Roma - O Vaticano afirmou ontem que o papa Bento XVI está disposto a encontrar-se novamente vítimas de abusos sexuais cometidos por religiosos desde que seja “em um clima de meditação e reflexão, não sob uma pressão de caráter midiático”.
O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, ressaltou que o escândalo de pedofilia na Igreja Católica é reconhecido e que o papa “disse que está à disposição” para os encontros.
Lombardi explicou que se os eventos fossem realizados longe da imprensa, poderiam exprimir melhor a “escuta” do papa e a “comunicação pessoal”.
Bento XVI já se encontrou com vítimas de pedofilia em viagens aos Estados Unidos e Austrália. Além disso, ele recebeu no Vaticano uma delegação de canadenses.
Até o momento, afirma Lombardi, não há nenhum encontro do tipo agendado, embora possa acontecer durante visita do pontífice a Malta, no próximo fim de semana.
O porta-voz disse que a visita será “breve e com um tempo limitado” e não é possível saber se haverá oportunidade para reuniões com as vítimas da nação mediterrânea.
A possibilidade, no entanto, não está completamente excluída, já que os encontros efetuados nos Estados Unidos e na Austrália também não estavam previstos no cronograma original.
Malteses pediram para falar em privado com o papa durante sua estadia no país, renunciando ao protesto que havia sido anunciado anteriormente. A iniciativa é promovida por dez ex-internos de um orfanato católico da localidade de Santa Venera, que foram abusados sexualmente na década de 1980.
Durante a conversa com a imprensa, Lombardi negou que o Vaticano esteja se sentindo “sob assédio” devido às denúncias que emergem de vários países do mundo, como Alemanha, Irlanda, Estados Unidos, México e Brasil.
Lombardi acrescentou que o Vaticano está atuando de maneira “gradual” para o fim dos casos de pedofilia, levando em conta as experiências em algumas dioceses nas quais ocorreram casos deste tipo.
Ele afirmou ainda que novas medidas podem incluir “visitas apostólicas”, inspeções em dioceses - como as ordenadas na Irlanda -, encontros com vítimas e aprofundamento das medidas de prevenção.