A diretora do Departamento Regional de Saúde (DRS-6) de Bauru, Doroti Vieira Alves Ferreira, vai propor ao promotor de Justiça Fernando Masseli Helene mudança no protocolo de atendimento de urgência e emergência em Bauru. Ao invés de o município buscar leitos de internação apenas nos hospitais de Base (HB) e Estadual (HE) por até 48 horas, antes de acionar a Central de Regulação de Urgência e Emergência (Crue) do Estado de São Paulo, como ficou acordado com o Ministério Público (MP) em 2006, a prefeitura terá que, a partir de 1º de maio, solicitar a vaga diretamente ao Crue.
Segundo ela, a Secretaria Municipal de Saúde demora para acionar o sistema de internação. “Essa decisão partiu dessa diretoria. A proposta será feita ao promotor na próxima semana. Já estou requisitando uma reunião, porque a gente percebeu que o município está demorando muito para acionar a Central. Diante da percepção de que muitas vezes talvez passe das 48h, e os nossos hospitais com essa dificuldade de leitos, a gente achou prejudicial para o paciente que a gente ficasse restrito a dois hospitais por 48h. Ninguém quer ficar restrito a dois, sendo que nós temos 22 na região. A gente gostaria de mudar isso, com aval do MP”, afirma Doroti.
A medida tem o objetivo de minimizar as dificuldades de acesso aos serviços aos usuários. O rastreamento de vagas começará pela região em que o paciente estiver - aqui são 22 unidades hospitalares - e caso não haja vagas, a busca será feita em todo o Estado. As solicitações serão feitas pelos médicos da cidade aos médicos de Botucatu, durante o dia, e da Capital, durante a noite. Cada município é responsável pelo transporte de seu paciente.
Anteontem, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, declarou que o Pronto-Socorro (PS) passou a solicitar vagas de internação fora da regulação regional para os pacientes que necessitavam de atendimento de alta e média complexidade na rede hospitalar.
O secretário enfatizou que a busca por internação ficou dramática, em razão das evidentes fragilidades no Hospital de Base. Para ele, o caos no serviço de ambulatório exigiu que a Prefeitura de Bauru passasse a restringir o envio de pacientes de cidades vizinhas. “Como não há vagas para diversos serviços, passamos hoje a inscrever os pacientes na Central do Estado até que a situação se resolva”, informou, na ocasião.
Doroti rebate. “Bauru já está dentro dessa Central. Além disso, o termo exato não é inscrição, é solicitação médica de leitos, diante de uma urgência e emergência de atendimento. Em nenhum momento houve implicação para o munícipe de Bauru no atendimento do HB. Na crise do hospital houve a suspensão das cirurgias eletivas até que se resolvesse a situação, mas em nenhum momento o HB deixou de atender toda a porta de entrada do Pronto-Socorro Municipal, quando era solicitado ou necessitado. Não é a crise do HB que está provocando algum caos na Saúde.”
Em relação ao atendimento de pacientes de outros municípios, Doroti afirma que a Prefeitura de Bauru não faz nenhum favor. “O colegiado, formado por gestores municipais, que são 18 municípios junto com Bauru, fez um pacto escrito, e paga para que o Pronto-Socorro Municipal receba esses pacientes. Em nenhum momento isso acontece porque Bauru faz um favor para Avaí, Piratininga, Balbinos, etc. Existe uma pactuação entre os gestores e um valor repassado à prefeitura para esse serviço.”
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O que é o Crue
A Central de Regulação de Urgência e Emergência (Crue) do Estado de São Paulo funciona das 7h às 19h, na Unesp de Botucatu, e abrange a DRS-6 (Bauru e outras regiões do Estado). Para todo o Estado, o órgão funciona das 19h às 7h, na Capital. A Crue trabalha com todos os hospitais estaduais.
“O paciente que chega no Pronto-Socorro ou que se encontra num hospital, que necessite de um outro tipo de hospital, ou de uma outra conduta especializada, imediatamente o médico, após os primeiros atendimentos, aciona essa Central, ou diurno ou noturno. O médico, do outro lado da linha, vai orientá-lo, dar o encaminhamento e procurar um leito, dentro do Estado ou da regional de Bauru, para liberar a vaga. No entanto, esse mecanismo em Bauru é diferente”, afirma a diretora da DRS-6, Doroti Vieira Alves Ferreira.
Hoje, antes de a Central ser acionada, há um prazo de tolerância de 48h para buscar vagas de internação no HE e HB. “A partir de 1º de maio, o Pronto-Socorro Municipal deverá acionar a Central, ele tem todos os telefones, os nomes de médicos que compõe essa Central, e solicitar o leito. Diante do quadro do paciente, a Central vai ver qual o hospital mais indicado e especializado para recebê-lo, dentro do diagnóstico dele”, afirma Doroti, contando que o promotor Helene concordará com a mudança.
Sobre os riscos deste novo mecanismo, Doroti é enfática: “Sempre corremos algum risco frente à dificuldade na busca por leitos de UTI. A Secretaria de Estado está ampliando os leitos de UTI, não só de UTI adulto, mas de neonatal.”