São Paulo - “Tal medida pode salvar a dignidade sexual de muitas crianças.” Assim terminava um ofício que o Ministério Público do Distrito Federal diz ter enviado à Justiça pedindo em janeiro uma fiscalização rigorosa no comportamento do preso Admar de Jesus, 40 anos. Ele está detido após ter confessado, segundo a polícia, que matou seis jovens em Luziânia (GO), cidade goiana próxima a Brasília.
A carta tem data de 14 de janeiro - 22 dias após a libertação de Jesus. Naquele dia, quatro jovens já tinham desaparecido no município - o primeiro deles em 30 de dezembro. O último sumiu em 22 de janeiro.
A promotora Maria Miranda Pereira, responsável pelo ofício, defendeu no documento um acompanhamento “sistemático” de Jesus fora da prisão alegando que “não existe ex-estuprador” e que ele já havia cometido crimes graves.
Quando fez a solicitação, a promotora não sabia das mortes dos seis jovens, que estavam desaparecidos. Nem havia ainda suspeita contra Jesus. Seus corpos só foram encontrados no último final de semana.
Antes desses crimes, o suspeito, que se apresenta como pedreiro, havia ficado preso até 2009 após ser condenado por violentar dois meninos no DF. Em dezembro passado, por bom comportamento, conseguiu a progressão para o regime aberto e foi morar em Luziânia.
“Foi como se fosse uma premonição, uma morte anunciada. Eu falei: ele vai matar, ele vai estuprar porque quem tem esse perfil necessariamente reincide”, disse a promotora ontem.
Segundo ela, em 2008 um exame criminológico concluiu que o preso era “pervertido sexual” e que não havia cura. Pedia ainda tratamento. No ano seguinte, no entanto, o preso passou por avaliações psicológicas e psiquiátricas, que constataram que ele não oferecia riscos. A promotora diz que falta infraestrutura para cumprir o que a lei determina.