Sorocaba, 2008. Após assistir à vitória fácil do Brasil sobre a Venezuela, este que vos escreve, como presidente do Tênis Clube de Barra Bonita, se dirigiu à equipe do Sportv, a saber, Dácio Campos e a grande Maria Esther Bueno, interrompendo o início de uma matéria que estava prestes a ser gravada. Cumprimentei os dois e tentei fazer o agora renomado comentarista Dácio Campos lembrar de sua passagem por Barra Bonita nos Jogos Regionais de 1999, quando ele - ainda pobre, eu disse brincando - veio a nossa cidade jogar por Bauru, ao lado de Alexandre Hocevar. Ele fingiu que lembrava e, dentre outras coisas, mandou um abraço pra Barra Bonita e, especialmente, pro pessoal de Bauru. A família Sacomandi era sua especial lembrança, quando mandou um fraternal cumprimento ao Celsinho Sacomandi.
Nas últimas transmissões pela TV paga, Dácio tem convocado toda torcida brasileira a comparecer em Bauru para torcer pelo Brasil contra o Uruguai pela Taça Davis. Em sua convocação em cadeia nacional, ele se refere a Bauru como um berço do tênis, lugar de pessoas acolhedoras, região bonita de desenvolvimento e de belas estradas. Com estas palavras, vem descortinando a quem não conhece o que vivemos por aqui desde que nascemos.
Apesar de o tênis ter recebido maiores incrementos no sul do país com o evento Guga nos anos 90, de nosso lado desde há muito respiramos os ares contaminados pela poeira mágica do pó de telha que recobre nossas quadras. Não me refiro apenas aos anos 70, quando o BTC recebia o Circuito Satélite e as Copas Vat 69.
As duas estrelas do brasão do BTC foram conquistadas com as vitórias internacionais do então estudante de odontologia Barros Cesar, o “Foguinho”, que na Europa, bem no meio do século passado, honrou nossas cores com vitórias memoráveis. Outra estrela deste mesmo brasão é devida a Cláudia Faillace, de Lençóis Paulista, treinada quando menina em Bauru e que foi campeã mundial infantil.
Julio Goes, Roger Guedes, as irmãs Cury e Joaquim, Renato Joaquim, os irmãos Segalla, Paulo Caju, Carlinhos Oliveira, Walber Gomide, André Cury e Celso Sacomandi são nomes que figuraram e figuram na mídia do tênis como representantes de uma pujança que foge ao tema bairrismo para fazer todo um Brasil se orgulhar destes valores. Não se pode esquecer de Roberto Cardoso, dono de um poderoso revés com duas mãos, que disputou a Taça Davis pelo Brasil em 1953, tendo em Bauru a companhia de Caio Brisola para seus treinos. E até hoje discípulos do Sêo Cláudio Sacomandi e de José Stockl desfilam seu belo tênis pelas quadras do Brasil e do mundo
Celsinho Sacomandi, inclusive, é protagonista de uma passagem histórica nas quadras americanas, quando foi juvenil jogar o Orange Bowl em Miami, no ano de 1974. Seu adversário era um tal de John “não-sei-o-quê”, dentre tantos que existem na América. A única diferença que notou era que a imprensa estava em peso para assistir àquele jogo de dois teenagers. Celso não titubeou e lascou de chofre 2X0 no rapazote magrelo de cabelos encaracolados, que nem viu a cor da bola. Ao sair da quadra, o bauruense foi cercado pelos jornalistas, que lhe informaram ter vencido a maior promessa do tênis americano: John McEnroe, que anos mais tarde se tornaria a lenda viva que hoje é. E Celso, na sua eterna humildade, comentou aos jornalistas, aos risos: “Agora é tarde. Já ganhei!” Até hoje, quando vem ao Brasil, o “Big Mac” pergunta por Celso, talvez até hoje esperando pela revanche. Foi premonitório o alô pra Bauru dado por Dácio Campos. Na verdade, serviu para nós como um até breve, quando receberemos o universo do tênis brasileiro em nossa região, num merecido reconhecimento por tudo que aqui já aconteceu, através de duas raquetes, uma bolinha amarela e muita paixão por esse esporte.
O autor, Marcondes Serotini Filho, é presidente do Tênis Clube de Barra Bonita