Política

Marta ataca o PSDB de olho no Senado

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 8 min

Após perder a disputa pela prefeitura da Capital paulista em 2008, Marta Suplicy (PT), 65 anos, retorna ao cenário político para disputar uma vaga no Senado pelo Estado. Embora há pouco tempo definida como pré-candidata a uma das três cadeiras da Casa Federativa (só duas estarão em disputa), a experiente militante petista argumentou e comentou pouco sobre temas relativos ao cargo que quer desempenhar em Brasília e falou muito mais do desgaste tucano no governo paulista, ontem, durante sua visita a Bauru.

Apesar de chegar a pensar na pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, a ex-ministra do Turismo disse que aprova a indicação do senador Aloizio Mercadante para a sucessão do Palácio dos Bandeirantes. Reconhece que o páreo será difícil, fruto da consolidação do reduto situacionista do rival PSDB, mas diz que a conjuntura nunca foi tão favorável ao Partido dos Trabalhadores na disputa paulista.

“Nós temos um presidente fortíssimo e um desgaste do tucanato de 16 anos. Eles vão se enganar a respeito de Aloizio. Quando perguntarem aos 16 anos dos tucanos quais vão ser as próximas promessas, vai ser muito difícil ouvir alguma coisa que o povo possa acreditar. Quando perguntarem a quem esteve no poder durante dezesseis anos o que ele vai fazer contra a violência, o que ele vai falar? Os presídios na gestão do Serra só aumentaram. Os pedágios que foram responsabilidade do governo Alckmin só aumentaram. O governo federal mostrou que pode ser outra posição sobre isso, como a diminuição de pedágio. Acredito que temos uma possibilidade, pela primeira vez real, de mudar uma situação, mesmo com uma candidatura tão forte da oposição e da marca de 16 anos. Quando o povo se cansa, se cansa”, afirma.

Em março, partidos como PDT, PRB, PC do B e PR fecharam apoio à pré-candidatura de Mercadante. O candidato a vice na chapa deve ser indicado pelo PDT. Apesar da resistência de alas do PT, o vereador Netinho de Paula (PC do B) deve completar a chapa. “Não está claro o panorama. As coligações também estão abertas”, desconversa Marta.

“Defender meu Estado”

Embora a campanha nem esteja na rua, Marta Suplicy indicou, durante sua visita ontem, que ou a disputa ao Senado vai repetir a superficialidade de conteúdo das últimas edições, ou a estratégia dos pré-candidatos, nesta fase, é o de somente divulgar nomes e ganhar simpatizantes e muito menos de iniciar a discussão de temas nacionais que emperram o País no Congresso Nacional.

A disputa pelo Senado, segundo ela, foi prerrogativa do PT. “O partido avaliou que seria mais forte essa chapa. Fiquei muito contente. Nunca disputei o Senado. Acho que posso ser muito como senadora. Sempre fiz a diferença em todas as posições em que ocupei. Seja na TV Mulher, que foi um divisor de águas, como deputada, onde fiz projetos revolucionários, seja como prefeita, onde fiz os Centros de Educação Unificados (CEUs), Bilhete Único, projeto de Renda Mínima, e seja como ministra, onde a gente fez o projeto Viaja Mais Melhor Idade, que permitiu a milhares de idosos conhecer seu País. Acredito que no Senado vou poder defender meu Estado, porque a função lá é essa. Agora tenho maturidade para desempenhar essa função muito bem.”

A pesquisa Datafolha mostrou Marta com 43% das intenções de voto ao Senado. Sobre o resultado, a ex-ministra diz ter ficado muito muito contente, porque entende como o reconhecimento de um trabalho de sua vida política, especialmente na Capital.

No ano passado, o Senado foi alvo de escândalos e críticas. Para analisar a conjuntura do órgão, Marta prefere antes estar lá. “Tenho que chegar lá para poder olhar. Você ficar dando palpite sem estar dentro da realidade, acho muito precipitado.” Sobre a possibilidade de, se eleita, trombar com seu ex-marido, senador Eduardo Suplicy, Marta é enfática: “Não vou trombar nunca. Vou fazer parceria com o Eduardo. Ele não é uma pessoa que a gente tromba. É uma pessoa que a gente agrega”, discursa.

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Coleta de temas

Sobre os planos para a candidatura, Marta Suplicy diz que ainda está viajando o Estado para se apropriar dos problemas e montar sua plataforma. “Sou pré-candidata há duas semanas (ri). “Tem algumas coisas que já vi que são chaves, que é a realização mais rápida do Trem Bala e as ligações de Curitiba, Uberlândia e Belo Horizonte. Os recursos para Bauru trazer uma linha do trem, não Bala, mas uma mais rápida que iria até Campinas. Isso pode ser impactante para nosso Estado. Tem a questão da ampliação do Aeroporto de Viracopos, que é fundamental”, conta.

E amplia: “Hoje tivemos reunião com simpatizantes e lideranças regionais e foi trazido o problema do Tietê, que vai para Barra Bonita, extremamente poluído. Precisa de força e recurso para que ocorra a proteção ambiental para valer. Comecei agora esse percurso. Vou agregando as reivindicações nas diferentes regiões. Agora tem uma coisa que sempre pensei, há 10 anos, que é a regionalização do orçamento. Acho que fosse assim seria muito bom. Descentralizaria e possibilitaria que cada região pudesse aplicar seus recursos da melhor maneira possível”.

A respeito do movimento bauruense que trabalha pela descentralização de recursos que seriam destinados ao aeroporto de Campinas para o de Bauru, Marta afirma que o ideal é o aumento de Viracopos. “Lá tem que aumentar de qualquer jeito. Ninguém vai querer aqui. É outro mundo. Mas acredito que o aeroporto aqui tem um papel importante no desenvolvimento do Interior do Estado. Já tinha estudado isso com o ministro do Turismo, quando estava começando a trabalhar a questão da regionalização dos aeroportos, e isso não só para Bauru. O Brasil inteiro tem esse déficit de transporte.”

As pré-candidaturas de Mercadante e Marta só serão anunciadas oficialmente no próximo dia 24. Para a ocasião, o PT preparou um encontro estadual, nos mesmos moldes do Congresso Nacional que lançou em fevereiro a pré-candidatura da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. O evento deve acontecer no Sindicato dos Bancários de São Paulo e o diretório do partido espera reunir 1,2 mil pessoas no local.

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Ex-ministra aposta na transferência de votos do presidente Lula para Dilma

Marta Suplicy reiterou o raciocínio político da já repetida polarização da disputa na eleição deste ano, com o embate do PT com o PSDB e apostou que a oposição equivocou-se ao dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguirá transferir votos para a também ex-ministra Dilma Rousseff.

“Os motores estão esquentando para a campanha presidencial, e como qualquer começo de campanha estão tateando os campos, mas acredito que a nossa candidata sai com muito apoio por estar há oito anos acompanhando passo a passo as diretrizes do governo e com apoio do nosso presidente que é o mais popular da história do Brasil, que já colocou com muita clareza que o mais importante para ele nesse final de governo é eleger a Dilma sua sucessora.”

Pesquisa Sensus encomendada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo (Sintrapav) apontou empate técnico na corrida presidencial entre o tucano José Serra (32,7%) e a petista Dilma Rousseff (32,4%). É o resultado mais apertado já obtido.

“Estamos vendo com bastante alegria estes resultados. A oposição dizia que Lula não iria transferir votos e na verdade todos tínhamos essa indagação. O que vimos é que na questão de País ele transfere votos sim. Porque a Dilma atingiu um patamar de votos importantes que não imaginávamos e isso mostra também que a população está atenta a quem o Lula acha que pode dar continuidade a esse trabalho que está fazendo. E quem já escutou que ela é candidata se sensibilizou com isso. E tem uma parcela enorme ainda que não sabe que ela é candidata do Lula”, falou.

Neste momento, segundo Marta, o importante é que a população conheça a pessoa que vai continuar esse trabalho. “Conheça a capacidade que ela tem de levar o Brasil adiante nos trilhos que o Lula colocou e que perceba a sensibilidade que ela tem, a imensa capacidade de trabalho, de negociação, de respeito que tem pelo outro, e pela diversidade que o Brasil agrega, e pela importância de continuar essa polícia que une norte e sul do País.”

A principal liderança feminista do PT acha que a campanha petista ainda explora pouco o triunfo de ter uma mulher candidata à sucessão do Palácio do Planalto. “Olha eu gostaria que fosse trabalhado. Acho que a nossa vice Estela também gostaria. Mas sabe que isso eu sempre coloquei nas campanhas. E sempre os marqueteiros têm muito receio que provoca uma divisão de gênero, como a gente não tem certeza do que provoca. Não creio que vão enfatizar isso dessa vez. Mas quando a campanha acabar e nós vamos ter duas mulheres candidatas, a Marina (Silva, do PV) e a Dilma, acredito que os partidos políticos se tiverem realmente essa preocupação por esta questão de gênero vão ter peito e pesquisas das fragilidades e da força de uma candidatura feminina. Esse arsenal de informação nós vamos ter para as próximas candidaturas.”

Sobre como será o enfrentamento com o principal rival, o PSDB, Marta diz que será a dinâmica da campanha que irá dizer. “A campanha começou acirrada um pouco cedo demais. Agora o PT vai para o embate. Já foi, quando foi sugerido que a Dilma participou de movimentos de luta armada quando jovem na ditadura, como se isso fosse uma coisa muito ruim, negativa. O PT está lutando com muita clareza. Uma pessoa com essa vida em defesa pela democracia é uma pessoa que tem que ter o respeito e não ser manipulado como uma coisa errada.”

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