Ao analisar relatos de vítimas de vários roubos a residências ocorridos em Bauru recentemente, principalmente na regiões oeste e sul da cidade, a Polícia Militar (PM) descobriu que a forma de agir dos ladrões e até as características físicas descritas eram semelhantes. Com os indícios da ação de uma quadrilha especializada em assalto a casas, ontem policiais militares prenderam cinco homens e com eles acharam dólares, euros, armas, objetos que podem ser produtos de roubo, um carro e até perucas que supostamente seriam usadas nos assaltos.
A PM relacionou, de imediato, três roubos a residências ao grupo. Mas o capitão Fabiano Serpa, comandante da 3ª Companhia, acredita que o número pode aumentar. “Pelo menos uns oito assaltos foram praticados da mesma forma e a suspeita é que tinham sido por este grupo. O último ocorreu na segunda-feira, a uma casa da rua Mem de Sá, Vila Souto”, relata.
As prisões começaram de madrugada, quando três homens foram detidos. Depois outros dois foram presos. Todos foram encaminhados à Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que pediu à Justiça a prisão temporária dos suspeitos.
Todos eles - Josimar Francisco de Camargo, 23 anos, Leandro Eduardo Ramalho, 21 anos, Michelângelo Ribeiro, 20 anos, Marcos Vinícius Fuentes Santana, 20 anos, e Bruno Soares dos Santos, 22 anos – estão presos por cinco dias, tempo necessário para a Polícia Civil ouvir vítimas de roubos na tentativa de que reconheçam os suspeitos e/ou os objetos apreendidos com eles.
Um deles, Leandro Eduardo Ramalho, além da prisão temporária, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma. Em sua casa, no Jardim Prudência, os policiais militares acharam arma, 325 dólares, 350 euros e perucas.
Descrições feitas por vítimas de assaltos, como tatuagens, idades, altura e porte físico dos ladrões, e a maneira de agir, principalmente o fato de haver uma pessoa que facilitava a entrada dos demais bandidos na casa, uso de arma de fogo e o abandono do carro roubado no mesmo dia, levaram policiais militares a Josimar Francisco Camargo, conhecido por Buiú.
Com isso, na madrugada de ontem, Camargo foi abordado por uma equipe em patrulhamento na avenida das Bandeiras. Ele estava acompanhado por outros dois suspeitos, Bruno Soares dos Santos e Michelângelo Ribeiro. O trio estava com um relógio roubado. Prosseguindo com a investigação, a PM chegou à casa de Leandro Eduardo Ramalho, no Jardim Prudência.
Lá, foram encontrados um revólver calibre 38, uma garrucha, munição de calibre 357 Magnum, um Chevette que seria o carro usado para fuga em vários assaltos, e diversos objetos, como joias e artigos eletrônicos, suspeitos de serem roubados. Já na casa de Buiú, no Parque Real, também inspecionada pela equipe policial, foi achada uma arma de brinquedo e muitos produtos possivelmente subtraídos das residências roubadas.
Todos os bens encontrados nas residências foram apreendidos e encaminhados à DIG, onde serão disponibilizados às possíveis vítimas para reconhecimento. Elas também deverão realizar o reconhecimento dos suspeitos. As vítimas serão informadas pela DIG sobre os dias em que os objetos estarão disponíveis para o reconhecimento.
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Modo de agir chamou a atenção
O que levou à prisão de cinco homens suspeitos de integrar uma quadrilha de assaltantes de residência e a apreensão de armas, dinheiro e objetos que podem ser produtos de roubo são os relatos das vítimas, que apontavam um mesmo modo de agir dos bandidos.
Um dos detalhes que chamou atenção para ligação de um assalto a outro foi o fato dos veículos roubados das vítimas serem abandonados logo após a fuga dos bandidos. De acordo com o capitão Fabiano de Almeida Serpa, que comandou a operação de prisão dos suspeitos, a quadrilha agia da seguinte forma:
Pela manhã o grupo sairia com o Chevette, que foi apreendido, sondava as residências – o carro na garagem, a movimentação de pessoas, como entrar, etc. Mais tarde, estacionava o Chevette nas proximidades e ficava esperando o momento certo para entrar na residência.
“Podia ser quando alguém chegasse e abrisse o portão, quando alguém saísse”, frisa o capitão. “Na casa, os ladrões rendiam os moradores sob ameaça de arma de fogo e arrecadavam dinheiro, objetos, eletroeletrônicos. Tudo era colocado no carro das vítimas, com o qual os bandidos fugiam até onde estavam o carro que haviam deixado. Lá, passavam os produtos roubados para o outro carro, abandonavam o veículo roubado e fugiam”, enumera.
Outra semelhança entre os assaltos observada é que ocorriam quando havia um fator que facilitava a entrada da quadrilha nas casas. “Nos casos em questão, as residências estavam com o portão ou com a janela aberta ou destrancada”, informa o capitão. Outro detalhes observado pelos policiais pelos relatos das vítimas é o cuidado dos assaltantes em cobrir o rosto com camisetas para não serem reconhecidos e semelhança nas características físicas dos ladrões.
“As vítimas citaram tatuagens, as possíveis idades, a altura e o porte físico de cada assaltante, representando também um padrão para a investigação”, conclui Serpa.