São Paulo - Na pré-convenção do Partido Verde (PV) realizada ontem em São Paulo, a presidenciável Marina Silva (AC) rechaçou o que chamou de “apologia do medo” nas eleições de 2010 e, por descuido, se referiu ao presidente Lula como antropólogo. “O Brasil que elegeu um sociólogo e um antropólogo está pronto para o debate de ideias legítimo e fraterno, para que não se crie o estereótipo do medo. O medo daqueles que querem dividir o Brasil e o medo daqueles que querem entregar o Brasil”, afirmou. Após o evento, a assessoria de imprensa da senadora disse que ela pretendia dizer operário ao se referir ao presidente.
A senadora reforçou a ideia de que o País não precisa de gerentes e, sim, de pessoas com visão estratégica. “O Brasil tem o desafio de cumprir suas metas de redução de carbono, traduzindo isso na agricultura, na indústria, na geração de energia”, completou.
Marina reconheceu os avanços nas políticas sociais dos governos anteriores e acrescentou que não é necessário mudar, mas, “dar um passo à frente”. “Saímos da cesta básica para a transferência direta de renda. Agora, nós vamos além, sem desistir dela. Vamos transitar para a inclusão produtiva, em que se aposta na educação, no treinamento e na capacitação das pessoas com uma cesta de oportunidades para que elas possam se incluir produtivamente”, ponderou.
Sobre política externa, a pré-candidata do PV enxergou avanços no governo atual, citando o “olhar para a África” e para outras regiões do mundo “que não eram priorizadas”, mas classificou como “preocupante” a “audiência” dada ao presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad. “No meu entendimento, não era oportuna e adequada”. Marina criticou, ainda, a “relativização de questões fundamentais de diretos humanos”, fazendo referência aos presos políticos de Cuba.
A presidenciável esteve presente ao evento que lançou as pré-candidaturas do ex-presidente do Instituto Ethos Ricardo Young ao Senado e do ex-deputado Fábio Feldmann ao governo do Estado.
A assessoria de imprensa da candidata informou que ontem, às 19 horas, Marina irá se encontrar com o cineasta James Cameron. Cameron veio ao Brasil para o lançamento do filme “Avatar” em DVD e Blu-ray. Ontem pela manhã, ao lado da atriz Sigourney Weaver, ele plantou uma árvore de pau-brasil no Parque do Ibirapuera - o ato faz parte da campanha que tem como meta plantar um milhão de árvores em todo o mundo.
A pré-convenção do PV para a indicação dos pré-candidatos do partido ao governo paulista e Senado Federal reúniu cerca de 1,6 mil pessoas em Pinheiros, na zona Oeste da capital paulista. O volume foi maior do que as mil previstas e 600 pessoas ficaram do lado de fora do Espaço Rosa Rosarum, na Rua Francisco Leitão, no bairro de Pinheiros, segundo informações dos organizadores do evento.
“É fundamental que estejamos unidos não em torno de quem, mas em torno do que. Porque senão a gente volta ao apequenamento. Não é em torno da Marina; não é em torno do Serra; não é em torno da ministra Dilma; não é em torno do Ciro. O debate deve ser em torno dos desafios do Brasil.”
Presente ao encontro, o presidente da Natura, Guilherme Leal, disse que está em um “período de reflexão”, referindo-se ao convite que recebeu de Marina para ser o pré-candidato à vice-presidência pelo PV. Destacou que é mais conhecido como empresário do que como político e acrescentou que Marina Silva “já influenciou e mudou a qualidade do discurso político” do País.
Fernando Gabeira, pré-candidato do partido ao governo do Rio de Janeiro também participou do evento. Antes de discursar pediu um minuto de silêncio pelas vítimas das chuvas no País.
Durante o encontro de ontem, o nome do ex-deputado Fábio Feldmann está sendo apresentado como pré-candidato ao governo paulista e o de Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, para o Senado pelo Estado. O evento começou às 11h45, com 45 minutos de atraso.