Jaú - A delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jaú (47 quilômetros de Bauru), Isabel Cristina Maziero Martignago, recebeu no início da tarde de ontem inquérito policial que apura suposto crime de estupro de vulnerável cometido por L.A., 67 anos, monitor de um ônibus de transporte escolar, contra estudantes de nove a onze anos. Até o momento, três meninas já foram ouvidas pela polícia.
A delegada conta que o monitor foi preso em flagrante na tarde de anteontem, no Jardim Padre Augusto Sani, após denúncia feita pelo pai de uma das meninas que supostamente vinha sofrendo os abusos já há algumas semanas. Para intimidar as vítimas e evitar que elas contassem sobre os abusos a seus pais, ele ameaçava tirar suas carteirinhas, que garantem o acesso ao transporte escolar.
“Segundo a Polícia Militar, eles foram solicitados para comparecer ao local dos fatos, onde o pai de uma criança teria abordado um ônibus que fazia o transporte de estudantes, pois a filha dele teria contado que o monitor daquele ônibus teria assediado ela com palavras e atos libidinosos, passando a mão nas nádegas dela”, revela.
Diante dos fatos, a delegada conta que o suspeito foi conduzido ao plantão policial para o registro do Boletim de Ocorrência por estupro de vulnerável. “No plantão policial, compareceram outras vítimas, acompanhadas dos pais, que relataram também terem sido vítimas de fatos idênticos aos praticados pelo indiciado”, diz. Até o momento, a polícia investiga a prática de atos libidinosos contra três vítimas, uma de nove e duas de onze anos.
Em depoimento ao delegado Euclides Francisco Salviato Junior, o monitor negou a prática de abusos contra as estudantes, mas acabou sendo preso com base nos depoimentos das vítimas e recolhido à Cadeia Pública de Barra Bonita. Segundo as meninas, todas moradoras do bairro onde ocorreu a prisão do idoso, os abusos ocorreriam no interior dos ônibus escolares.
A titular da DDM explica que, nos próximos dias, vai analisar o inquérito para tentar identificar possíveis novas vítimas e testemunhas do crime. “As diligências prosseguirão aqui pela Delegacia da Mulher”, pontua. “Nós vamos ver se há outras vítimas para serem ouvidas, se há alguma outra testemunha para ser ouvida e depois o inquérito será concluído e encaminhado à vara criminal competente”.
O estupro de vulnerável consta na lei nº 12.015, sancionada em agosto do ano passado, que altera o Código Penal e considera a prática de qualquer ato libidinoso com menor de 14 anos equivalente à conjunção carnal. Em caso de condenação, a pena nesses casos pode variar de 8 a 15 anos de prisão.
Capacitação
O ônibus de transporte escolar onde teriam sido registrados os atos libidinosos, por parte do monitor, contra as estudantes, pertence a uma empresa particular que presta serviços à prefeitura de Jaú para o transporte de alunos das redes municipal e estadual de ensino.
Por meio da assessoria de imprensa, o secretário municipal de Educação, Orivaldo Candarolla, explicou que a prefeitura não fiscaliza os monitores de alunos e que esse procedimento é de responsabilidade das empresas que prestam serviço à administração.
Contudo, com base na ocorrência registrada anteontem, que ainda está sendo investigada pela Polícia Civil, o Executivo se comprometeu a agendar uma reunião com os diretores da empresa responsável pelo transporte escolar para discutir ações visando à capacitação dos funcionários que trabalham diretamente com os alunos.