Bairros

Terceiro rompimento de adutora do DAE deve deixar 2,5 mil sem água

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Pela terceira vez em três dias, a adutora que liga a Estação de Tratamento de Água (ETA) a reservatórios da região central, sul, oeste e noroeste da cidade apresentou rompimento e cerca de 2,5 mil pessoas devem ficar com o abastecimento prejudicado hoje.

Desta vez, o problema foi detectado no final da tarde desta sexta-feira na quadra 5 da rua Saldanha da Gama, na Vila Souto, a um quilômetro e meio de distância de onde ocorreu o primeiro vazamento e a três quilômetros do segundo.

De acordo com a assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE), o vazamento teria sido provocado pelo rompimento de um anel da adutora, de 12 polegadas de diâmetro. O estrago de ontem, no entanto, teve proporções menores e a expectativa é que o fornecimento de água fosse normalizado ainda na manhã de hoje.

Ainda conforme a assessoria de imprensa da autarquia, apenas os moradores das partes altas da Vila Industrial e Parque Santa Cândida deverão sofrer com o desabastecimento.

É provável que a previsão se confirme porque os reservatórios ficaram praticamente esvaziados, e a água bombeada sem pressão suficiente não consegue chegar às áreas mais elevadas dos bairros.

Como o dano não foi considerado tão grave, o DAE optou por fechar o registro que dispensa água para a região apenas após as 22h de ontem, para então iniciar os trabalhos de recuperação da rede.

O objetivo era diminuir os transtornos aos moradores e permitir que tivessem tempo de realizar suas atividades de rotina no início da noite, como tomar banho e cozinhar. Os funcionários do DAE trabalhariam por cerca de uma hora e meia no local.

A repetição de problemas semelhantes em dias seguidos, no entanto, ainda não é explicada pela autarquia. Entre os motivos que podem justificar o terceiro rompimento da adutora estão a movimentação de terra, oscilação de pressão de água, choque térmico ou até mesmo o próprio desgaste da tubulação.

Conforme confirmou a assessoria do DAE, a região onde ocorreram os vazamentos é uma das mais antigas da cidade e a rede instalada sobre elas data de 1942.

Na última quarta-feira, um dano de mais de quatro metros de comprimento foi verificado na tubulação na altura da rua José Henrique Ferraz, na Vila Ipiranga. O problema era tão grave que foi necessário o desligamento das bombas que fazem a captação de água no rio Batalha, provocando o desbastecimento de quase 140 mil bauruenses.

O problema foi resolvido, mas no dia seguinte, a mesma adutora voltou a apresentar vazamento, desta vez na altura da quadra 1 da rua Cuba, na Vila Independência. Cerca de 10 mil moradores das Vilas Falcão, Pacífico, Industrial e redondezas ficaram sem água até as 15h de ontem.

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Vila Falcão volta a receber água

Depois de dois dias de transtornos por dois rompimentos seguidos de uma adutora, a região da Vila Falcão voltou a receber água normalmente ontem. Cerca de 10 mil pessoas ficaram desabastecidas até o início da tarde. De acordo com a assessoria do Departamento de Água e Esgoto (DAE), era possível que houvesse falha no fornecimento de água em alguns pontos mais altos da região até o início da noite, quando o consumo de água costuma atingir seu pico.

Na residência da empregada doméstica Maria Dolores Mota, 32 anos, a água voltou a jorrar nas torneiras apenas às 15h. Com uma caixa d’água pequena, de apenas 250 litros, para fazer reserva, ela ficou mais de 30 horas sem uma gota sequer de água e não conseguiu realizar atividades básicas em casa como tomar banho, cozinhar, lavar louça, roupa ou mesmo dar descarga.

A solução foi apelar para a ajuda de vizinhos. “Tomei banho, jantei e almocei na vizinha, que ainda tinha água. Não consegui fazer nada. Quando a água voltou, veio fraca e barrenta. Aproveitei para começar com a limpeza do banheiro e depois fui botar o resto da casa em ordem”, revela.

A estudante Juliana Soares, 14 anos, conta que teve dificuldades até mesmo para encontrar garrafas de água mineral nos estabelecimentos do bairro, já que a procura foi grande devido ao desabastecimento na região. “Tenho uma bisavó em casa de 98 anos, então tivemos que comprar marmitex para poder comer. Mas como água só tinha de garrafa pequena, acabei comprando refrigerante”, comenta.

No decorrer do dia de ontem, o DAE recebeu cerca de 90 reclamações de moradores que estavam sem água, principalmente nas áreas mais elevadas da Vila Industrial, Parque Santa Cândida e Vila Dutra. Cinco caminhões-pipa foram solicitados ao departamento por moradores, escolas e creches para o abastecimento de água.

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