No final da tarde de ontem, 13 adultos e três crianças estavam internados no Pronto-Socorro Central (PSC) e Pronto Atendimento Infantil (PAI), respectivamente, aguardando vagas para internação no Hospital de Base (HB) ou no Hospital Estadual (HE) em Bauru. São pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC), problemas ortopédicos, renais, cardíacos, todos esperando alguma resposta. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o normal são 10 pacientes aguardarem no máximo até três dias por internação. Mas, recentemente, o número de pessoas esperando vagas dobrou e o tempo aumentou - alguns aguardam até cinco dias pela vaga.
O Hospital de Base permaneceu quase duas semanas sem receber pacientes que não eram considerados de urgência e emergência. Por conta disso, o Hospital Estadual recebeu diversos pacientes do PS neste período. O hospital da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, também auxiliou a cidade recebendo casos mais complexos. Mesmo assim não foi suficiente.
Após o repasse de R$ 1 milhão da Secretaria de Estado da Saúde para a Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que administra o HB e a Maternidade Santa Isabel, o Base deverá retomar as cirurgias eletivas que estavam canceladas por conta da falta de materiais. A unidade também voltou a admitir pacientes para internação.
Porém, houve desequilíbrio entre os hospitais de Bauru, já que um teve que suprir a falta de vagas do outro. De acordo com o Departamento de Urgência e Emergência (DUE), o HE anunciou que está lotado e não poderia mais receber pacientes do PSC. Já o HB internou apenas seis pacientes que estavam no PSC. No final da tarde de ontem, 16 pessoas ainda não tinham ideia de quando iriam conseguir a internação.
A situação já esteve pior. No final da noite de segunda-feira eram 25 pacientes aguardando vaga. Um deles estava internado desde a quinta-feira passada, conforme o Jornal da Cidade noticiou na edição de sábado. O motorista Vanderlei Tadeu dos Santos, 49 anos, que sofreu um AVC na noite de quarta-feira e, após ser avaliado por médicos do Hospital de Base iria receber alta. Porém, a direção do PSC o manteve internado na espera de alguma vaga.
Ele só foi internado em hospital na manhã de ontem. “Só agora ele está recebendo atendimento. Ele passou por uma tomografia e ainda avaliam se será necessário uma cirurgia para descompressão do cérebro”, observa Talita Tieppo Lopes, filha do motorista. “Estavam pensando em dar alta e agora avaliam uma intervenção”, observa. “Ele ficou quase uma semana no PS e, só de sair da enfermaria, está melhor. Lá era muito barulhento. Aqui (no hospital) ele está mais tranquilo”, conta.
O diretor do DUE, Antônio Sabbag, conta que para conseguir internação dos pacientes do PSC, fala diretamente com os diretores clínicos dos hospitais. “Não tenho outra alternativa. Não é o município quem gerencia as vagas”, conta. O pedido de internação é encaminhado aos hospitais e também para a Central de Vagas, gerenciada pelo Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6), da Secretaria Estadual de Saúde.
Para Sabbag, a situação se agravou quando o HB restringiu drasticamente as internações e cirurgias. “O problema vem se agravando há 10 dias, mas desde a última quinta-feira, piorou. É que a situação foi se acumulando. No final de semana, praticamente não houve vagas”, destaca. “Alguns pacientes foram mandados para Botucatu. Nunca tivemos que enviar pacientes para lá”, pontua.
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Enfermarias
Na tarde de ontem, as três enfermarias do Pronto-Socorro Central estavam lotadas de pacientes esperando vagas para internação. Até pelos corredores havia pessoas nessa situação. Geralmente, as macas são destinadas a pacientes que estão recebendo algum medicamento e são liberadas em seguida. “No final, o que está acontecendo é que mais pacientes são liberados das enfermarias por melhorar e receber alta do que por conseguir vaga de internação”, ressalta Antônio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência.
Aparecido de Lima, 69 anos, esperava vaga em algum hospital para tratar de seu problema circulatório. Internado na enfermaria da unidade de urgência e emergência desde sábado, ele informou que familiares tinham ido até a Defensoria Público tentar por via judicial a sua internação. “Aqui, somos muito bem tratados. O problema é ficar esperando”, conta.
Cardíaco, Josias Joaquim da Silva, 63 anos, teve início de pneumonia diagnosticado no domingo. “Como já fiz uma angioplastia, preciso cuidar disso em um hospital. Mas até agora, nada. Pelo que disseram, é pelo menos quatro ou cinco dias esperando vaga”, afirma. Priscila Daibom, 22 anos, acompanha o seu avô, Atílio Daibom, 75 anos, desde sua internação no domingo. “Ele teve um AVC e está aqui aguardando”, conta.