Estado de São Paulo. A merreca de R$ 1,2 bilhão repassada pelo governo federal não é também verba do PAC. Foi acordada em protocolo firmado entre o governo federal e o governo do Estado de São Paulo, e nada tem que ver com esse engodo chamado PAC, que definitivamente não desemPACa. Em tempo: na opinião do ilustre vereador Roque Ferreira, o JC é, também, membro do “PIC”?

João Guilherme Ortolan

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