Bairros

Parque Vitória Régia: uma escultura urbana

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

O que é, o que é? É verde, fica no coração de Bauru e ao seu lado passa uma das principais e mais movimentadas avenidas da cidade. Tem como chamariz lago, anfiteatro e playground para crianças? Se esta fosse uma brincadeira de adivinhação, que tivesse como desafio descobrir de que local se trata a descrição acima, certamente os bauruenses não teriam a menor dificuldade para matar a charada. Isto porque, o Parque Vitória Régia, inaugurado há 32 anos, tornou-se símbolo e ganhou o título de cartão postal da Cidade Sem Limites.

Projetado pelo arquiteto Jurandyr Bueno Filho, falecido no ano passado, o parque foi considerado uma inovação na época de sua construção. Atualmente, embora seja referência para toda a região, o local funciona muito mais como uma escultura urbana do que propriamente como local para realização de eventos culturais.

Na opinião do arquiteto Nilson Ghirardello, professor do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo e vice-diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, mesmo somando mais de três décadas de existência, apenas uma pequena parcela do potencial de lazer que o Parque Vitória Régia oferece é utilizada pela população.

“Se o parque impressiona por seus conceitos modernos, na questão da infraestrutura deixa a desejar. O anfiteatro, por exemplo, é magnífico. A ideia do palco flutuante, que lembra a flor vitória-régia, amparado por placas acústicas esculturais na parte traseira, é incrível, enche os olhos de seus observadores. O problema é que, na prática, se torna inviável reservar o local para eventos, já que o espaço é descoberto, e as condições de tempo podem atrapalhar”, destaca Nilson.

Já o secretário municipal de Cultura, Pedro Romualdo, aponta a dificuldade de acesso ao palco do anfiteatro e as precárias condições dos sanitários como sendo os principais impedimentos para a realização de maior número de atividades culturais.

“Existe uma dificuldade em chegar com equipamentos de som até o palco. Por conta disso, muitas vezes optamos por fazer os shows em outras áreas do parque. Além do quê os banheiros não dão conta de atender o grande público que frequenta o local em dias de eventos”, enumera o secretário.

Para Valcirlei Gonçalves da Silva, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), órgão responsável pelo Vitória Régia, os constantes atos de vandalismo praticados no parque, como a depredação dos sanitários, a pichação dos muros e a destruição de equipamentos, são grandes barreiras para a ideia de transformar o local em um grande espaço cultural e familiar.

“Reconhecemos a importância deste espaço para a cidade, tanto é que o local é o grande símbolo do município. O problema é que nossas obras não duram nem 24 horas. É pintar, virar as costas e ter todo o trabalho desfeito por vândalos”, reclama.

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Ampliação de atividades depende de reformas

Desde quando foi fundado, o Parque Vitória Régia nunca passou por modificações significativas em sua estrutura e, por conta disto, o local ainda preserva características que não condizem com a importância que o espaço tem para a cidade. Um exemplo é a falta de acessibilidade para cadeirantes, problema que, em pleno século 21, ainda impera no principal cartão postal da cidade e ofusca sua beleza.

Visando solucionar a questão e tornar o parque um local de diversão para os moradores de diferentes bairros de Bauru, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), em parceria com a Secretaria Municipal de Obras e Planejamento (Seplan), planejam executar uma reforma no parque.

Segundo Valcirlei Gonçalves da Silva, secretário municipal do Meio Ambiente, a obra está prevista para ser realizada ainda dentro do governo do atual prefeito, Rodrigo Agostinho, e vai custar, em média, R$ 300 mil.

“Muita coisa precisa ser mudada. São detalhes que farão toda a diferença. Ainda não temos um projeto concreto, mas estamos estudando a melhor forma de fazer isto. Temos de buscar uma solução inteligente para combater o vandalismo, talvez cercar o parque. Além disso, temos de pensar na acessibilidade de cadeirantes, no desassoreamento do lago, na adequação dos banheiros, etc”, enumera Valcirlei.

Já na opinião do arquiteto Nilson Ghirardello, vice-diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a solução pode ser bem mais simples. Ele é contra a proposta de cercar o parque e defende que a beleza do local reside justamente na liberdade que ele emana.

“Foi feito e pensado para ser aberto. Qualquer gradil estragaria a bela paisagem. Penso que uma boa iluminação e um policiamento ostensivo já reduziriam boa parte do problema. Com relação às atividades, acredito que uma boa campanha de divulgação incentivaria os bauruenses a frequentarem o local. Uma academia a céu aberto, como a existente na Getúlio Vargas, também atrairia bastante gente”, enumera Nilson.

Enquanto as mudanças não acontecem, o Parque Vitória Régia segue, em sua função de cartão postal, atraindo a atenção de milhares de bauruenses que cruzam diariamente a avenida Nações Unidas e, mesmo afoitos para chegar ao seu destino, não deixam de notar a bela área verde, símbolo da cidade.

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