Turismo

Jangada acessível

Eliane Barbosa e Nide Lins *
| Tempo de leitura: 5 min

Muitos telespectadores chegaram às lágrimas assistindo à novela de Manoel Carlos “Viver a Vida”, nas cenas em que Luciana, personagem de Alinne Moraes, é levada por familiares, de cadeira de rodas, para se banhar no mar carioca.

Sentir a espuma das ondas, o toque da água, lamber o sal, foi um prazer para Luciana, ex-modelo que ficou paraplégica num acidente rodoviário. Pois bem. A cena não é coisa de novela em Maceió. Lá é real, em razão de apresentar ao mundo um belo projeto voltado à inclusão social.

O projeto, chamado de Jangada Acessível, foi desenvolvido pelo arquiteto e urbanista ergonomista Jorge Luiz Silva com o apoio da Secretaria Municipal de Promoção de Turismo (Semptur), Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal) e já é uma realidade.

Desde o dia 3 de fevereiro deste ano, pessoas com pouca mobilidade tiveram acesso ao passeio às piscinas naturais da Pajuçara, o cartão postal mais antigo da Capital alagoana.

O pescador e jangadeiro Sidney Cícero da Silva, 40 anos, conhecido como Dinho, foi responsável pela construção da primeira jangada acessível no Brasil, nas areias da praia da Pajuçara.

A jangada tem 1, 90 metro de largura e 6,5 metros de comprimento e comporta até dois deficientes físicos com a cadeira de rodas e mais dois acompanhantes. Na construção da jangada foram utilizadas as madeiras de pequi, jaqueira, maçaranduba e igapó.

O sucesso da embarcação adaptada virou notícia até em site dos Estados Unidos, e novos parceiros abraçaram o projeto de acessibilidade, o hotel Radisson de Maceió e a Braskem. Cada empresa vai construir mais uma jangada acessível.

O projeto da Jangada Acessível também contou com a parceria do artesão Durval Joaquim, de Viçosa, que desenvolveu a esteira de bambu para facilitar o acesso dos cadeirantes até a jangada.

O Jangada Acessível precisou de parcerias para se tornar realidade, diz o arquiteto Jorge Luiz. “Quando começamos a executar o projeto percebemos que areia fofa da praia é um obstáculo para o cadeirante chegar à jangada e até mesmo ter acesso à praia. A partir dessa dificuldade surgiu a ideia de fazer uma adaptação nas rampas até a jangada e coube ao artesão Durval executar o projeto com bambu. A primeira tentativa não deu certo, pesava mais de 160 quilos”, lembra Jorge.

Para a esteira dar certo, o artesão de Viçosa utilizou o bambu cana-da-índia, que é mais leve, resistente e ideal para uso na praia. A esteira tem cinco metros de comprimento e 1,60 metros de largura, permitindo ao cadeirante fazer o giro completo.

• Serviço

LJangada Acessível. Preço do passeio: R$ 20,00 (por pessoa). Informações pelo telefone (82) 9905-2515.

(* Especial para o Jornal da Cidade)

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A felicidade estampada no rosto

O cadeirante e associado da Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal) José Batista, 35 anos, foi um dos primeiros passageiros da jangada acessível e não escondeu a felicidade. “Participei ativamente dos testes para que a embarcação ficasse adequada a todos que tiverem mobilidade reduzida”, conta.

José Batista diz que não encontrou dificuldade para subir e descer da jangada, que também tem espaço para a cadeira de rodas girar. “Quando conheci o projeto, abracei de coração. Criar acessos é uma questão de cidadania. Também é interessante que Jorge (Luiz, arquiteto) fez o projeto, mas compartilha com a prefeitura, Adefal, jangadeiros, ou seja, a comunidade através de seus representantes está opinando e tudo deu certo. Fiquei muito feliz, porque pela primeira vez tive acesso às piscinas naturais da Pajuçara”, relata.

Segundo a assessora de projetos especiais da Secretaria Municipal de Promoção de Turismo (Semptur), Cláudia Paiva, no turismo já existe uma consciência de criar condições de acesso nos hotéis, aeroportos, restaurantes e passeios como o das piscinas naturais, que tem a particularidade de ser realizado pelos jangadeiros.

Já a secretária da Semptur, Cláudia Pessôa, ressalta que o passeio às piscinas naturais tem um grande diferencial: há mais de 40 anos é realizado pelos próprios pescadores e jangadeiros em jangadas de vela. “Em 2010, a Capital alagoana se tornou pioneira no serviço com qualidade e segurança para os portadores de mobilidade reduzida terem acesso à praia, às piscinas naturais. Enfim, numa jangada acessível o lazer é para todos”, diz a secretária da Semptur.

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Ampliação

A primeira jangada acessível do Brasil foi financiada pelo arquiteto Jorge Luiz, mas a proposta é de construir mais seis, e ele está aberto a novas parcerias para ampliar o projeto.

“Maceió, além de belas praias, tem ótimas condições topográficas da bacia que favorecem a implantação do projeto, porque tem águas abrigadas pelos arrecifes. Outro fator importante é que a orla de Maceió, apesar de não estar 100% enquadrada na norma nacional de acessibilidade, está acima da média nacional”, afirma.

Além disso, acrescenta o arquiteto, o aeroporto do Estado é o único do Brasil dentro das normas de acessibilidade. “Com a jangada vamos dar um passo adiante na cidadania”, argumenta Jorge Luiz.

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Pedalando até as rendeiras

Entre as novidades recentes, Maceió também ganhou uma nova e moderna ciclovia e um posto para o aluguel de bikes. Forma de atender os turistas que sentiam falta do equipamento. Estão a postos, hoje, duas empresas especializadas em alugar bicicletas, a Bicicletur e a Nordeste Rent a Car, ambas com a mesma intenção: proporcionar aos turistas pedalar pelas praias urbanas da cidade em apenas duas rodas.

A nova orla de Maceió, que liga as praias do Pontal da Barra, Avenida da Paz, Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca pela ciclovia, trouxe nova oportunidade para a guia de turismo Maria Aparecida, que investiu na Bicicletir.

“Comprei 15 bicicletas. Já aluguei para casais que pedalaram até o bairro do artesanato, o Pontal da Barra. Os turistas amam passear de bicicleta para ver a nossa bela orla ao sabor do vento”, conta Maria Aparecida. Os jovens alagoanos Pietro Coelho e Lucas Jatobá adoram pedalar e apostaram em oferecer o serviço de aluguel. Compraram 11 bikes, e mesmo somente com divulgação boca a boca, a procura vem aumentando.

• Serviço

Rota das Bikes. Bicicletur: rua Ouvidor Batalha, 187, Pajuçara. Telefones (82) 8182-8529 e (82) 9108-8358. Nordeste Rent a Car. Telefones (82) 9361-1041 e (82) 3357-1017.

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