Marília - O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo vai ampliar as apurações nas contas da Câmara de Marília, principalmente no período que houve desfalque. Há 220 cheques emitidos irregularmente no valor total R$ 3,6 milhões, sendo 150 desses emitidos nominalmente à própria Câmara.
A maioria deles, comprovadamente pagos diretamente no caixa do banco Santander/Banespa, em valores muito superiores aos correspondentes empenhos, mediante endosso unicamente de Toshitomo Egashira, do qual responde a ação na Justiça, após apurações do legislativo e do Ministério Público.
O relator do Tribunal de Contas do Estado, Robson Marinho, determinou a abertura de representação para apreciação das irregularidades envolvendo também os outros exercícios citados na documentação recebida do Ministério Público Estadual (2002 a 2005).
Os documentos foram obtidos na auditoria privada feita em 2008 para municiar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurou o desvio de recursos do legislativo.
A representação do Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo ao TCE foi feita pelo Ministério Público estadual de Marília, após denúncia do vereador e advogado Mário Coraíni Júnior, responsável pelo pedido de abertura de CPI na Câmara.
Também será apurado a expressa autorização do presidente da Câmara na época, o vereador Valter Cavina. A reportagem não conseguiu localizá-lo ontem à tarde.
Nas investigações feitas pela Polícia Civil de Marília, indicam o suposto envolvimento de mais 21 pessoas, entre elas o prefeito Mário Bulgareli e familiares do ex-diretor do Legislativo.
Bulgarelli teria se beneficiado com cinco depósitos bancários (valor total de R$ 5 mil) que teriam sido efetuados por Toshitomo Egashira. O rastreamento foi feito com base nas movimentações financeiras que ele fazia, indicando contas bancárias beneficiadas.
Como o prefeito tem foro privilegiado, o inquérito foi encaminhado na semana passada ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que deverá remetê-lo ao Procurador-Geral de Justiça que vai decidir se oferece ou não denúncia contra o prefeito e demais envolvidos.
O valor exato dos desvios da Câmara, apenas durante o ano de 2004 apontados pela perícia da Polícia Civil chega a R$ 2.597.826,48. Foram abertos mais dois inquéritos: um deles referente ao exercício de 2003 (na época tendo como presidente Valter Cavina) e outro na legislatura 2001/2002, tendo como presidente Herval Rosa Seabra. A reportagem não conseguiu ouvi-los.