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Tremores na China matam quase 600

Folhapress
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Pequim - O número de mortos na série de tremores na China subiu para 589, e os feridos já somam mais de 10 mil, informaram meios de comunicação estatais.

A série de terremotos destruiu prédios na cidade de Yushu e fez com que centenas de sobreviventes corressem em pânico para as ruas na cidade de Jiegu. De acordo com autoridades locais, os tremores destruíram cerca de 85% das construções da região.

Moradores e equipes de resgate utilizam suas próprias mãos para tentar retirar sobreviventes dos escombros. Várias escolas desabaram, e, segundo agências estatais, ao menos 56 estudantes morreram. A mais atingida foi a Escola Vocacional Yushu, onde, segundo a agência Xinhua, foram registradas as mortes de ao menos 22 alunos.

Geradores de emergência foram acionados para manter o aeroporto de Yushu em funcionamento. Ao menos seis voos aterrissaram trazendo equipamentos e equipes. Milhares de pessoas estão desabrigadas na cidade de 70 mil habitantes, segundo autoridades.

“A situação é difícil. Grande parte dos edifícios desabou. Muitas pessoas estão feridas com gravidade”, disse Pu Wu, diretor do projeto Jinba, que dá treinamento na área de saúde para comunidade tibetanas. “Estamos com medo. Estamos todos acampados ao ar livre, com receio de que mais tremores ocorram”. Luo Song, do monastério do Condado de Yushu, cuja irmã trabalha no orfanato local, disse que três crianças foram enviadas ao hospital, mas não havia equipamentos para atendê-las.

“Ela me disse que os hospitais passam por dificuldades, porque não há médicos, não podem dar injeções nem tratamento adequado”, disse o monge em visita à cidade de Shenzhen.

Destruição

Algumas pontes e estradas ao redor de Yushu racharam ou foram destruídas completamente, o que complica os esforços de resgate. O aeroporto está aberto, mas a estrada que o liga ao condado foi seriamente danificada.

O planalto do Tibete é frequentemente atingido por terremotos, apesar do número de vítimas ser normalmente pequeno, por poucas pessoas viverem na região. Cerca de 100 mil pessoas vivem em Yushu, espalhadas por uma vasta área, mas o terremoto atingiu uma região relativamente povoada.

O presidente Hu Jintao e o premiê Wen Jiabao exigiram que nenhum esforço seja poupado no resgate das vítimas. O vice-premiê Hui Liangyu foi enviado a Qinghai para coordenar os esforços.

Tremores

O primeiro terremoto, de magnitude 5, atingiu a região de Qinghai às 18h40 de anteontem, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que monitora a atividade sísmica mundial. O tremor teve profundidade de 18,9 km e epicentro a 230 km de Qamdo, na região do Tibete.

Desde então, outros cinco tremores atingiram o mesmo local. O mais forte deles foi registrado com magnitude 6,9 e atingiu a mesma região às 20h49, também segundo o USGS. O instituto afirma que o tremor foi registrado a uma profundidade de apenas 10 km e epicentro a 240 km de Qamdo.

A agência de notícias Xinhua cita funcionários do Centro de Terremotos da China dizendo que ao menos 18 réplicas - tremores secundários - foram registrados e que mais terremotos de magnitude maior do que 6 são esperados nos próximos dias.

Qinghai é habitada principalmente por tibetanos, mongóis, hui (muçulmanos) e chineses da etnia majoritária han.

Esta foi uma das zonas afetadas pelo terremoto que, em maio de 2008, atingiu o norte da vizinha Província de Sichuan, deixando cerca de 87 mil mortos e desaparecidos. Entre as vítimas estavam milhares de estudantes de escolas primárias.

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Frequência e força de abalos não aumentaram, dizem sismólogos

Brasília - Especialistas do Brasil e dos EUA ouvidos pela reportagem afirmam que os fortes terremotos deste ano não estão relacionados e não representam aumento nem de frequência nem de intensidade. Para eles, a maior atenção ao assunto se dá pelo fato de os abalos terem ocorrido em áreas populosas e deixado muitos danos e mortes.

“Os terremotos não estão mais frequentes, as médias a longo prazo seguem constantes. O período atual é movimentado, mas não é anormal”, diz Don Blakeman, há 14 anos geofísico do Serviço Geológico dos EUA. Em média, segundo o instituto, ocorrem no mundo 16 terremotos com magnitude igual ou superior a 7 todos os anos. Desde abril de 2009, foram 18. Só em 1943, foram 32. “No passado, muitos abalos menores não eram registrados. Mas os grandes eram, e estão constantes. Muitas pessoas podem avaliar o aumento das notícias sobre o assunto, mas isso indica só que há mais interesse, melhor comunicação.”

“Os terremotos estão acontecendo em lugares diferentes, placas diferentes”, concorda o professor Lucas Vieira Barros, do Observatório Sismológico da UnB. “Neste ano, grandes terremotos atingiram regiões importantes e deixaram danos significativos, em especial no Haiti, um país sem mecanismo de defesa. No caso da China, existe um histórico de graves danos por terremotos. É um país de alta sismicidade e alta densidade populacional.”

O professor destaca que o aumento global da população leva as pessoas cada vez mais para perto de fontes sísmicas.

Os dois especialistas lamentam que terremotos não possam ser previstos.

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